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4 tendências que estão moldando o futuro dos negócios

Videoconferências, home office, processos totalmente digitais; quais dessas rotinas serão permanentes no trabalho

Fazer reuniões online, trabalhar em casa e fazer tudo por aplicativos já se tornou rotina para os brasileiros. Há cinco meses, empresas e colaboradores passaram a adotar, ainda mais, o uso de ferramentas tecnológicas para afazeres e para os negócios continuarem funcionando.

Nesse cenário já estabelecido, especialistas já conseguem perceber quais medidas estão moldando o que será o futuro dos negócios. Algumas, vieram em função da pandemia. Outras, apenas foram aceleradas pela Covid-19, mas já era um caminho certo.

Confira o que dizem CEOs e diretores sobre essas tendências:

  1. Trabalho remoto

Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo já anunciaram a extensão do home office iniciado em decorrência da pandemia de coronavírus. Em Florianópolis, a HostGator – multinacional de hospedagem de sites – é uma das que optou por esse caminho. Os colaboradores, que trabalham de casa desde meados de março, permanecerão nesse sistema até junho de 2021. “Foi uma decisão global, pautada nas percepções dos líderes da empresa em todos os países em que opera”, diz Giulianna Boscardin, head de Pessoas da HostGator na América Latina. A percepção é de que prorrogar o home office de pouco em pouco estava gerando mais ansiedade nas pessoas.

Como a produtividade dos colaboradores se manteve, a manutenção do sistema é possível. “Com a nova data, nossa intenção foi trazer segurança e estabilidade, além de dar a oportunidade de as pessoas se conectarem com suas famílias, decidirem o que fazer com aluguéis ou até mesmo escolher investir ou não em estações de trabalho mais confortáveis em suas casas”. Segundo Giulianna, mesmo que os escritórios comecem a reabrir, a intenção é manter a decisão. “Caso alguém, por motivos pessoais, deseje voltar ao escritório antes de junho de 2021, vamos analisar os casos individualmente”.

  1. Transformação digital

A transformação digital é um exemplo de algo que, inevitavelmente, já aconteceria, independentemente do coronavírus. Porém, a necessidade do processo se tornou ainda mais clara com o momento atual. Muitas empresas e organizações precisaram buscar soluções que dessem a possibilidade de continuarem seus negócios mesmo em meio à pandemia. É essa a percepção de César Schmitzhaus, diretor de Tecnologia e Inovação da Teltec Solutions. A empresa, com sede em Florianópolis (SC) e filiais em São Paulo (SP) e Brasília (DF), é uma integradora de tecnologias e implementa serviços digitais em empresas, como Cloud as a Service, tanto no setor privado quanto público.  “Nesse período onde todos precisaram ir para casa, ajudamos vários governos estaduais, órgãos públicos e empresas a se organizarem ao momento, quando estava mais crítico”, conta o diretor.

Schmitzhaus aconselha, ainda, que, para a transformação digital, “uma das principais questões é que a alta gestão da empresa consiga ver que a TI precisa ser estratégica e não apenas como um setor operacional ou para apagar incêndios”, orienta. Com o surgimento de novas tecnologias, os profissionais precisam estar atentos às inovações que podem significar a sobrevivência dos negócios. “É a principal questão, na minha visão”, compartilha César.

  1. Millennials assumindo

Ninguém conhece a tecnologia como os millennials, e o futuro do trabalho já é fortemente influenciado por eles. Embora muitas sejam as opiniões sobre essa geração, o fato é que eles já ocupam posições de liderança, e com essa nova configuração, novos valores também vêm sendo enfatizados, como inovação e aprendizagem constante. “Essa geração, da qual eu também faço parte, cresceu em uma época em que a tecnologia estava evoluindo rapidamente e essa tendência foi incorporada na nossa forma de trabalhar. Com metodologias ágeis, liderança horizontal e grande adaptabilidade”, explica Guilherme Verdasca, CEO da fintech open banking Transfeera. Os millennials entendem a importância de otimizar processos e o quanto a tecnologia pode impactar diretamente no aumento da produtividade.

“Outro valor importante dessa geração é a capacidade de trabalhar remotamente e ter um horário flexível. A tecnologia nos permitiu conexão em qualquer lugar e a qualquer hora. O líder pode estar na sede da empresa na Alemanha e o liderado no Brasil, e o trabalho vai acontecer. Para o mundo moderno, globalizado e sem fronteiras, isso é um ganho extremamente importante”, complementa Guilherme. A medida que essa nova geração assume os postos mais altos, a tecnologia e adaptabilidade se tornam marcas registradas do futuro do trabalho.

  1. Modelo escalável

A transformação digital impulsionou a chegada de startups com modelos de negócio facilmente implementáveis e que se adaptam com mais agilidade. Mas nem todas as startups alcançam o sucesso de maneira rápida, e é aqui que entram as scale ups, empresas que crescem, ao menos, 20% por três anos consecutivos. “Esse tipo de empresa tem um desenvolvimento escalonável, independente do porte ou do setor de atuação”, explica Jonatan da Costa, CEO da Área Central, que é uma scale up especialista em tecnologia para gestão de centrais de negócios. Os modelos escaláveis são uma tendência para o futuro dos negócios. No caso da Área Central, a empresa cresceu nos últimos três anos mais de 40%, somente em 2019, foi um crescimento de 76%.

“Tornar um negócio escalável não é tarefa fácil, é preciso sonhar grande e ter foco. É preciso traçar uma estratégia que gere desenvolvimento sustentável. As empresas que escalam com base em um modelo de negócios inovador podem gerar empregos e renda, assim como buscam eficiência”, diz Jonatan. Mesmo que as scale-ups representam apenas 1,3% do total de empresas brasileiras, elas já são responsáveis pela geração de 46% dos novos postos de trabalho, segundo o estudo Estatística do Empreendedorismo, publicado pelo IBGE.


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