Saúde

ABQV debate questões relevantes sobre a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis

Primeiro encontro mensal do ano contou com a participação de especialistas em nutrição

Com o objetivo de apoiar os líderes e profissionais que atuam na área de gestão de pessoas e saúde ocupacional no Brasil, a ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida promoveu no dia 05 de fevereiro, no auditório do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na Capital Paulista, o primeiro encontro mensal do ano com o tema “O Enfrentamento dos Fatores de Risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)”.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 41 milhões de pessoas morrem por ano, em decorrência das DCNT, que estão relacionadas a quatro principais grupos de doenças crônicas não transmissíveis – circulatórias, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes. No Brasil a *taxa de mortalidade por DCNT, no ano de 2007, chegou a 540 óbitos por 100 mil habitantes. Na última década tivemos uma redução de 20% deste número (principalmente para as doenças circulatórias e respiratórias crônicas), porém, nesse mesmo período identificou um aumento das mortes que tenham como causa o diabetes e o câncer.

Mediante esses fatos, durante a abertura do evento, o presidente da ABQV, Eloir Edilson Simm, mencionou a necessidade de mais engajamento das organizações para que possam atuar de forma efetiva na melhora das condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida dos trabalhadores. “Fator de risco é algo que temos que conhecer precisamente. Tanto os dados fornecidos pelo Vigitel como a PNS – Pesquisa Nacional de Saúde pode nos orientar sobre o cenário brasileiro para que novos programas sejam implantados nas empresas. Estes indicadores são importantes para tomarmos decisões estratégicas.”, explicou.

A primeira palestra “Epidemiologia dos fatores de risco para doenças crônicas. Como estão os trabalhadores brasileiros?”, foi apresentada pela nutricionista, doutora em cardiologia pela UFRGS e coordenadora do Centro de Inovação do SESI em Fatores Psicossociais, Gabriela Herrmann Cibeira. A profissional mostrou vários estudos relacionados ao contexto global e nacional. “Cada vez mais a saúde ocupacional tem sido abordada junto com a saúde pública. Desta maneira, existe a necessidade de melhorar os ambientes de trabalho e aumentar os esforços na promoção da saúde dos trabalhadores, pois se trata de um problema de saúde mundial já bastante evidenciado no Brasil. A literatura tem demonstrado que uma boa saída é atuar de forma preventiva para que as pessoas consigam ter hábitos saudáveis”, destacou a especialista.

Na segunda parte do evento, a nutricionista Fernanda Timerman, idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental e coordenadora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares – GENTA ministrou a palestra “Como abordar, de maneira prática, a nutrição no ambiente de trabalho”, que abordou sobre as novas maneiras de trabalhar a saúde ocupacional no Brasil. “No contexto global de uma empresa precisamos entender quais são as dificuldades de cada grupo. Uma das ideias é atuar com enfoques diferentes, fazer um estudo mais individual ou micro, entender dentro da organização as questões que propiciam ou não comportamentos saudáveis e o engajamento, não só em grupo, mas também as necessidades específicas e individuais. Por exemplo, o foco das ações é sempre muito voltado para perda de peso em curto prazo, porém, muitas pessoas que não têm excesso de peso também têm hábitos e comportamentos que impactam a saúde, qualidade de vida e por sua vez impactam nos dados de absenteísmo, pois, podem estar com vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, estresse, ansiedade e depressão”, afirmou Fernanda.

“As dietas restritivas não são sustentáveis em longo prazo pode resultar na perda de massa magra, reganho de peso em forma de gordura, o efeito sanfona, afetando assim o metabolismo e causando, muitas vezes, descontrole e fissura ainda maior por comida”, analisou a nutricionista sobre consequências fisiológicas e emocionais ligadas aos programas de emagrecimento rápido. “A obesidade é multifatorial, há casos de pessoas que a desenvolvem por questões psiquiátricas como compulsão alimentar e, não dá para tratar este paciente semelhantemente a uma pessoa que tem obesidade por questões endócrinas ou outras razões clínicas, por exemplo. Precisamos ampliar as ações em termos de foco e tempo de duração, para que haja realmente mudanças no comportamento”, relatou aos participantes.

O debate, liderado pelo diretor de comunicação da ABQV, Dr. Alberto Ogata, teve ainda a participação das nutricionistas Rosicler Rodriguez e Neusa Moura, que responderam as perguntas sobre a importância da mudança de hábitos e a análise da cultura alimentar de cada organização, como medidas para a prevenção das DCNT. “A empresa tem a necessidade de ajudar na educação e fornecer ferramentas para que o trabalhador possa melhorar sua qualidade de vida. A nutrição e a saúde precisam ser vistas como valor para a organização”, pontuou Rosicler.

O evento teve transmissão ao vivo pela internet e apresentou o lançamento do Vol. 7, da coleção “Temas Avançados de Qualidade de Vida” – Enfrentamento dos Fatores de Risco para Doenças Crônicas no Brasil. Trata-se de uma das principais iniciativas da ABQV para auxiliar os profissionais no seu trabalho de saúde ocupacional.

*Fonte: Ministério da Saúde – http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_acoes_enfrent_dcnt_2011.pdf

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