Artigo

10 razões para investir em pessoas e conhecimento

Caso você esteja em dúvida com relação à importância de investir em programas de gestão de pessoas e do conhecimento para gerar melhores resultados para você e a sua organização, este artigo pode lhe ajudar a esclarecer alguns pontos bastante consideráveis.

Não quero aqui ser repetitivo e dizer que estamos em crise, que é tempo de recessão econômica, blá, blá, blá.De qualquer forma, creio realmente que é nestes tempos que os verdadeiros projetos de inovação surgem, pois é na verdadeira necessidade que a humanidade tende a crescer em criatividade e geração do novo.

Conversando há alguns dias com a minha sócia Valeska, ela lembrava que o DI (Design Instrucional), por exemplo, surgiu durante a 2ª. Grande Guerra Mundial, em função da necessidade de treinar pilotos da força aérea estadunidense para que fossem mais assertivos, perdendo-se assim menos recursos humanos e materiais.

Além disso, lembro de uma citação do grande poeta Mário Quintana que dizia “A preguiça é a mãe do progresso; se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”

Pois bem, por uma razão ou por outra, seja uma necessidade urgente ou por pura preguiça, como nos disse Mário Quintana (hihihihi), o ser humano sempre dá um jeito de criar coisas novas, quando a necessidade aparece. Naturalmente nem todos são assim, há aquelas pessoas que ficam paralisadas pelo medo do novo, do desconhecido, pelos tempos de crise.

Contudo, este artigo não está direcionado para esse tipo de pessoa, mas sim para aquelas, que mesmo em tempos de incerteza procuram ver adiante, rever suas atitudes e ações, procuram conhecer coisas novas e por fim gerar inovação. Aliás, lembrei de outra citação que nos faz pensar, ela é atribuída a Albert Einstein e que diz o seguinte: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Puxa vida, será que as vezes não acontece exatamente isso nas nossas organizações? Será que as vezes queremos ter resultados diferentes, mas não mudamos em nada a nossa forma de ser, pensar e agir?

Será que efetivamente estamos mudando a forma como gerimos pessoas e o seu conhecimento para gerar melhores resultados?

Bem, vamos então falar um pouco mais sobre isso. Vejamos algumas razões que elencamos para que você possa investir em pessoas e conhecimento, exatamente em tempos como este que estamos passando, para que se gerem melhores resultados no curto, médio e também no longo prazo.

  1. O conhecimento é a base da inovação

Quem sabe você já tenha pensado nisso, até já avaliado isso como essencial, mas saiba que isso ainda, infelizmente, não é um consenso nas organizações. Naturalmente, alguns líderes têm consciência disso, mas as suas práticas não condizem com essa realidade.

A que estou me referindo?

Parece-me, e creio que você já passou por isso em algum momento da sua carreira, que alguns líderes empresariais consideram que a inovação vem através de novas máquinas, novos processos de negócio, contratação de algum guru de vendas ou da administração.

Contudo, se já consideramos anteriormente que o conhecimento não existe sem as pessoas e já 1995 os japoneses NONAKA e TAKEUCHI nos trouxeram a obra: Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação, como podemos considerar que as pessoas e o seu conhecimento não são a verdadeira base da inovação?

 

  1. Sem pessoas não há conhecimento

Você já parou para pensar que, ao menos por enquanto (J), o conhecimento só existe se existirem pessoas capazes de processar dados e informações a fim de transformar isso em conhecimento?

Veja o que nos diz Almeida, Freitas e Souza (2011), os quais descrevem conhecimento como o momento em que determinada pessoa assimila uma informação, transformando-a, a fim de agir. Com isso, esta informação passa a ser um conhecimento.

Você pode conferir isso também em Probst, Raub e Romhardt (2002 apud ALMEIDA, FREITAS e SOUZA, 2011, p.29), quando dizem que: o conhecimento baseia-se em dados e informações, mas, ao contrário deles, está sempre ligado a pessoas. Ele é construído por indivíduos e representa suas crenças sobre relacionamentos causais.

Assim, não é muito difícil de concluir que precisamos de pessoas nas nossas organizações para que haja algum conhecimento a ser colocado em prática.

 

  1. Pessoas despreparadas não geram nenhum valor para a organização

Outra “pérola” a qual imagino que você já tenha se deparado é: “não invisto na capacitação de pessoas, pois elas logo vão para a concorrência”.

Puxa, então é melhor você ter pessoas totalmente despreparadas trabalhando na organização, seja pelo tempo que for, do que minimamente prepará-las para exercer melhor a sua função e com isso atingir os resultados que se deseja?

Bem, creio não haver maior necessidade de nos delongarmos nesta questão, pois creio que você, inteligente como é, já tirou as suas próprias conclusões.

 

  1. As pessoas precisam ser preparadas para transformar dados em informações e após em conhecimento

Você já parou para pensar e analisar o fluxo abaixo? Vale rever, de qualquer forma:

Gráfico 1

Então, o que achou? Isso lhe diz alguma coisa sobre a importância de investir em pessoas e seu conhecimento para gerar melhores resultados em tempos de crise?

Independentemente da sua resposta, creio que você há de concordar comigo que o cérebro humano, por si só ou por um passe de mágica, não é capaz de racionalizar quais dados ou informações são relevantes e acionáveis, caso não haja uma definição estratégica de que objetivos devemos atingir, que metas devemos alcançar, que caminhos devemos seguir.

Não lhe parece?

Será que uma pessoa que foi contratada hoje pela sua empresa tem condições de analisar o que é relevante e acionável em termos de dados e informações, caso não tenha acesso aos objetivos da empresa, o que a empresa espera dela e quais as metas ela precisa atingir em determinado prazo?

Assim, concluímos que as pessoas precisam ser preparadas, capacitadas, para atingir as metas, os objetivos, que desejamos que elas atinjam, seja em que situação for.

 

  1. Conhecimento que não se transforma em competência não tem valor algum

Agora eu estou querendo complicar, não é mesmo? Quer dizer que não basta ter conhecimento para gerar melhores resultados?

Pois bem, a má notícia é que não, não basta a pessoa ser uma grande conhecedora de determinado assunto, mas não conseguir transformar isso em competência aplicada ao negócio.

OK! Mas o que mesmo é a competência humana?

Um dos conceitos mais aceitos tanto no meio acadêmico, quanto no empresarial, nos diz que a competência é a soma do CONHECIMENTO + HABILIDADES + ATITUDES.

Assim, para que haja alguma aplicação prática do conhecimento adquirido, ou já presente na pessoa, deve-se conseguir fazer algo (ter habilidade) e vontade para tal (ter atitude).

Isto posto, conclui-se que devemos mirar nossos esforços de capacitação das pessoas que nos cercam a ampliar suas competências para então gerarmos resultados efetivos.

 

  1. Capacitação sem objetivos claros não gera resultados

A qualquer tempo, mas em especial nos momentos de crise econômica, financeira e política, como a que estamos atravessando, não faz muito sentido jogar dinheiro fora com alguma capacitação que não tenha objetivos muito claros e específicos. Não lhe parece isso também?

Pensando exatamente neste sentido, quero lhe convidar a analisar a imagem abaixo, a qual representa uma das aplicações práticas da metodologia denominada Design Educacional (DE), que simplificadamente podemos dizer que é uma evolução do Design Instrucional (DI).

gráfico 2

O que queremos que você se atente nesta imagem?

Em especial a duas coisas:

A primeira é como gerar planos de desenvolvimento de pessoas que sejam eficazes e a segunda é como o DE (Design Educacional) pode nos ajudar a atingir este objetivo.

Naturalmente, estamos querendo desenvolver uma ou mais competências que venham a nos ajudar a atingir os resultados determinados pelo plano estratégico determinado pela organização.

 

  1. As pessoas não se motivam a aprimorar suas competências se não vêem uma razão clara para tal

Muito bem, já chegamos à conclusão de que não basta ter um grande conhecimento se o mesmo não for transformado em competência. Contudo, as pessoas precisam estar motivadas para que transformem seus conhecimentos e habilidades em competências.

Apenas lembrando, que já é cientificamente comprovado que nós não podemos motivar ninguém, apenas podemos dar estímulos para que as pessoas se motivem.

Pensando nisso, que tal estimular as pessoas a seguirem por uma Trilha de Aprendizagem, onde elas vão sendo recompensadas por cada marco, ou objetivo, alcançado e ter uma recompensa maior ao final desta trilha?

Lembre que a recompensa não precisa ser necessariamente financeira, pode ser o reconhecimento do restante da equipe, a promoção para um cargo de maior responsabilidade dentro da organização ou mesmo a possibilidade da pessoa participar de um MBA que ela deseja.

 

  1. Um dos passos primordiais é definir claramente os objetivos estratégicos a serem atingidos

Está ficando cada vez mais claro que o seu processo de gerar melhores resultados passa pelas pessoas, seu conhecimento, pela criação de processos, produtos e soluções inovadoras e que para tudo isso precisamos desenvolver competências nas pessoas, as quais, por sua vez, precisam estar motivadas para tal.

Ufa! Parece um caminho muito complexo, mas não é, pois é natural e segue a lógica de funcionamento do mercado, numa economia capitalista como a nossa, ainda mais em tempos da Era do Conhecimento.

Mas, voltemos à nossa análise. Um dos primeiros passos nisso tudo é não esquecer que qualquer organização, por mais simples que seja, precisa ter um plano estratégico dizendo para onde quer ir, como quer chegar lá e quanto tempo as pessoas que a ela estão ligadas tem para tudo isso.

Assim, nada mais lógico do que dizer que todo e qualquer processo de gestão de pessoas, do conhecimento destas pessoas e os resultados que esperamos a partir daí, iniciam com o estabelecimento de objetivos estratégicos claros, mensuráveis e atingíveis.

 

  1. Medir os resultados é a chave do sucesso

Creio que você tem conseguido acompanhar meu raciocínio e até já o extrapolou, pois você é uma pessoa inteligente.

De qualquer forma, quero lhe convidar a analisar mais um aspecto comigo. Que tal ter todo o trabalho descrito anteriormente com as pessoas, o conhecimento transformado em competências, tudo isso gerando resultados planejados, que por fim das contas vão atingir os objetivos estratégicos que nos determinamos, caso não consigamos medir ou mesmo demonstrar os resultados efetivamente atingidos?

Isso, no mínimo, geraria uma grande frustração para você e para todas as pessoas envolvidas no processo, não é mesmo?

Para que evitemos isso, é de suma importância que você possa determinar indicadores que demonstrem se os resultados foram atingidos ou não, ou mesmo se chegamos perto do objetivo determinado.

Assim, o que estamos lhe propondo é que você adote alguns dos princípios do BSC (Balanced Scorecard) para medir ou mesmo demonstrar alguns resultados com ativos intangíveis.

Por que intangíveis?

Ora, caso você consiga demonstrar que os investimentos em pessoas, conhecimento e competências pode ser medido com um simples 1 + 1 = 2, então você acaba de criar um novo paradigma da Administração.

Assim, enquanto não temos um novo paradigma, ou seja, um novo modelo de gestão, a ser seguido, nos baseamos nos critérios estabelecidos pelos professores da Harvard Business School (HBS) Robert Kaplan e David Norton, em 1992, ou seja, o BSC, para avaliarmos nossos resultados.

  1. Para atingir resultados, não queira reinventar a roda

Por fim, é importante destacar que se você está querendo efetivamente não jogar dinheiro fora com o processo de capacitar pessoas, desenvolver suas competências, medir os resultados com todo o processo, o importante é não querer reinventar a roda.

Falo isso para que você não continue achando que mandar toda a sua equipe para uma palestra, por melhor que seja o tema e o palestrante, vai gerar qualquer resultado efetivo se você não estiver atento ao processo da educação corporativa das pessoas.

Vamos às definições para que você não ache que estamos falando algo que não tem base sólida.

Segundo está explícito na página na internet, que trata da Inovação & Educação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, o seu entendimento é que:

Educação corporativa pode ser definida como uma prática coordenada de gestão de pessoas e de gestão do conhecimento, tendo como orientação a estratégia de longo prazo de uma organização.

A educação corporativa é mais do que treinamento empresarial ou qualificação da mão-de-obra. Trata-se de articular coerentemente as competências individuais e organizacionais no contexto mais amplo da empresa. Nesse sentido, práticas de educação corporativa estão intrinsecamente relacionadas ao processo de inovação nas empresas e ao aumento da competitividade de seus produtos (bens ou serviços).

Creio que a definição explícita acima já fala por si só, não precisamos falar mais nada sobre a importância de adotar-se o modelo de educação corporativa e não simplesmente um processo de treinamento e desenvolvimento de pessoas descolado dos objetivos estratégicos da organização.

Muito bem, chegamos ao final da nossa reflexão de hoje. Naturalmente o intuito nunca foi esgotar o assunto.

Aguardo agora os seus comentários, bem como lhe peço que compartilhe este artigo caso considere que ele pode ser útil para outras pessoas.

Por Jocelito André Salvador, CEO Conducere Desenvolvimento Corporativo

e-mail: jocelito@conducere.com.br

(54)3536 3934 – (54)9645 0585

Etiquetas

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios