Ser digital significa ser mais humano

Para as empresas se tornarem mais digitais, precisam se tornar mais humanas 

Os espólios da economia digital irão para as empresas que se concentrarem primordialmente nas pessoas, e que mantiverem a tecnologia como uma válvula propulsora da economia e auxiliadora do capital humano. Ao discernir as verdadeiras necessidades dos clientes e, posteriormente, a utilização da tecnologia, será possível desenvolver soluções eficazes, personalizadas e aplicáveis para cada área de negócios.

O fato é que estamos vivenciando uma verdadeira transformação digital, e colocar os clientes em primeiro lugar não diminui a importância da tecnologia.  Em vez disso, uma compreensão profunda do cliente deve ajudar a orientar a escolha das tecnologias a ser incorporadas. É claro que a organização pode ter uma grande estratégia de dados, infraestrutura, mídia social, mobilidade ou mesmo uma ampla estratégia digital. Tudo isso é importante, mas não deve ser o ponto de partida.

Quando a estratégia digital de uma organização é, em grande parte, um resumo de como ela utiliza as muitas tecnologias disponíveis, isso é um sinal claro de que a empresa está focada unicamente na tecnologia, em vez de colocar as pessoas em primeiro lugar. Assim, a primeira pergunta que os executivos devem fazer a si mesmos, quando pretenderem embarcar em uma transformação digital, não é tecnológica, mas humana: que diferença devemos fazer na vida dos nossos clientes?

Para entender verdadeiramente as pessoas, os executivos devem explorar o campo de humanidades, que contempla conhecimentos criteriosamente organizados da produção criativa humana, estudados por disciplinas como Filosofia, História, Antropologia, Filosofia e Ciências Sociais. Já em relação à tecnologia, os executivos devem se dedicar fortemente ao desenvolvimento e análise de software.

Contudo, o que se torna imprescindível é que os grandes líderes empresariais combinem essas duas abordagens, ou seja, devem construir equipes e organizações que incorporem a visão de que, para as empresas se tornarem mais digitais, precisam se tornar mais humanas. Por isso, é importante aplicar os três pilares a seguir no dia a dia das organizações, para que elas desenvolvam uma visão clara e orientada ao cliente.

– Entender as pessoas e suas necessidades: as empresas devem ter uma visão clara e orientada ao cliente.

– Apostar em tecnologias disruptivas: as empresas precisam ser digitais, e não apenas fazer o digital.

– Interagir com seu público de interesse de forma proativa: certificar-se de que as duas perspectivas – pessoas e tecnologia – coexistam nas mesmas equipes de projeto.

Vale ressaltar que este olhar mais humano deve ser aplicado também aos clientes internos. É muito importante que as organizações olhem de uma forma mais personalizada para os seus colaboradores, entendam as suas reais necessidades e trabalhem em ações que efetivamente as suprirão, ao invés de proverem um tratamento massificado. Trata-se, certamente, de um grande desafio, e cada vez mais presente no cotidiano das empresas.

Tatiana Porto é Diretora de Recursos Humanos da Cognizant Brasil, uma das maiores consultorias de tecnologia do mundo, com mais de 20 anos de atuação e faturamento de US$ 14 bilhões.