Qual é o melhor momento para sair da vida corporativa?

Após os 40 anos, começam as perguntas diárias sobre o futuro profissional e como manter o padrão de vida

Quanto tempo quero seguir na ativa? Essa é uma das perguntas que mais escuto nas sessões de coaching relacionadas à vida pós corporativa. Geralmente realizada por executivos com aproximadamente 45 e 50 anos. Essa pergunta, em seguida, vem acompanhada de questões como:

Quanto tempo ainda terei na companhia?

O que fazer para manter meu padrão de vida atual?

Como será o impacto dessa transição na minha família?

As perguntas são importantes e nos fazem refletir em profundidade. Costumo pensar nessa hora, em que a pergunta surge, que o executivo está olhando apenas o cume do iceberg. Pois estas questões são as mais alarmantes e as que podemos ver. Porém, é necessário dispor de tempo e coragem para tomar consciência da realidade e para verificar o que há além do cume do iceberg. O que será que ele irá encontrar após a linha da água que separa o cume da base? Qual é a verdadeira dimensão deste iceberg?

Essa analogia é importante, pois quanto antes o executivo se predispor a planejar o futuro próximo, menor será o impacto que passará na transição da vida corporativa para uma vida produtiva mais independente.

Olhar para o futuro que o executivo quer ter e começar a planejar as ações e atitudes necessárias, aumentam as chances de realizar o seu projeto de vida de maneira bem-sucedida. Os executivos que obtiveram sucesso nesta etapa pós corporativa, planejaram e atuaram com antecedência à sua transição. Entenderam que aos 45 anos teriam aproximadamente mais 10 ou 15 anos de trabalho CLT, com ótimos rendimentos e que após este período haveria grandes chances de o mercado ir desconectando-os das suas atividades e também diminuiriam os benefícios e valores.

Hoje aos 50, 55, 60 e 65 anos as pessoas sentem-se produtivas e com vontade de trabalhar. Não necessariamente, querem parar de trabalhar, porém, o espaço para ocupar os mesmos cargos e salários é bem reduzido. E a maioria precisar as presas e sem planejamento, adaptar-se a um movimento que foi negligenciado. Ou porque não se questionou? Ou porque tem a falsa sensação de que ainda há tempo. Ou porque acredita que com ele nunca acontecerá pois é um executivo que dá muito resultado. Com esta negligencia, o choque de adaptação é alto e gera perdas financeiras e emocionais maiores do que o necessário. Há um sofrimento de abrir mão de um padrão e toda uma readaptação da família que pode correr no supetão.

A forma de passar pela transição para a vida pós corporativa com sabedoria é conversar e olhar para o tema com antecedência. Também é observar exemplos que deram certo e entender como foi feito o movimento. E, acima de tudo, substituir a pergunta: quanto tempo quero ficar na ativa? Por: Quanto tempo ainda tenho de atividade na corporação ou no ramo em que estou?

Só com um olhar verdadeiro e na profundidade do iceberg é que o executivo terá condições de definir a realidade que quer viver no futuro próximo, planejá-lo e executá-lo para prosperar.

E você, já começou a planejar a sua vida pós corporativa?

Por Mariella Gallo,  palestrante e especialista no desenvolvimento de pessoas