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5 maneiras de aplicar psicologia positiva em seus processos de gestão de pessoas

No mundo temos 85% de pessoas desengajadas ou insatisfeitas com o seu trabalho

O cenário atual:

Apenas 15% de força de trabalho global está engajada e satisfeita com seu trabalho, esse é o resultado da pesquisa anual de engajamento feita pela Gallup, e já há algum tempo esse número oscila muito pouco.

No mundo temos 85% de pessoas desengajadas ou insatisfeitas com o seu trabalho.

De acordo com Dee Edington autora do livro “Zero Trends: Saúde como uma estratégia econômica séria”, o custo de tratar colaboradores doentes excede e muito o custo de ajudar os colaboradores a se manterem saudáveis numa proporção de 19 para 1.

E é aí que os estudos e intervenções criadas pela Psicologia Positiva podem contribuir e muito para um ambiente de trabalho mais saudável.

O que é a Psicologia Positiva:

Como afirma Martin Seligman um dos fundadores do movimento

“Uma rápida comparação entre a psicologia tradicional e a positiva é a seguinte: em quanto a primeira se ocupa prioritariamente em remover ou identificar disfunções, a segunda foca em manter ou aprimorar funcionamentos bem-sucedidos.

O foco principal é levar as pessoas a manifestar o que tem de melhor, serem mais felizes e realizadas.

Entre alguns elementos de interesse nos estudos da psicologia positiva estão as Emoções Positivas, Talentos, forças de caráter, garra, propósito, significado, otimismo. E todos eles têm uma correlação direta com bem-estar e realização.

Não se trata de esquecer aspectos negativos ou pontos fracos, mas sim de promover um novo equilíbrio.

Então, como a psicologia positiva pode impactar a gestão de pessoas?

1- Melhorar os processos de Talent acquisition e integração

A primeira mudança está no tratamento dado aos candidatos.

Um processo que se baseia nas premissas da Psicologia Positiva deve valorizar uma comunicação transparente e com um número de interações positivas maior que as negativas. Para incorporar uma notícia ruim ou critica o cérebro precisa ao menos de 6 interações positivas.

A ideia é valorizar o que o candidato tem de melhor, entender seus valores, como quer e pode contribuir e sua capacidade cognitiva. Como ele se complementa com a cultura e equipe.

Não limite seu processo só pela descrição de cargo, pela busca de um perfil ideal e somente nos resultados passados.

Veja mais nestes artigos.

A evolução dos processos de Talent Acquisition para acompanhar os novos desafios do mercado de trabalho.

A entrevista de emprego não é mais a mesma!

Transparência e comunicação positiva também podem contribuir para acelerar o processo de integração.

O Google reduziu de 9 para 6 meses o tempo de on-boarding de novos contratados com apenas 2 e-mails com foco no bem-estar. Foram considerados 4 pontos: 1. Existe um laptop disponível, 2. Estão alocados um bom projeto inicial, 3. Reunião individual com o gestor agendada,4. Deixar claro onde podem buscar ajuda.

2- Maior assertividade nos processos de Desenvolvimento e Gestão de Talentos

De alguma forma existe um foco muito grande em rotular e no gap, nos pontos fracos, naquilo falta.

Acontece que o maior espaço de crescimento das pessoas está justamente em seus talentos ou capacidades naturais.

E aqui cabe deixar claro que talentos não são dons especiais. De acordo com a psicologia positiva talentos são capacidades naturais, sentimentos, pensamentos e comportamentos frequentes nas pessoas que podem ser aplicados no trabalho. Existe uma correlação entre talentos, facilidade de aprendizado e satisfação.

É mais produtivo alinhar as capacidades naturais, interesses e paixões de cada um com os desafios de mercado/empresa.

Não se trata de esquecer o gap, sempre é possível e necessário adquirir novos conhecimentos, habilidades e experiencias, mas se estes estão alinhados com nossos talentos o resultado é exponencial.

Veja também estes artigos!

Business Case – Gestão de Pessoas nas Organizações com base nos Pontos Fortes.

 

3- Formação de líderes melhores – Liderança Positiva

Basta ler qualquer noticiário global para ter claro que temos um problema sério de liderança. O investimento anual só das empresas americanas em programas de liderança é de aproximadamente 14 bilhões de dólares segundo estudo feito pela Consultoria Bersin.

Modelos complexos, a tentativa de levar a pessoa a um perfil ideal, e programas pontuais e desconectados do dia a dia podem ser algumas das causas de fracasso desses programas.

O processo de desenvolvimento na liderança positiva é continuo e é uma responsabilidade compartilhada, onde o indivíduo tem um papel ativo nas mudanças que quer realizar e a empresa facilita através de cursos, mentoria e ações que estimulem o crescimento dos colaboradores.

Alguns elementos estudados pela psicologia positiva que sugerimos incorporar nas atividades são, propósito, otimismo, garra (perseverança e auto regulação), talentos e pontos fortes.

Kim Cameron da Michigan Business School entende que a Liderança Positiva concentra seu trabalho nestes 4 eixos de desenvolvimento.

Relacionamentos Positivos: São fontes geradoras de plenitude, vitalidade e aprendizado tanto para os indivíduos como para as organizações.

Possibilitam desvios positivos de performance tanto do ponto de vista fisiológico, psicológico, emocional e organizacional.

Clima Positivo: Os líderes têm um alto grau de impacto no clima, na forma em que as circunstâncias são interpretadas. A responsabilidade por construir um ambiente onde confiança, emoções positivas e gratidão estão presentes. Essa construção permite maior clareza na tomada de decisão e cria maior resiliência da equipe.

Significado Positivo: É encontrar sentido naquilo que fazemos, conectar nossas atividades e desafios diários com nosso propósito. Cabe ao líder fazer isso individualmente e ser um facilitador da busca de significado nos integrantes do time.

Veja mais neste artigo: A busca de significado no trabalho e a preparação dos novos líderes

Comunicação Positiva: É um grande preditivo de performance nas empresas.

Uma proporção maior de mensagens positiva do que mensagens negativas, é um elemento presente em equipes que performam bem e inovam.

Por curiosidade um estudo feito sobre diálogo entre casais previu com assertividade que aqueles que tinham mais comunicações negativas que positivas chegariam ao divórcio.

4- Construção das equipes do futuro:

As funções em uma equipe são muito mais que uma caixinha em um organograma. Hoje já é realidade de que se trabalha muito mais por projeto e em rede com equipes multidisciplinares.

É mais importante entender e estimular a complementaridade entre as pessoas do que criar uma equipe de superestrelas.

O Google tentando identificar com base em uma enorme quantidade de dados o que levava a uma equipe ser bem-sucedida chegou a conclusão que cinco fatores estavam presentes: Segurança Psicológica (Posso me manifestar de maneira autentica sem medo de errar), Confiança, Existe clareza nos objetivos e como estruturam o trabalho, existe significado no que é feito e o resultado gerado pelo trabalho é medido e apreciado.

 5- Transformação pessoal:

Um aspecto importante das intervenções propostas pela psicologia positiva é a concentração em aspectos que podem levar o indivíduo a excelência e bem-estar e o fato delas não seguirem o modelo de uma fórmula de sucesso.

São simplesmente ponto de partida para reflexão e trabalho individual.

Destaco alguns pontos que podem ser trabalhados em um processo de Coaching positivo.

Propósito: “Eu quero colocar os meus Pontos Fortes a serviço do que?”

Significado: Como nos conectamos ao Propósito em nossas atividades diárias. A forma em que definimos os trabalhos ainda reforçam o que tem que ser feito e não necessariamente porque fazemos o que fazemos. Existe uma clara correlação entre significado e engajamento.

Vontade: de aprender, de aceitar novos desafios. É a composição de perseverança e auto regulação. As pessoas com garra decidem e assumem o compromisso com um determinado curso de ação. Segundo estudos realizados por Angela DuckWorth vontade demonstrou ser um indicador mais preciso de sucesso do que QI.

Pontos Fortes, (talentos, conhecimentos, habilidades, experiências)

Os pontos fortes não são estáticos, portanto é importante ir além do processo de identificação e uso. Faça bom uso dos aspectos mais frequentes em você, desenvolva os aspectos latentes e administre seus pontos de atenção. Se complemente com os outros.

Gestão da energia:  A exigência de “mais quantidade, maior e mais rápido” gera um valor que é limitado, superficial e de curto prazo. Respeitar nossos ciclos biológicos é importante, ninguém é produtivo o tempo todo. Tony Schwarz propõe traçar um equilíbrio entre concentração, descanso e renovação de energia. O tempo não é renovável, mas nossa energia sim!

Conhecer-se é muito mais do que identificar minhas capacidades, é propor novos desafios e expandir limites.

Conclusão:

Estamos vivendo em um mundo VUCA (Vulnerável, Instável, Complexo e ambíguo) onde há incertezas e mudanças em velocidade exponencial. Muito se fala do futuro do trabalho e como teremos que nos adaptar. A psicologia positiva e outras ciências do bem-estar podem nos ajudar a falar do futuro que podemos criar já!

 

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