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Combate à síndrome Burnout exige gestão de saúde mais estratégica durante a pandemia

Quem está trabalhando de forma remota não fica livre da possibilidade de ser acometido por essa síndrome

Há pouco mais de um ano a síndrome de Burnout foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), e deve entrar em vigor a partir de janeiro de 2022. Mas a pandemia coloca um holofote sob os distúrbios psicológicos relacionados ao trabalho, principalmente por afetar classes tão essenciais para o equilíbrio da sociedade como os profissionais de saúde e professores.

A síndrome de Burnout é caracterizada por fadiga e estresse, sensação de esgotamento, eficácia reduzida, cinismo ou negativismo relacionados ao serviço. De acordo com a diretora da área médica da consultoria Willis Towers Watson, Walderez Tuma Fogarolli, mais do que nunca, também é papel das empresas ter atenção quanto a saúde mental dos empregados. Alguns pacotes de benefícios corporativos já incluem o estímulo para a prática da Ioga ou oferecem a opção de reembolso para caso de consultas com psicólogos. “Muitas empresas têm buscado soluções para seus funcionários negociando reembolso para terapia online com as operadoras. Este é um momento de ajuste em algumas situações, mas certamente essa é uma tendência que veio para ficar”, explica.

De acordo com a pesquisa Benefit Trends, realizada em 2019 pela Willis Towers Watson, 30% das empresas afirmavam estar expandindo o foco e atenção para bem-estar emocional e 74% dos empresários ouvidos afirmaram que pretendem incorporar o bem-estar (considerando fatores como financeiro, saúde física, bem-estar emocional e estresse) à estratégia geral de benefício.

Quem está trabalhando de forma remota não fica livre da possibilidade de ser acometido por essa síndrome. Para a especialista, é preciso estipular regras para o trabalho à distância para evitar desentendimentos e estresse desnecessários. “A conversa precisa ser clara. Uma frase enviada por e-mail pode ser interpretada de várias maneiras e existe a tensão de alguns quanto a manutenção do emprego diante da situação de crise”, afirma.

Entre os profissionais mais expostos a riscos relacionados à saúde mental estão os da área da saúde que atuam na linha de frente do tratamento da COVID-19 e estão constantemente sobrecarregados devido às grandes responsabilidades que lhes foram impostas durante essa pandemia. Uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM) mostrou que de 2.312 médicos ouvidos, 86,6% têm a percepção de que os colegas estão apreensivos, deprimidos, insatisfeitos e revoltados.

“Os professores também enfrentam dificuldades, principalmente os que atuam com crianças e adolescentes, pois existe a preocupação constante em manter o engajamento do aluno estando à distância. É uma situação que traz um certo esgotamento e prejudica a saúde mental”, explica. Uma pesquisa do Instituto Península revela que 83% dos professores brasileiros não estão preparados para ensinar online. Quase 90% nunca haviam tido qualquer experiência com um ensino a distância e 55% não receberam suporte ou treinamento para atuar de maneira não presencial.

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