RH alinhado às tendências

Ana Cláudia diz que o RH precisa estar conectado e automatizar todas as atividades repetitivas, burocráticas e baixo valor agregado

Ana Cláudia Oliveira, diretora de RH da Continental, acredita que sua carreira profissional foi fortemente impulsionada por algumas características e crenças marcantes, pois muito cedo, com apenas três anos de experiência, assumiu posição de liderança. Então, o pouco conhecimento técnico foi compensado por outras habilidades: paixão pelo novo, coragem de correr riscos, disposição e fortemente orientada para trabalhar junto aos clientes entendendo suas necessidades.

A executiva iniciou sua carreira como Assistente Social da UNIMED em Salvador. Nesse período, despertou interesse para a área de RH, se identificando fortemente com as atividades que exigiam contato e aproximação com os colaboradores. Após dois anos, percebeu que precisava ampliar seus horizontes e foi contratada por uma empresa Alemã, a Boley do Brasil.

Após um ano de trabalho nessa organização e com apenas três anos de experiência profissional, foi promovida ao cargo de gerente de RH com a responsabilidade de implantar todos os sistemas e processos de Recursos Humanos, além de suportar o poder decisório no processo de alternância de uma cultura autoritária para um modelo de gestão participativo.

Após cinco anos com os resultados já consolidados, devido a um processo de venda da companhia, optou por seguir outros rumos e assim teve uma experiência profissional de quatro anos na gestão da qualidade total, mas nunca distante do RH.

Segundo ela, suas experiências mais transformadoras vieram a seguir, quando assumiu a Gestão de RH na primeira indústria têxtil do país,  a Companhia Valença Industrial. Lá, sua maior missão foi modernizar os processos de RH e implantar uma mudança de cultura organizacional feita de forma muito sustentável durante cinco anos, com resultados muito bem sucedidos na redução do absenteísmo, diminuição do turnover, melhorias nas relações sindicais, entre outros.

Em seguida, foi convidada para assumir relações trabalhistas na Ford em Camaçari, onde ficou por cinco anos. Lá, teve a oportunidade de viver intensamente as negociações sindicais e aprender bastante.

Por fim, há sete anos, aceitou o convite da Continental, ficando cinco anos na planta de Camaçari, atuando num grande processo de transformação organizacional e, no ano passado, assumiu a Diretoria de RH Brasil e Argentina.

Em 2013, foi eleita pela revista Você RH como a melhor profissional de RH atuante fora do eixo Rio-São Paulo, tendo sido reconhecida com o Prêmio Profissional RH do Ano, na categoria Regional, o que lhe deu muito orgulho. Confira a entrevista de Ana Cláudia Oliveira, diretora de RH da Continental.

  
MUNDO RH –  Como o RH da Continental busca manter-se atualizado com as principais tendências em gestão de pessoas?


ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
A Continental conta com uma área corporativa na Alemanha, tendo como um dos objetivos garantir alinhamento com as tendências do mercado. Essas tendências são anualmente discutidas e difundidas nas Conferencias de RH – Global e por regiões. Contamos com parceiras com consultorias mundiais e andamos de mãos dadas com as universidades, como forma de garantir atualização constante.

MUNDO RH –  Qual tem sido a estratégia do RH para atrair, reter e desenvolver os seus talentos?
 

ANA CLÁDIA OLIVEIRA – Uma das maiores missões do RH na Continental é “atrair pessoas apaixonadas e talentosas, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal por meio de funções em nossa organização global”. Para isso, engajamos os nossos funcionários, criando uma cultura baseada em nossos quatro valores: Paixão por Vencer, Liberdade para Agir, Um Pelo Outro e Confiança.

Nossa estratégia está baseada na diversidade de gênero e cultura, criando um ambiente com bastante mobilidade, onde encorajamos nossas pessoas a viverem experiências internacionais. Para reter as pessoas, buscamos ouvi-las sistematicamente por meio das nossas pesquisas, nas reuniões de Town Hall, entre outros. Dessa forma, conseguimos sempre identificar nossas oportunidades de melhorias para atuarmos, fortalecendo assim o clima organizacional.

MUNDO RH –  Quais têm sido as ferramentas de treinamento adotadas para desenvolver os colaboradores?
 

ANA CLÁDIA OLIVEIRA – Na Continental, a cultura de alto rendimento é suportada pelo ciclo de desenvolvimento anual de relações humanas. Tudo se baseia num diálogo de feedback, realizado duas vezes ao ano. Todos são encorajados a expressar os seus objetivos de carreira e expectativas em um diálogo aberto e franco entre chefia e colaborador. Trata-se de um momento de avaliar a performance do ano, o potencial de crescimento e as medidas de desenvolvimento para o ano seguinte.

As medidas de desenvolvimento podem ser desde ações de treinamento, como processos de mentoria, coaching, participar de desenvolvimento de um projeto, dependendo da necessidade individual de cada um. Incentivamos nossos colaboradores a serem os ” donos” das suas carreiras, nunca delegando seu desenvolvimento ao outro, mas contando com o suporte da sua liderança e da empresa para trilhar esse caminho.

Lideranças e colaboradores trabalham em conjunto para assegurar o alto desempenho, permitindo às chefias, por um lado, reconhecer e recompensar os colaboradores e, por outro lado, garantir que o baixo desempenho é gerido com integridade. Os colaboradores recebem regularmente feedback sobre o seu desempenho e objetivos de carreira através de uma variedade de ferramentas e processos, tais como o processo de Avaliação de Desempenho (Employee Dialogue), o Development Center, o Assessment Center e a Avaliação 360°, os quais são sistemáticos.

MUNDO RH –   De que forma a diversidade está inserida na cultura da empresa?

ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
A empresa acredita que equipes de trabalho diversas são muito mais produtivas e sustentáveis. Nosso maior foco é na diversidade de gênero – estimulamos a presença de mulheres nas posições de comando – e de cultura, ou seja, viabilizamos oportunidades de experiências internacionais para que as pessoas possam ampliar suas visões de mundo e contribuir ainda mais para o negócio.

A questão da diversidade é contemplada nos processos de seleção e de desenvolvimento dos nossos talentos

MUNDO RH –  Como você observa a necessidade do RH buscar soluções tecnológicas voltadas para a gestão de pessoas?
 
 
ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
Fundamental, o mundo atual não permite mais tomada de decisões baseadas em percepção. É fundamental utilizar sistemas tecnológicos e de diagnósticos para suportar as ações de RH. A era digital impõe isso muito fortemente. Não é uma questão de escolha e sim de permanência no mercado. O RH precisa estar conectado e automatizar todas as atividades repetitivas, burocráticas, de baixo valor agregado. A questão é nos concentrarmos no que é fundamental.

MUNDO RH –  Em sua opinião, quais são os desafios da liderança em relação às novas gerações?


ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
As novas gerações querem trabalhar vinculados a um propósito, criando soluções/serviços que ajudem fortemente a sociedade. Eles chegam com expectativas diferentes e muitos sonhos. Cabe ao líder saber apoiar, orientar, dar dimensão ao que é concreto e realizável, sem quebrar a inspiração da equipe. A liderança inspiradora e que age pelo exemplo é a expectativa dos subordinados. A liderança, atualmente, também vive o desafio de aprender que liderar não significa controlar. Cada vez mais, as pessoas estarão trabalhando à distância, de qualquer lugar, portanto o líder precisa ser cada vez mais um apoiador. Isso requer aprendizado.

MUNDO RH –  De que forma a sua gestão lida com as novas gerações?
 
 
ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
Buscando compreendê-los sem rotulá-los. Adoro trabalhar com os jovens. São questionadores na sua maioria, ousados… Isso cria um ambiente onde podemos exercitar o aprendizado mútuo. Aprendo muito com eles e gosto de colocar a minha experiência também à disposição. É uma troca justa, não é ?

MUNDO RH –  Em se tratando de oferecer um ambiente saudável aos seus colaboradores, quais têm sido as ações voltadas para o equilíbrio profissional e pessoal? 

ANA CLÁDIA OLIVEIRA – A Continental adota várias práticas para viabilizar um ambiente de trabalho saudável, bem como um melhor equilíbrio entre a vida familiar e profissional, tais como: horário flexível e Home Office, trazendo maior flexibilidade na jornada de trabalho dos colaboradores para que possam prezar também pelas suas necessidades pessoais e familiares, serviços de massagens de relaxamento, espaços de descanso para os colaborares .

Incentivamos de diversas formas a prática de atividades, seja por meio de convênios com academias ( algumas fábricas tem academia nas suas instalações),  seja através do Conti Running Week, evento voltado pra os colaboradores e seus respectivos familiares, que tem como objetivo a valorização da atividade física e dos cuidados com a saúde. Realizado em ambientes externos, com vínculo direto com a natureza, o evento, que consiste em uma corrida ou caminhada, é composto por atrações de entretenimento, aulas de ginástica e alongamento, estações de massagem, orientações sobre alimentação e suplementação alimentar, dentre outras.
Além disso, oferecemos serviço médico com acompanhamento individualizado aos nossos colabores.


MUNDO RH –  Quais têm sido as experiências e resultados com a implementação do trabalho remoto?


ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
Os resultados são excelentes. Esse ano implantamos em todas as localidades nossas medidas de flexibilidade: trabalho à distância, período sabático, horário flexível e trabalho em meio período. As pessoas expressam diariamente sua satisfação na medida em que conseguem dedicar tempo para as suas famílias e projetos de vida pessoal, diminui o stress causado pelo trânsito nas grandes cidades… Enfim, ganhamos todos com essas iniciativas: a empresa e os colaboradores, sem nenhuma perda na produtividade, muito pelo contrário.

MUNDO RH –  Qual reflexão você costuma fazer sobre o seu papel de gestora de pessoas?

ANA CLÁDIA OLIVEIRA –
Costumo pensar que meu papel é construir pontes e eliminar as barreiras que existem nas organizações e nas relações entre as pessoas. Coloco-me sempre como uma parceira do negócio buscando atuar como agente de mudança e de transformação. É o que mais gosto de fazer.  O ponto principal é estarmos sempre abertos para o novo e fazer a velha pergunta: e por que não?