As grandes empresas que são exemplo de acessibilidade e inclusão

Qual empresa te vem à mente quando o assunto é acessibilidade e inclusão?

Geralmente é difícil ter um nome na ponta da língua, já que a maior parte das organizações está mais preocupada com o cumprimento da Lei de Cotas do que com a inclusão de fato. Mas existem algumas empresas que estão à frente nesse movimento, levantando a bandeira da diversidade e colocando a mão na massa! E elas merecem toda a divulgação possível. Afinal de contas, elas servem de exemplo para as que estão atrasadas nessa discussão.

Vamos falar sobre as práticas de acessibilidade e inclusão de três grandes empresas. Na verdade, três gigantes, de setores bem diferentes: cosméticos, varejo e serviços.

Natura: colocando o colaborador no centro

A primeira empresa da nossa lista é uma das maiores referências brasileiras em inclusão: a Natura.

A acessibilidade na Natura parte de valor básico da empresa: a valorização dos colaboradores. A sua Visão de Sustentabilidade 2050 traz a Rede de Relações como um dos pilares e os colaboradores são uma das bases dele. Logo, a gigante dos cosméticos não poderia deixar de olhar com carinho para as pessoas com deficiência. Mais do que cumprir a Lei de Cotas, a Natura tem uma meta anual de contratação de PCDs, que é superior à cota exigida por lei. E o foco em ter equipes diversas não termina na contratação. O objetivo principal da Natura é incluir de verdade todas essas pessoas.

E aí entra diferencial interessante: a atenção especial que os surdos recebem na Natura. Os funcionários ouvintes podem fazer cursos de Libras e apadrinhar colegas surdos quando eles entram na empresa. O padrinho acompanha o surdo nas atividades do dia a dia e ajuda a quebrar as barreiras de comunicação. E com apoio do Tradutor de Libras da Hand Talk na intranet, os surdos da Natura tem autonomia para conhecer mais sobre a empresa e manterem-se atualizados com as notícias internas!

Essas são só algumas das práticas de acessibilidade e inclusão da empresa. Nesse estudo de caso dá para conferir o que mais a Natura vem fazendo pelas pessoas com deficiência.

Magazine Luiza: acessibilidade para dentro e para fora

Assim como a Natura, o Magazine Luiza também trabalha a acessibilidade da porta para dentro, com os seus funcionários. A inclusão está no DNA da empresa, que tem uma cultura interna super aberta à diversidade. Desde 2013, o seu Programa de Inclusão Social oferece treinamentos e realiza sensibilizações com os colaboradores dos escritórios e das lojas, trazendo o assunto para o dia a dia e tirando dúvidas comuns.

Mas a empresa também se preocupa com a acessibilidade para os clientes, com iniciativas da porta para a fora. O site do ML, por exemplo, está acessível na Língua Brasileira de Sinais, permitindo que seus clientes surdos naveguem à vontade e comprem sem dificuldade. Em uma realidade em que 70% dos surdos não compreendem bem a língua portuguesa, a iniciativa tem um grande valor!

O pioneirismo digital da Ernst Young

Dentre as Big Four, a EY é uma pioneira quando o assunto é acessibilidade digital. Como a própria empresa diz na sua declaração de acessibilidade, o seu site foi desenvolvido para que cada visitante possa escolher como quer aproveitar o conteúdo, com diferentes recursos de tecnologia assistiva à disposição.

Os deficientes visuais, por exemplo, contam com os recursos de audiodescrição e ajuste de texto da Browse Aloud, que garantem o acesso ao site tanto para quem é cego quanto para quem tem baixa visão. E o Hugo, simpático intérprete virtual da Hand Talk, também está por lá, trazendo acessibilidade em Libras para o surdos e literalmente vestindo a camisa da EY (você pode conferir abrindo a janela de Libras no site da empresa).

O site foi inteiro desenvolvido com base nas diretrizes de acessibilidade da W3C, um consórcio mundial que reúne as melhores práticas acessibilidade na construção de sites.

A EY tem um compromisso com a diversidade que é bastante evidente. A empresa faz parte da Rede Empresarial de Inclusão e tem um programa de desenvolvimento de PCDs, o EY Able, que tem trazido bons resultados. Mais de 15% dos seus profissionais com deficiência foram promovidos internamente, e o reconhecimento também vem de fora. Em 2016 a organização recebeu uma menção honrosa do Governo de São Paulo e da ONU em Nova Iorque, por suas Boas Práticas para Trabalhadores com Deficiência.

O que a sua empresa tem feito para incluir os trabalhadores com deficiência? Há muita informação disponível para inspirar projetos e programas de acessibilidade e inclusão efetivos, basta ver o que os grandes vêm fazendo a respeito!

 

Por João Vitor Bogas, da Hand Talk