O papel do gestor nas decisões e ações

Para o gerente, tão importante quanto agir é saber a verdade da situação da empresa

 Um grande problema ocorre quando o gerente está mais preocupado em agir do que em compreender a verdade da situação na qual se encontra. Essa proatividade sem consciência é causa de muitos erros, estresse e frustração – e, nos piores casos, pode acarretar dano à própria carreira, demissões desnecessárias e prejuízos para a empresa.

A causa disso é que vivemos um momento crítico, em que a ação veloz é solicitada a todo o momento para sanar problemas imediatos, como, por exemplo, a sangria nas vendas e no fluxo de caixa.

Por mais difícil que seja, a solução passa necessariamente por liberarmos um tempo para uma reflexão mais abrangente do contexto da empresa, com a perspectiva de curto e de longo prazo.

Para isso, é fundamental que todos os líderes tenham um profundo interesse em compreender a verdade dos acontecimentos e quais são os elementos mais importantes que requerem sua atenção.

Em primeiro lugar o gerente tem de compreender o negócio da empresa. Não é suficiente o gestor conhecer somente a realidade de seu departamento e das tarefas sob sua responsabilidade. Ele precisa entender como esses elementos se integram aos propósitos maiores da companhia, que impactos geram nos demais departamentos e como pode contribuir para torná-los mais relevantes para o negócio da empresa.

Também é fundamental que o gestor tenha foco no que é essencial. Todas as ações devem ser vistas sob o prisma de sua contribuição para manutenção e aumento das receitas da empresa, redução de custos ou melhoria de algum produto, processo ou serviço.

Por último, o líder deve buscar o equilíbrio das decisões e ações de curto e longo prazo. Solucionar os problemas de hoje sacrificando o amanhã é construir a repetição dos problemas que permeiam a situação atual. Para isso, o gestor tem de compreender o contexto no qual o país e seu mercado se encontram, e também perceber a quais forças a empresa está submetida e acarretam desafios, problemas, oportunidades e riscos.

Afinal, as respostas que desejamos para os problemas atuais devem ser capazes de não os fazer ressurgir no futuro.

E isso depende de o líder ter grande capacidade de decisão e de ação, mas, acima de tudo, de conhecer a verdade da situação na qual se encontra antes de querer transformá-la.

Silvio Celestino é autor do livro “O Líder Transformador, como transformar pessoas em líderes” e sócio fundador da Alliance Coaching.