Como a felicidade contagia e aumenta a produtividade nas empresas

As empresas têm o dever de proporcionar um ambiente de trabalho agradável que incentive práticas saudáveis

Como a felicidade contagia e aumenta a produtividade nas empresas

Se a tristeza contamina o ambiente, o mesmo acontece com a felicidade. Ela é um estímulo que faz com que a humanidade caminhe para frente. Um estudo da Social Market Foundation aponta que funcionários felizes são até 20% mais produtivos do que funcionários insatisfeitos. Quando se trata de vendas, a felicidade tem um impacto direto, aumentando as vendas em 37%. É ela que nos impulsiona a realizar uma série de atividades e grandes feitos ao longo da vida. No mês do Setembro Amarelo, uma campanha de prevenção ao suicídio, é necessário relembrar o que nos motiva a viver.

Pesquisas apontam que a nossa sociedade está cada vez mais triste. Não é preciso nem uma hora para uma pessoa interromper a própria vida no Brasil. Isso porque a cada 45 minutos uma pessoa se suicida, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, não chega a completar um minuto — a cada 40 segundos uma pessoa se mata, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Diante disso, é preciso cuidar da mente com a mesma disposição que cuidamos de outras partes da vida, como o trabalho, por exemplo.

Jeffrey Pfeffer, autor do livro “Dying for a Paycheck: How Modern Management Harms Employee Health and Company Performance — and What We Can Do About It” (“Morrendo por um salário: como a gestão moderna prejudica a saúde e o desempenho da empresa — e o que podemos fazer a respeito”, em tradução livre), explica que o estresse no trabalho custa aos empregadores americanos mais de US$ 300 bilhões por ano e pode causar 12 mil mortes todos os anos. Na China, os números também impressionam: cerca de 1 milhão de pessoas morrem devido ao excesso de trabalho anualmente. “As pessoas estão, literalmente, morrendo por um pagamento. É preciso que isso pare”, endossa o autor.

Eu concordo com ele. E defendo que as empresas têm o dever de proporcionar um ambiente de trabalho agradável que incentive práticas saudáveis, como alimentação balanceada e equilíbrio emocional. As organizações estão se preocupando cada vez mais com a sua imagem como empregadora. A estratégia que consiste em promover a imagem das empresas para atrair e manter os profissionais interessados e motivados chama-se employer branding. Trata-se de uma ação importante para reter os melhores profissionais, principalmente em momentos de crise.

Há uma série de ações que as corporações podem adotar para tornar o ambiente agradável e saudável. Como, por exemplo, incentivar a prática de exercícios físicos. Eles aumentam as substâncias ligadas à sensação de prazer, como serotonina, noradrenalina e dopamina, e funcionam como uma espécie de escudo protetor para doenças que acometem a mente e o corpo. Empresas que adotam práticas de exercícios físicos tendem a ter funcionários bem-dispostos e com mais energia para enfrentar os desafios da sua função.

Outra atitude que as empresas devem se preocupar é a alimentação balanceada com mais alimentos naturais e frescos e menos industrializados. É uma forma de combater doenças crônicas, retardar o envelhecimento e combater as dores do corpo. As mudanças podem ser graduais. Um exemplo é substituir máquinas de chocolates e salgadinhos, comidas extremamente calóricas, por frutas. São hábitos e conselhos que soam óbvios, de tão repetidos, mas que, de fato, influenciam e modificam diretamente o estilo de vida e o humor das pessoas. Por isso que, antes mesmo da doença chegar, é preciso focar na saúde e no que realmente importa: o bem-estar físico e emocional e a motivação do colaborador.

Por Bruno Rodrigues, CEO da GoGood

Imagem:Pixabay