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A evolução cultural parte da liderança, mas esse é só o começo

Promover a evolução cultural é um elemento-chave para garantir a perenidade de um negócio

A cultura é peça fundamental para a execução da estratégia, uma vez que é ela que incentiva nos colaboradores os comportamentos necessários para que uma organização consiga alcançar os resultados e gerar o valor que almeja. Porém, em um contexto cada vez mais dinâmico e conectado, a cultura não pode ser estática. É preciso que ela se transforme na mesma velocidade que o mundo, do contrário uma empresa não será capaz de se reinventar e responder aos novos desafios que se impõem. Promover a evolução cultural é um elemento-chave para garantir a perenidade de um negócio, mas conseguir que ela seja disseminada pelos quatro cantos de uma empresa, em diferentes áreas e níveis hierárquicos, pode ser um desafio e tanto.

No Grupo Algar, que tem uma história de 90 anos, tivemos que assumir essa missão para nos preparar para um novo ciclo de crescimento. Em 2018, iniciamos um projeto de evolução cultural com a definição de quatro atributos pelos quais queríamos ser reconhecidos tanto internamente quanto externamente: perenidade, confiança, agilidade e inovação. Desse modo, planejamos uma série de ações para que os associados – como chamamos os colaboradores – se apropriassem desses conceitos e moldassem seus comportamentos a partir deles.

Começar pela liderança é o caminho mais natural – afinal, se os líderes não comprarem a ideia e não forem exemplo dos comportamentos desejados, dificilmente a mudança acontecerá nas outras camadas. É preciso iniciar no topo, com o envolvimento e a capacitação do presidente do Conselho de Administração, dos presidentes e vice-presidentes, para que estes possam cascatear o movimento para as outras esferas da liderança. No Grupo Algar, investimos dois anos nesse trabalho com o time de executivos.

Chega um momento, porém, em que é preciso ir além da liderança e empoderar diretamente as pontas para que a evolução cultural ganhe força e agilidade. Com esse objetivo, desenvolvemos um programa de embaixadores de cultura, convidando associados de diferentes cargos e áreas (e que não são líderes formais) para se tornarem verdadeiros “influenciadores” internos. Esses embaixadores, por terem uma visão diferente e alto poder de influência em seus círculos, tornaram-se importantes aliados para estimular o “orgulho de pertencer” e fortalecer os comportamentos de cultura que desejamos que se espalhem.

É claro, porém, que não basta apenas convidar um grupo de embaixadores sem antes ter estratégia e planejamento. E isso começa com a definição do perfil adequado. Para cumprirem o papel de tornar a cultura mais forte e presente no dia a dia das empresas, as pessoas convidadas devem ser apaixonadas pelo propósito da organização, encontrar nela harmonia com seus valores pessoais, ter disposição para ajudar, ser participativas, cultivar bons relacionamentos, saber se expressar bem e propor soluções. Mas nem mesmo esse perfil entusiasta se sustenta por si só, por isso precisamos trabalhar constantemente no engajamento.

Conseguir manter o engajamento é um dos grandes desafios de um programa como esses, principalmente por que estamos falando de voluntários acumulando novas funções sem uma recompensa financeira. Para fazer frente a ele, nossa proposta foi apostar primeiro na conscientização dos embaixadores sobre o seu papel, juntamente com capacitação, para que tenham acesso a ferramentas de apoio para a disseminação da cultura. Um cronograma de reuniões de alinhamento também tem sido imprescindível para manter a energia dos embaixadores em alta, mas ainda mais importante do que isso são as ações de reconhecimento. Em diversos momentos, damos visibilidade perante toda a empresa para o trabalho que vem sendo feito por eles, valorizando o seu esforço, os resultados obtidos e a relevância disso para a organização.

Nesse percurso, aprendemos que não adianta só comunicar cultura, pois as nossas ações falam muito mais alto do que nossos discursos. Precisamos de exemplos vivos, que inspirem e ajudem a quebrar a resistência natural que costuma surgir em processos de mudança. Quanto mais diversos os aliados nessa jornada, melhor. Uma evolução cultural não se faz apenas de cima para baixo.

Por Carolina Toffoli, diretora da UniAlgar e do Instituto Algar (Grupo Algar)

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