O futuro do emprego

47% do emprego atual desaparecerá dentro de uma ou, no máximo, duas décadas

No futuro, as máquinas substituirão as pessoas. Os empregos serão cada vez mais escassos. Não haverá trabalho”. O tom pessimista e catastrófico que muitas pessoas dão às transformações que vivemos já não é de hoje. Na Revolução Industrial, o discurso foi o mesmo. A diferença é que agora as mudanças são muito mais rápidas e é preciso adaptar-se rapidamente ou mesmo antecipar-se ao que virá para não ficar fora do jogo.

Como afirmou a Coordenadora de mestrado do Insper, Regina Madalozzo, em reportagem do jornal Estadão, “nos últimos 20 anos, ocorreram mudanças tecnológicas tão grandes que não aconteceram nos últimos 100 anos. É o ritmo das mudanças que assusta”. Na mesma reportagem, o professor da Faculdade de Economia e Administração da PUC-SP, Leonardo Trevisan afirma que “atividades da área de serviços serão rapidamente substituídas, como a de recepcionista e vendedor, porque o uso de robôs faz aumentar a produtividade e confiabilidade no resultado da operação”.

Estimativas da Universidade de Oxford e outras instituições, apresentadas em artigo do El País, endossam essa linha de raciocínio: 47% do emprego atual desaparecerá dentro de uma ou, no máximo, duas décadas e 90% das profissões que permanecerão sofrerão alguma transformação e exigirão a incorporação de novas competências. Ou seja, assim como hoje existem profissões/ serviços que antigamente não existiam – como um desenvolvedor de sistemas, ou um personal trainner (um serviço que antes nem era cogitado, mas que passou a existir com o avanço tecnológico, uma vez que a tecnologia traz mais recursos, mais oportunidades, mudanças no estilo de vida e, consequentemente, abre portas para a prestação de serviços premium como este, entre outros), ou ainda serviços como os viabilizados por aplicativos como o Uber, Getninjas, ou um AirBnB – esses mesmos serviços hoje considerados inovadores poderão não existir num curto espaço de tempo, dando lugar a outras inovações.

Aliás, aplicativos? Peter Sondergaard, Vice-Presidente Sênior de Pesquisa da Gartner, já anunciou: “Em 2020, as pessoas não irão usar aplicativos em seus aparelhos. Na realidade, os apps estarão esquecidos. As pessoas vão contar com os assistentes virtuais pra tudo. A era pós-app está vindo”.

O ritmo das transformações é, sem dúvida, alucinante, o que até dá para justificar o medo, mas este deve servir como um propulsor para a busca de novas oportunidades. Para tanto, é preciso desenvolver um perfil de flexibilidade, estar disposto a mudar. Profissões rotineiras, que podem ser substituídas por máquinas, certamente vão desaparecer, mas isso não é para amanhã. Mas até o final desta semana, quem sabe? Brincadeiras à parte, por que não usar o seu “hoje” para investir em algo novo?

Os robôs ou bots, como chamamos, são, sem dúvida, uma excelente oportunidade. Cada vez mais empresas apostam na ferramenta que, por sua vez, precisa ter cabeças pensantes por trás para entregar a melhor experiência ao usuário. Como bem destaca Viviane Narducci, especialista da Fundação Getúlio Vargas que analisa os impactos do mundo digital no mercado de trabalho, também na reportagem do Estadão, “robôs precisam ser planejados, desenvolvidos e programados. Portanto, tiramos o homem da situação ‘mão de obra’ e o colocamos na situação de ‘ser pensante’.

A versão 3.0 do do bot da BlueLab anunciada há poucos meses garante que, além de compreender a linguagem natural falada ou escrita pela lógica de perguntas e respostas, tem memória contextual e reconhece os conceitos expressados durante uma conversa. A terceira geração do robô possibilita resultados precisos, pois possui inteligência suficiente para eliminar ambiguidades durante o atendimento e, por isso, está mais apta a orientar o cliente em processos passo a passo por meio de diálogos claros e objetivos. O novo robô ainda é capaz de capturar dados de uma fala e só perguntará aquilo que ficou faltando, de forma pontual, tornando a conversa ainda mais fluida.

Para chegar ao novo modelo, vários profissionais estiveram e estão envolvidos – pessoas de áreas diferentes, entre engenheiros, técnicos e até mesmo psicólogos e filósofos – seja na pesquisa com os usuários, na observação das demandas dos clientes, no desenvolvimento da estrutura em si, na implantação do robô, enfim, só aqui podemos ver o quanto o “ser pensante” foi crucial para “dar vida” à máquina, e seres pensantes de universos distintos, de modo a trazer a melhor combinação para originar a solução que desejávamos.

Se você ainda precisa, aqui vai mais um estímulo para trabalhar com tecnologia: segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na média, 57% das vagas de emprego estão suscetíveis à automação e robotização nos 34 países-membros da organização (o Brasil ainda não faz parte do grupo). O El País dá uma forcinha e enumera onze profissões ligadas à tecnologia que “darão muito o que falar”: analistas e programadores de Internet das coisas (IoT), Arquiteto de novas realidades, Cientista de Dados, Designer de Órgãos (isso mesmo: segundo a Comissão Europeia, cerca de 70.000 pessoas estão na lista de espera para um transplante na Europa e a impressão 3D começa a ser utilizada para órgãos simples ), Roboticista, entre outras. A lista completa você confere aqui: goo.gl/Nx5haP.

Também pensando sobre o tema da extinção do emprego graças às máquinas, a Exame fez uma matéria dedicada às profissões que dificilmente serão substituídas por robôs, com os respectivos “graus de risco”. Entre elas: Engenheiro mecânico, professor de ensino médio, Curador, Cientista Médico, Psicólogo, Clínico, Terapeuta Ocupacional, entre outras, num total de 25 atividades. Ou seja, dá para garantir o emprego no futuro, trabalhando com tecnologia ou não. Mas para isso, seja a profissão em que você estiver, ainda que ela esteja entre as “tradicionais”, uma coisa é certa: é preciso atualizar-se sempre e estar aberto às mudanças.

Por Mateus Azevedo, sócio da BlueLab e responsável pela Diretoria de MKT e Vendas

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