Antonio Salvador e os resultados da transformação no RH do GPA

Aumento do nível de engajamento é alavancado pelas ações relacionadas à cultura da empresa, propósito e valores

Antonio Salvador, vice-presidente de RH do GPA, teve o privilégio de passar por diferentes áreas e perfis de empresas. E ponto importante: sempre buscou planejar a sua carreira construindo sua história profissional por suas mãos, acreditando na importância de fazer e manter relações ao longo do tempo.

Para começar, gosta de contar que jogou basquete até os 19 anos e isso foi muito importante para desenvolver o senso de disciplina, a lidar com questões como treinamento, competição, frustração, limitações, esforços que geram (ou não) recompensa.

Quando chegou a hora de ir para a faculdade, optou por estudar Relações Públicas – inspirado em seu pai – e logo começou a trabalhar como vendedor de anúncio em jornais do interior do Rio de Janeiro, para ajudar a pagar a faculdade.

Sua primeira experiência mais relevante foi em uma agência de propaganda, como atendimento de conta; aos 23 anos, quando teve o seu primeiro contato com o mundo corporativo, na Atlantic (atual Ipiranga), na qual atuou como assessor de comunicação e se envolveu com marketing cultural, comunicação interna, comunicação externa e começou a ter ligação com a área de recursos humanos.

Quatro anos depois, recebeu um convite para ir para a Brahma, como coordenador de comunicação interna, já na área de RH da companhia. Lá na Brahma, ainda, coordenou o projeto de Universidade Brahma, quando descobriu que o que gostava mesmo era de trabalhar com pessoas.

Anos mais tarde foi consultor na Price, onde atuou por quase dez anos e foi uma experiência riquíssima, acabou conhecendo várias indústrias, pessoas e projetos em diferentes países e continentes. Foi uma fase que ampliou, definitivamente, o seu conhecimento de negócios e empresas.

Mas tinha a ambição de passar um tempo no exterior e, por volta dos 37 anos, foi para Dallas, nos Estados Unidos, viver uma experiência muito rica do ponto de vista pessoal. Quando retornou ao Brasil, três anos depois, foi diretor de RH da própria Price no Brasil e, posteriormente, contratado pela HP para o mesmo cargo. Até que chegou ao GPA para assumir a área de gestão de pessoas em um momento bastante importante para a organização, seis meses antes de o controlador francês Casino assumir a operação brasileira.

Segundo Antonio Salvador, estar no GPA tem sido uma experiência fabulosa, pois ele acredita que se preparou ao longo de toda a sua trajetória para chegar na empresa e aplicar todos os seus aprendizados em escala infinitamente maior, ou seja, estamos falando de uma empresa com uma ‘população’ maior do que 60% dos municípios brasileiros!

Acompanhe a entrevista de Antonio Salvador para descobrir um pouco sobre a grande transformação ocorrida na área de gestão de pessoas no GPA nestes últimos anos:

MUNDO RH – Quais foram os avanços conquistados e transformações ocorridas na área de gestão de pessoas desde a sua chegada no GPA, em 2013?

ANTONIO SALVADOR – Evoluímos de maneira significativa no modelo de gestão da Companhia, em frentes como o processo de diferenciação de metas, com o cascateamento até os níveis de coordenador/consultor, de maneira que pudemos ressaltar a importância da meritocracia no GPA, trazendo maior controle e disciplina em nossos processos e projetos. Houve também a centralização do Centro de Serviços, que transformou o modelo de atuação dos serviços de RH.

No âmbito da liderança, posso destacar a estruturação do processo de sucessão, que nos possibilitou aumentar o pipeline e, dessa forma, garantir um maior acompanhamento, a fim de desenvolver e capacitar cada vez mais nossos sucessores. Outra conquista importante foi o aumento do nível de engajamento que, desde 2013, evoluiu de 52% para 66% em 2017. Esse resultado foi alavancado principalmente pelas ações relacionadas à cultura da empresa, nosso propósito e valores. 

MUNDO RH – Como a área de RH está inserida atualmente nas políticas de diversidade e inclusão?

ANTONIO SALVADOR – O GPA acredita que a diversidade é um dos temas mais relevantes e impactantes para o futuro de seus negócios e reconhece que a Companhia é feita pela soma de cada um dos seus colaboradores, dentro da sua diversidade, como reflexo da sociedade em que estamos inseridos. Neste sentido, desenvolvemos ações no programa GPA Iguais, sob o lema “Igual é ser diferente como todo mundo”.

Em 2015, editamos uma carta de compromissos de diversidade, com o objetivo de promover a inclusão e reforçar a posição da Companhia neste tema, priorizando os seguintes públicos – mulheres, pessoas com deficiência, LGBTs, a diversidade racial e a diversidade etária. Para cada um deles, determinamos ações específicas, que serão intensificadas nos próximos cinco anos.

Agora no mês de setembro deste ano, demos mais um importante passo na ampliação da discussão sobre diversidade, promovendo nossa primeira Semana da Diversidade, promovendo a interação e facilitando a discussão dos temas para os públicos prioritários do GPA entre empresas, parceiros, associações e entidades e nossos colaboradores.

O Grupo Casino, controlador do GPA, por sua vez, definiu há mais de 20 anos a sua política de recursos humanos ativamente em prol da promoção da diversidade em todas as suas formas. Desde então, a empresa atua para garantir a contratação de perfis diferentes, promovendo o princípio de igualdade profissional em todos os níveis e em todos os processos da companhia.

MUNDO RH – Qual tem sido o atual foco do RH neste ano de 2017?

ANTONIO SALVADOR – O departamento de RH do GPA tem diversos desafios, uma vez que lidamos com um universo de mais de 130 mil colaboradores. Mas, se eu pudesse elencar os três principais, seriam:

  1. Produtividade – o Brasil passa por um momento de instabilidade econômica e o varejo também foi impactado pelo aumento dos custos provindo da inflação. Com isso, foi fundamental encontrarmos formas de operar melhor por meio de processos e pessoas capacitadas, que nos ajudaram a manter um alto nível de produtividade sem a necessidade de grandes investimentos.
  1. Formação de novos líderes – acredito que esse seja um desafio comum da maioria das empresas, uma vez que profissionais da geração millennials estão chegando aos cargos de liderança e precisam ser bem preparados para os desafios que eles trazem.
  1. Cultura – por fim, o GPA segue investindo na disseminação da sua cultura, que é a atuação totalmente focada no cliente.

MUNDO RH – Como você observa cada vez mais a inclusão da tecnologia nos processos de gestão de pessoas, e como essa transformação acontece no RH do GPA?

ANTONIO SALVADOR – A tecnologia tem um papel cada vez maior na gestão de nossos 140 mil colaboradores. Há cerca de dois anos, por exemplo, começamos a avaliar sobre o que era mais vantajoso – gerenciar todos os processos executados pelo departamento de RH ou terceirizar para uma empresa especializada, capaz de atender as demandas, e já atendendo as especificidades do eSocial.

Com o projeto da ADP, os processos da área foram totalmente automatizados, o que nos permitiu aumentar a produtividade, reduzir tempo de execução de atividades relacionadas à folha de pagamento e outros processos como admissão e demissão. Entre os principais benefícios estão a padronização dos processos e a melhoria na gestão de todo nosso capital humano, o que não é pouca coisa!

Atualmente, nosso departamento de RH possui 1.500 profissionais que gerenciam 140 mil empregados, administram cerca de 400 mil vidas no plano de saúde, lidam com 500 sindicatos, gerenciam cerca de mil mulheres que saem de licença maternidade todo mês.

Contratamos de três a quatro mil profissionais mensalmente e, para que cada um desses empregados inicie suas atividades, é preciso preparar documentação, enviar e armazenar informações, preparar protocolos, liberar benefícios, tudo de forma muito ágil.

A redução do tempo da liberação dos benefícios dos empregados, como vale-transporte e vale-alimentação de 10 dias para 48 horas também foi outro ganho imenso desse projeto. Além disso, estruturamos a área de Inovação do GPA a fim de promover discussões sobre o uso da tecnologia no dia a dia de nossos colaboradores.

Dessa forma, buscamos evoluir cada vez mais para entender e atender as necessidades dos nossos funcionários e clientes, seja por meio de ferramentas de comunicação interna, que é o caso do Facebook Workplace, como por meio de sessões de pitchs e brainstorm com startups e empresas do setor.

MUNDO RH – Em relação ao desenvolvimento de suas lideranças, quais as ferramentas adotadas pelo GPA?

ANTONIO SALVADOR – Temos investido cada vez mais no desenvolvimento de nossa liderança. Lançamos as Universidades dos Negócios e criamos trilhas exclusivas para esse público. Além disso, realizamos assessment com os executivos do grupo, a fim de entender as prioridades de desenvolvimento e alavancar suas principais qualidades. Vale ressaltar que o turnover voluntário de executivos no GPA é quase 0%.

Ainda considerando o público executivo, realizamos fóruns para discussão de estratégia, planejamento e para compartilhar melhores práticas.

MUNDO RH – Quais os processos utilizados pela área de recrutamento do GPA para atrair jovens talentos?

ANTONIO SALVADOR – Queremos cada vez mais atrair jovens e estudantes para o time do GPA, principalmente com oportunidades de primeiro emprego e aprendizagem, mostrando que o varejo é um setor atrativo e relevante para se iniciar a carreira, e, claro, também se consolidar profissionalmente.

E, para isso, precisamos saber falar a linguagem desse público. Assim, temos participado de eventos voltados para os jovens talentos, trabalhando a exposição da companhia nos meios em que eles estão, como as universidades, além de apostar em dinâmicas diferenciadas e inovadoras – fizemos recentemente um ‘game’ no qual esses jovens podem testar suas habilidades, comportamento e hábitos que influenciem em sua vida profissional.

O game é a primeira etapa do processo seletivo, que faz um match entre os perfis, isto é, uma combinação cultural e de perfil de cada jovem com as vagas oferecidas. Dessa forma, o sistema cria parâmetros de avaliação e o jovem que tiver seu perfil aprovado agenda sua entrevista presencial através do aplicativo, por exemplo.

MUNDO RH – Quais as estratégias adotadas pelo RH para desenvolver e reter os seus profissionais? 

ANTONIO SALVADOR – Buscamos sempre trabalhar nossa proposta de valor em qualquer iniciativa, desde o recrutamento. Dessa forma, garantimos a aderência dos funcionários aos valores da empresa. Esse trabalho vem sendo apoiado pelo Plano de Cultura e entendemos que é importante sempre reforçar o “walk the talk”, ou seja, ter coerência entre o que praticamos e o que pregamos.

Além disso, temos trilhas de desenvolvimento dentro das Universidades Corporativas que permitem que o colaborador seja protagonista do seu próprio desenvolvimento, com suporte e insights da área de RH.

MUNDO RH – De que forma o RH busca no dia a dia promover o engajamento dos seus colaboradores e alinhá-los à estratégia de negócios da organização? 

ANTONIO SALVADOR – Valorizamos e pregamos a coerência na empresa, ou seja, todos nossos projetos e iniciativas precisam estar ligamos aos nossos valores e ao conceito de meritocracia.

Outro ponto de destaque é o engajamento no nível dos negócios. Com as Universidades Corporativas, focamos também na formação de gerentes de lojas, trazendo esse público para perto da estratégia do negócio e ao nosso propósito.

MUNDO RH – Como acontecem as ações direcionadas para a qualidade de vida dos colaboradores do GPA, e como essas ações impactam no equilíbrio entre vida e trabalho?

ANTONIO SALVADOR – Acredito que o equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional é essencial para que tenhamos um melhor ambiente de trabalho e um maior nível de engajamento entre nossos colaboradores. E isso é um grande desafio quando falamos de uma empresa de varejo, que trabalha em uma escala de “24 (horas) por 7 (dias da semana)”. Mas temos discutido muito e avançado em algumas frentes.

Recentemente fizemos uma grande mudança no sentido de focar esforços em programas que priorizem a saúde do colaborador – e não mais apoiar alguns poucos projetos de práticas esportivas de alta performance, como aconteceu por muitos anos no GPA. Assim, optamos em desenvolver um programa de saúde mais abrangente, que tem como foco a prevenção e o bem-estar do funcionário e, claro, revertendo isso em melhores indicadores de engajamento, em menor custo com planos de saúde – um dos principais gargalos das grandes companhias brasileiras.

Outra recente campanha que iniciamos para os executivos corporativos introduz o tema da flexibilidade e da escolha por um ambiente de trabalho mais saudável e de mais qualidade. Iniciamos um projeto de home office e horário flexível, ainda em caráter piloto entre a liderança da companhia.

Você pode imaginar que, para uma empresa de varejo de quase 70 anos, super tradicional e espartana, iniciar um projeto desses é uma grande mudança cultural e de valores. Esses são dois grandes exemplos de frentes que temos dedicado bastante tempo na área de recursos humanos.