O meu papel é inspirar e influenciar as pessoas

Momento requer dos líderes mais atenção à motivação da equipe

A crise brasileira está em pleno curso, e há muita tensão em países importantes, como Arábia Saudita, Irã e Venezuela, que pode trazer um agravante internacional para nossa abalada economia. Ainda temos 13 milhões de desempregados, e, infelizmente, a melhora ainda não atinge todos os setores. Também há fortes variações na recuperação em um mesmo setor econômico.

Em um cenário como esse, manter-se motivado e motivar os demais é um trabalho dificílimo para qualquer líder empresarial. Ainda assim, esse é um papel de que nenhum gerente pode abrir mão, não importa quão exasperante a situação se apresente.

Sugiro que você enxergue a motivação como uma força com três componentes: um interno e dois externos.

Dizer que a pessoa se automotiva é parcialmente correto, pois, de fato a psique de cada indivíduo cria dentro dele fatores que o impulsionam à ação. Por vezes, esses fatores são conscientes e verbalizáveis, ou seja, o indivíduo sabe quais são e os expressa. É quando ele afirma que gosta de desafios, dinheiro, viagens, conhecimento, estabilidade, entre outros objetivos.

Entretanto, se o líder acreditar que existe somente esse componente na motivação dos funcionários, vai abster-se de seu papel, que é inspirar as pessoas e influenciá-las, principalmente por meio de sua fala, que deve ser permeada por ideias, visões e mensagens que possam despertar nelas a ação.

Sempre que o líder conhecer os fatores internos e acrescentá-los em seus discursos criará maiores chances de influenciar e motivar pessoas.

O segundo fator externo, porém, é o contexto. Ele cria restrições ou catalisadores que facilitam ou inibem a motivação. Por exemplo, uma pessoa que gosta de viajar a trabalho se desmotivará ao se ver obrigada a fazer reuniões por teleconferência para economia de recursos. Por outro lado, um pai que acabou de ter um filho se sente mais seguro de fazer essas mesmas reuniões, pois elas lhe permitirão ficar mais próximo da família.

O líder deve estar atento a esses fatores, mas acima de tudo à tensão entre eles, pois, é ela que cria os limites da motivação.

Por exemplo, alguém gosta de desafios, mas depois de anos trabalhando com excesso deles ficará ansioso e tenderá ao esgotamento.

Do mesmo modo, o mais belo discurso de um líder não motivará ninguém se seu comportamento não for congruente com suas palavras.

Essas tensões entre os fatores é que promoverão ou inibirão a motivação de todos.

Um líder deve se interessar por isso e saber que é o principal responsável pela experiência de seus subordinados. Ela pode ser relevante, marcante e inspiradora, ou desrespeitosa, cínica e empobrecedora.

Ainda teremos anos difíceis pela frente. Portanto, nunca os líderes empresariais foram tão cobrados e por tanto tempo por sua habilidade de motivar pessoas.

Essa competência tem de ser exercida de maneira incansável, e dela não podemos nos afastar para cumprir nossa responsabilidade com as pessoas, as empresas, nossas famílias e o País.

Vamos em frente!

Silvio Celestino é  autor do livro “O Líder Transformador, como transformar pessoas em líderes”, Sílvio Celestino é sócio fundador da Alliance Coaching.

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