Gestão

A falta de profissionalismo nas esferas pública e privada do Brasil

No caso das empresas, sejam elas familiares ou não, um manual de descrição de cargos e funções precisa ser elaborado

A exoneração de Gustavo Bebianno como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, após uma crise de inúmeros vai e vens de curta duração, pode ter um importante cunho pedagógico para donos e gestores de empresas familiares, assim como para expoentes da administração pública: mostra como procedimentos básicos de qualquer administração são deixados ao acaso, podendo gerar inoportunas consequências.

Ao olharmos para a maioria das empresas brasileiras, que são em sua grande parte de propriedade familiar, vemos que não é colocado em prática algo que é ensinado logo no curso básico de administração de empresas: determinação dos níveis de autoridade e responsabilidade. O que vem a ser isto? Seria a descrição de cargo de seu ocupante com as atividades e responsabilidades inerentes.

Em tantas e tantas empresas, um sistema de descrição de funções é implantado, mas quanto mais alto se chega ao topo da administração, mais e mais falho se torna este ferramental.

A bagunça toda se inicia quando filhos ou familiares passam a ocupar importantes cargos de gestão. Impulsionados por ego, vaidade e rivalidade, muitos futuros herdeiros começam a fugir de suas atribuições. Se acham “donos” das empresas de suas famílias e se intrometem em questões e assuntos que não lhes competem.

As consequências são dos mais variados tipos: geram descontentamento, clima organizacional negativo, insegurança entre os funcionários e assim por diante. Mesmo sendo “filhos do dono”, os futuros herdeiros deveriam se comportar para dar o exemplo, como pessoas e profissionais, em busca de sua liderança. Ao invés disso, exercem autoridade sem serem qualificados para tanto.

Já no processo sucessório, a questão da autoridade e responsabilidade deveria merecer destaque para que futuros conflitos entre irmãos ou primos não viesse a comprometer as empresas, o que infelizmente é bastante comum. O desenho das atribuições no processo sucessório é fundamental para que conflitos possam ser mitigados?.

No caso das empresas, sejam elas familiares ou não, um manual de descrição de cargos e funções precisa ser elaborado, o que gera um certo trabalho e investimento em pessoas e tempo. Por conta no governo, este trabalho já está bastante bem elaborado na própria Constituição  ou nos decretos que regulamentam as mais diversas funções dos funcionários públicos eleitos, comissionados ou concursados.

Pergunto se há alguma dúvida sobre a função de um presidente, vereador, deputado estadual ou federal e senador. Acredito que todo cidadão brasileiro conheça as atribuições que deveriam caber a estes cidadãos eleitos pelo povo. Mas infelizmente o que presenciamos no momento são membros de uma mesma família agindo e se comportando como fossem donos de uma pequena empresa familiar que ainda não tivesse implantado o seu manual de funções.

Deveríamos implantar no Brasil um curso obrigatório de gestão pública para todos aqueles que viessem a ocupar qualquer cargo no governo. Anos de cadeira na Câmara dos Deputados, por exemplo, não dão experiência alguma em questões básicas de administração. Ser um debatedor de ideias e apresentador de projetos não significa que alguém está apto para gerenciar.

Os melhores propósitos para com o país, município ou estado não vingarão se noções básicas de gestão não forem respeitadas. Não deixemos as   desavenças ou opiniões familiares respingarem na administração dos negócios ou do país. Que cada um cumpra com o que lhe é atribuído!

Por Thomas Lanz Consultores, especializada em governança corporativa, sucessão, mentoring e reestruturação societária.

 

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