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Comitê de diversidade: essa moda pega?

Construir um ambiente seguro e com respeito às diferenças é indispensável para o sucesso de qualquer empresa

Comitê de diversidade: essa moda pega?

Você já ouviu falar em ERGs? A sigla é do termo em inglês Employee Resource Groups, que nada mais são do que grupos de afinidade formados voluntariamente dentro das empresas. Mas não se prenda à sigla! Você pode chamar de comitê, comissão, grupo ou como preferir. No final do dia, todos eles têm o mesmo objetivo: reunir pessoas em prol de um assunto em comum, seja ele voltado a ações sociais, atividades ao ar livre ou temas como diversidade e inclusão.

Do início de 2019 para cá, notei o surgimento de ERGs com foco em diversidade dentro de várias empresas de pequeno e médio porte. Empresas maiores, como multinacionais, muitas vezes contam com um setor dedicado à comunidade e inclusão de pessoas com as mais diferentes características. O desafio mesmo é introduzir esse tema em corporações que nunca pensaram no assunto como estratégia de negócio.

Para começar um ERG, a última coisa que uma pessoa deve fazer é esperar que o projeto seja estruturado pelo CEO ou time de RH da empresa. Claro que isso pode acontecer, mas se você acredita que é interessante criar um comitê de diversidade na companhia, converse com outros colaboradores que compartilhem do mesmo sentimento que você e se reúnam para estruturar o grupo, independentemente do setor que fazem parte.

No Olist, startup curitibana que atua no setor de marketplaces e onde eu trabalho, criamos um formulário de inscrições para quem tivesse interesse em fazer parte do comitê. Definimos que pelo tamanho do time na época — cerca de 250 funcionários —, nosso comitê seria formado por 20 pessoas das mais diversas áreas.

Estabelecemos encontros quinzenais para alinhar as ações e decidimos que o comitê não seria rotativo, para que assim o projeto pudesse ter maior continuidade. Com o tempo, algumas pessoas decidiram ceder seu lugar para novos membros e é dessa forma que vamos renovando os participantes do Diversifica — nome do comitê de diversidade do Olist.

Antes de falar de diversidade, é preciso olhar para dentro. Por isso, a primeira ação do Diversifica foi realizar uma pesquisa anônima para entender o quão diverso era o nosso quadro de colaboradores. O formulário abordava questões quanto à identidade de gênero, etnia, orientação sexual, renda familiar, religião, deficiência, grau de instrução e até restrição alimentar.

O resultado fez com que o time de RH criasse metas de contratação para trazer mais diversidade para dentro da empresa. Em paralelo, o comitê criou um calendário de ações mensais, que incluem palestras com convidados externos, cartazes espalhados pela companhia e mensagens nas TVs do escritório. A cada mês é abordado um tema em específico, entre os que já trabalhamos estão diversidade LGBTI+, Setembro Amarelo, Feminismo e Diversidade Racial.

Apesar de a iniciativa não partir do RH ou CEO da empresa, é fundamental que eles apoiem e participem das ações do comitê. É imprescindível que a alta diretoria da companhia compre a ideia de construir um time mais inclusivo e com respeito à diversidade. Claro que esse processo é muito mais fácil em empresas que já têm uma cultura forte nesses aspectos, como é o caso do Olist.

Então vem a pergunta: como mudar esse cenário em empresas que são mais resistentes às mudanças?

1) Faça pesquisas com empresas que já estão trilhando esse caminho;

2) Reúna colegas de trabalho com interesse em estruturar o comitê e use todas as informações que você captou para adaptar à realidade da sua empresa;

3) Apresente a proposta do comitê ao time de RH e à alta diretoria da empresa com argumentos que justifiquem o apoio deles à iniciativa.

No caso do Olist, é o time de RH que apoia o comitê financeiramente. Temos uma verba dedicada a ações de Clima e Cultura e uma parte é utilizada pelo comitê. Mas não foi sempre assim. No início, a gente se virava com pouco e até hoje tentamos trazer convidados que topem compartilhar suas histórias com o pessoal voluntariamente.

Respondendo o título deste artigo, eu acredito que essa moda não já pegou, como veio para ficar. Se tornar uma empresa que valoriza a diversidade não é somente muito mais lucrativo falando em resultados, como é a coisa certa a se fazer. E a minha dica final é: não fique esperando a iniciativa partir de outra pessoa. Seja você o agente de mudança dentro da sua empresa e comece hoje mesmo a pensar como você vai dar vida ao próximo comitê de diversidade da sua região.

Por Rhayana Souza – Analista de Comunicação no Olist, responsável pelo employer branding da empresa e ações de endomarketing.

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