O que o RH pode aprender com escape games no ambiente corporativo

Escape games corporativos promovem integração, motivam equipes e revelam talentos

É consenso entre profissionais de RH: uma contratação equivocada, além dos impactos financeiros, pode refletir no desempenho dos times, como provocar a redução da produtividade e comprometer o clima organizacional como um todo. O mesmo efeito desagregador pode ser verificado quando há ruídos na comunicação e dificuldade para trabalhar em equipe.

Nesse contexto, os escapes games (jogos de fuga), que surgiram há dois anos no Brasil, têm demonstrado ser uma ferramenta eficaz para as empresas, podendo contribuir para uma avaliação mais assertiva no momento da contratação, ou promovendo situações onde os conflitos possam ser identificados e resolvidos.

Tal como em uma empresa, tudo começa com a formação de uma equipe (candidatos ou colaboradores, por exemplo), que entra em um cenário extraordinário, onde o objetivo é resolver diversos enigmas e completar a missão antes que o tempo acabe. Sobre a formação dos grupos, vale destacar que, assim como acontece nas corporações, é a complementariedade dos perfis que permitirá alcançar os objetivos propostos pelo jogo. Cada indivíduo poderá, neste contexto, manifestar extratos de comportamento mais profundos, além de características como liderança latente, capacidade de elaborar raciocínio lógico e concatenar ideias com informações parciais, trabalhar positivamente em equipe sob pressão e dividir as conquistas alcançadas com todo o grupo.

E o que seriam essas conquistas? Se pensou em abrir cadeados ou resolver enigmas aparentemente sem a menor lógica, vale ressaltar que os jogos de fuga vão muito além de fechaduras e “charadas”. Aliás, bem longe disso. É importante destacar que cada cadeado (caso exista cadeado no jogo), enigma, cálculo ou, simplesmente, cada atividade proposta, tem uma razão de ser e não está ali por acaso, apenas para preencher o tempo.

Todo elemento que compõe o roteiro de uma dinâmica segue um propósito bem definido, de acordo com o objetivo que se busca para aquela atividade. Há modelos que podem ter uma característica mais matemática, mais lógica, mais criativa ou mais conceitual. Também podem exigir memória e conhecimento prévio específico, forçar a capacidade de simplificar informações de forma ágil e eficiente, demandar o raciocínio abstrato “fora da caixa” e ainda a experimentação organizada. O escape game é uma forma de atingir uma boa relação entre o tempo investido e os recursos disponíveis, de forma intensa e produtiva.

Outro ponto relevante no uso dos escape games no ambiente corporativo é a possibilidade de transformar os colaboradores em protagonistas de missões surpreendentes, onde as atividades devem ser cumpridas por eles mesmos, sob supervisão da equipe que aplica esta dinâmica. Nada acontece a não ser que o grupo aja com determinação, colaboração e foco, trocando experiências e buscando alternativas para os desafios propostos, na forma de enigmas e tarefas.

Pelo alto realismo das dinâmicas dos jogos de fuga, é virtualmente impossível que se fique passivo ante tamanha demanda de atenção, atividades e envolvimento com a história e seus desafios: todos se engajam na solução de cada etapa da missão, contribuindo com efetividade, celebrando cada pequena conquista e compartilhando seu ponto de vista para engrandecer o debate que surge ante cada novo desafio. Isso permite um feedback interessante e com foco no que se deseja avaliar de cada um e também do grupo como um todo.

Além destas características dos escape games, há a possibilidade de se adaptar, personalizar e customizar os desafios, exigindo-se mais determinada característica, como trabalho em grupo, através e enigmas colaborativos que exigem mais pessoas atuando simultaneamente, como raciocínio abstrato, através de enigmas com muita informação aparentemente semelhante, ou ainda como perfis complementares, onde enigmas exigem conhecimento matemático, comparativo e memória para serem solucionados.

Os escape games permitem que as empresas envolvam seus colaboradores em atividades lúdicas, criativas, que reforçam os aspectos positivos de seus perfis e fomentam a colaboração e cooperação de forma intensa, com resultados inspiradores para cada um deles, as áreas envolvidas e a empresa como um todo.

Por Fábio Passerini, sócio-diretor da Fugativa Escape Games