Gestão

70% dos gestores de RH não estão realizados com o que fazem

ABRH-Brasil, Mapa de Talentos e Waggl Brasil concluem estudo que relaciona bem-estar com engajamento e produtividade das pessoas no trabalho

70% dos gestores de RH não estão realizados com o que fazem

Uma pesquisa com gestores da área de Recursos Humanos (coordenadores, diretores e executivos C-Level) mostrou que 70% não estão plenamente realizados com o que fazem. Além disso, apenas um a cada cinco conseguem alcançar as metas a que se propõem, e somente 28% dos pesquisados dizem ter um senso claro de direção em seu trabalho.

Estes são alguns dos resultados do estudo “O impacto do bem-estar na vida profissional”, feito com uma amostra representativa de 342 participantes e que identificou a percepção das pessoas sobre seu engajamento e produtividade no trabalho, realizado pela ABRH-Brasil em parceria com a Mapa de Talentos e a Waggl Brasil, e lançado na última edição do CONARH, que aconteceu de 13 a 15 de agosto de 2019.

“A pesquisa cobriu diversas áreas relevantes que afetam o desempenho dos profissionais, e apontou que, além das inovações, processos e tecnologias, a produtividade depende essencialmente de fatores humanos”, afirma Luiz Edmundo Rosa, diretor executivo da ABRH-Brasil.

Os resultados

O estudo seguiu o modelo P.E.R.M.A., criado por Martin Seligman, um dos fundadores da Psicologia Positiva. A sigla aponta, em inglês, os cinco elementos que, quando bem desenvolvidos, levam ao bem-estar no trabalho: Emoções Positivas, Engajamento, Relacionamentos Positivos, Significado e Realizações.

Assim, a pesquisa verificou alguns dos fatores humanos que mais impactam o engajamento e a produtividade. São eles:

Falta de clareza: apenas 28% dos pesquisados dizem ter um claro senso de direção em seu trabalho. Isso indica que existe desperdício de energia humana, que poderia ser convertida em resultados se houvesse maior clareza do que se espera de cada um.

Baixa resolutividade: apenas 23% dos entrevistados conseguem alcançar plenamente as metas a que se propõem. Praticamente, apenas um em cada cinco consegue.

Pouca satisfação: 70% não estão plenamente realizados com o que fazem, e apenas 15% dizem estar plenamente satisfeitos com a sua saúde. Além disso, somente 18% se sentem reconhecidos pelos seus colegas, e 23% sentem satisfação com suas relações no trabalho.

“O que vemos é que o tempo e energia investidos nas atividades do dia a dia do trabalho não se refletem em realização. E esta realidade, além de trazer frustração, tem um impacto enorme em produtividade”, explica Miguel Nisembaum, diretor da Mapa de Talentos.

A pesquisa também contribui com caminhos de solução, sugeridos pelos próprios participantes. Graças a uma metodologia de crowdsourcing, foram levantadas 1.668 respostas para melhorar o bem-estar no ambiente de trabalho. Em resumo, foram destacadas as seguintes propostas de mudança: liderança presente e preparada; metas claras e factíveis; apoio na tomada de decisões; maior autonomia para as pessoas; respeito; coleguismo; comunicação clara; redução de burocracia; e maior agilidade.

“Observamos também o desejo pela melhora nas relações entre colegas de trabalho, pois há pouca colaboração e baixo aproveitamento do potencial das pessoas, fatores que acabam levando a resultados insuficientes no trabalho”, diz Kiko Campos, general manager da Waggl.

Conclusões

Os resultados apontam que as empresas deixam de aproveitar o melhor de suas equipes e, consequentemente, perdem em produtividade. Além disso, a forma como os líderes atuam e como o trabalho está estruturado apenas reforçam essa realidade. “O sucesso depende de equipes entrosadas, confiança mútua e colaboração e, em um cenário em que os ambientes de trabalho passam a trabalhar mais por projetos, essas práticas são fundamentais”, finaliza o especialista da ABRH-Brasil.


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