Saúde Corporativa e Engajamento

O plano de assistência médica, é, sem dúvida, um importante componente de atração e engajamento para os colaboradores

Vários eventos de que participei, recentemente, abordaram a questão da saúde corporativa. Em grande parte deles, o foco central foi a sustentabilidade do plano de assistência médica diante de um cenário de crescente inflação médica. Como os gastos com planos de saúde representam a segunda maior despesa das companhias, ficando atrás apenas dos salários, é chegada a hora das operadoras e brokers assumirem o protagonismo de uma mudança, juntamente com as empresas, na administração e gestão de risco.

O plano de assistência médica, além de suprir uma deficiência de atendimento do setor público de saúde, é, sem dúvida, um importante componente de atração e engajamento para os colaboradores. E eles estão-se conscientizando, cada vez mais, de que a manutenção da qualidade dos mesmos depende de uma utilização responsável.  Uma das práticas já consolidadas no mercado para proporcionar uma mudança comportamental de todos os usuários, estimulando um uso racional dos planos que garanta sua viabilidade, é a da coparticipação dos colaboradores em todos os eventos de atendimento. Nesse caso, uma comunicação transparente é fundamental para gerar a compreensão de que, em benefício de todos, a conta não é mais somente da empresa.

E o impacto no engajamento dos colaboradores? Este não deve estar simplesmente ligado ao gerenciamento de doença. As empresas estão focando em programas de saúde que incluem iniciativas que visam promover o bem-estar físico e mental de sua força de trabalho. Observamos um crescente número de empresas implementando um EAP (Employee Assistance Program), porém com utilizações ainda inferiores a 5%. Outras iniciativas incluem massagens, yoga, corridas, nutricionistas, flexibilidade na jornada e trabalho remoto, além de uma extensa e criativa lista de benefícios não convencionais.

Mas por que será que apesar do crescente número de empresas que aderem a esses modelos de gestão de saúde, as pesquisas internas ainda refletem um crescimento modesto na satisfação quando comparado aos investimentos nesses programas? Simples: até que os colaboradores percebam que existe um interesse genuíno da empresa, e principalmente da sua liderança direta, em seu bem-estar físico e mental, qualquer uma dessas iniciativas parecerá apenas uma forma de reduzir custos.

A conclusão é que não são esses programas que, isoladamente, irão alavancar o engajamento dos colaboradores. São as lideranças que se preocupam com os indivíduos, que conectam seus colaboradores a um propósito comum, que tem as maiores chances de sucesso. Colaboradores motivados, em um ambiente saudável, valorizam as práticas de promoção da saúde como prevenção e adotam um estilo de vida saudável. Dessa forma, é possível reduzir o absenteísmo, melhorar as relações pessoais e, o mais importante, compartilhar a visão de que a sustentabilidade da empresa está diretamente relacionada ao crescimento pessoal e profissional de todos.

Marcelo Carvalho é diretor de RH da SAP Brasil