Uma nova relação com o trabalho

As profissões se transformaram, e a tecnologia passou a fazer parte de diversas funções

O mercado pediu uma transformação no cenário trabalhista brasileiro, uma adequação das transformações da sociedade. Assim, está em vigor a nova lei trabalhista, uma reforma que alterou mais de cem pontos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada em 1943. Mais de 70 anos se passaram desde a antiga legislação, número que reforça a discrepância daquela sociedade para a nossa realidade atual.

Há sete décadas, o trabalhador tinha outra relação com o trabalho. Estar empregado significava vivenciar certa estabilidade, e essa espécie de garantia foi sendo transmitida ao longo dos anos e para as gerações seguintes, que buscavam, tradicionalmente, adentrar no mercado de trabalho.

Porém, algo mudou nos últimos 20, 30 anos: uma transformação tecnológica, que impactou e modificou nosso estilo de vida pessoal e profissional.

Trabalhar não significa mais estabilidade. Ainda mais em cenários de crise. As profissões se transformaram, e a tecnologia passou a fazer parte de diversas funções. Por isso, hoje em dia, as pessoas estão buscando se reinventar no mercado de trabalho, o que é possível também com o uso da mesma tecnologia.

Cursos, pesquisas, novas formações e qualificações, outras infinidades de assuntos para aprender a inovar estão na internet e a um clique em nossos dispositivos móveis.

Ou seja, procurar um emprego formal já não é mais a única opção para os mais de 13 milhões de desempregados no Brasil. As pessoas estão buscando outras formas de garantir seu sustento financeiro, empreendendo e aliando trabalho também às satisfações pessoais.

Número que atesta essa realidade é o de microempreendedores individuais (MEI) no país, que superou os 7 milhões em 2017, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Ser dono do próprio negócio já não amedronta tanto como no passado. Isso porque ter o próprio negócio não significa, necessariamente, administrar uma empresa com diversos funcionários, inúmeras contas e uma infinidade de impostos a pagar. Pode ser só você. E uma infinidade de atividades pode ser realizada de forma autônoma, sem vínculos empregatícios – algo que garante liberdade.

O tema da liberdade é um dos que mais está aceso na nova legislação trabalhista. As jovens gerações se relacionam de forma diferente com o trabalho. Não querem os mesmos moldes de seus pais, de horários fixos e funções minuciosamente determinadas.

Essas gerações são formadas por pessoas multitarefas e dinâmicas, que querem liberdade dentro e fora do trabalho. Elas foram beneficiadas ainda pela atual flexibilização da jornada de trabalho e por uma relação menos amarrada às empresas.

Ainda que algumas empresas e trabalhadores levem tempo para assimilar as transformações das leis trabalhistas, é preciso visualizar um caminho novo para o país. Um trajeto que é mais condizente com a realidade e que leva para um destino de prosperidade.

Por Victor Felipe Oliveira, CEO da VGX Contact Center