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Como (não) comprar um software de RH

Qualquer decisão de compra de software de RH precisa ser feita com muita inteligência

Como (não) comprar um software de RH

Por que a tecnologia SaaS é um assunto importante para a área de Recursos Humanos? Em primeiro lugar, é importante definirmos o que é SaaS ou Software as a Service que, em linhas gerais, é qualquer tecnologia que é alugada, não vendida, e que não está instalada nos computadores das empresas e, portanto, pode ser acessada pela internet.

Quando participava de um painel no #Conarh2018 – Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, conhecido como um dos maiores e mais importantes eventos da área do mundo, uma pessoa da plateia fez o seguinte questionamento:

“Como devemos balancear a compra de aplicações SaaS – baseadas na nuvem – com a necessidade de termos menos fornecedores e mais integração entre nossos produtos?”

Há muitos anos, muitas empresas ainda compram software assim. Se precisasse de uma aplicação, de um ERP – Enterprise Resource Planning, uma solução simples de gestão de tarefas, tinha que fazer um investimento gigante e comprar a solução.

Ela se tornava um ativo no seu balanço patrimonial. O risco ficava todo com o comprador, que fazia todo esse investimento sem saber muito bem se veria valor na transação.

Com as plataformas SaaS, tudo mudou: ao invés de comprar uma solução, a empresa apenas a aluga, e por isso paga muito menos para tê-la. Além disso, não tem que ter os custos de manter a aplicação rodando nos seus computadores, nem fazer atualizações, manutenções etc.

O mais importante, no entanto, é que fornecedor e cliente “racham” o risco do negócio, podendo cancelar o contrato se o valor não for entregue, tendo assim muito mais margem para inovar e errar no processo. Agora que já falamos um pouco de como as tecnologias SaaS mudaram a forma como compramos aplicações de software, voltamos à pergunta da plateia:

“Como devemos balancear a compra de aplicações SaaS – baseadas na nuvem – com a necessidade de termos menos fornecedores e mais integração entre nossos produtos?”

Minha resposta foi a seguinte: qualquer decisão de compra de software de RH precisa ser feita com muita inteligência. A vontade de ter menos fornecedores ou aplicações mais integradas não pode, nunca, ser mais importante do que a experiência que um colaborador vai ter com a aplicação.

E isso se aplica especialmente ao tema de gestão de desempenho, tão crucial para o sucesso de qualquer empresa e tão relevante para a experiência dos talentos.

Não faz nenhum sentido prejudicar os feedbacks que seu colaborador recebe, ou as metas que são desdobradas pela organização, para que se poupe algumas horas de um colaborador júnior de RH tomadas com algumas planilhas simples de importação de usuários. É uma decisão totalmente ilógica.

Algumas empresas vão longe nas suas más escolhas. O primeiro erro é priorizar a integração em detrimento à experiência do colaborador. Escolhem seus sistemas de RH, com os quais interagem seus colaboradores em função de uma suposta integração nativa com um ERP bonito, alemão ou americano, que tomou cinco anos para ser implementado e que mais vira uma algema do que uma solução.

Outro erro muito comum é escolher fornecedores gigantes em função do quão completas são suas “suítes”. Pensem: esse sistema vai resolver todos os meus problemas de RH estratégico.

Recrutamento, treinamento, gestão de talentos e gestão de desempenho, além do core de RH, tudo em um só lugar. Ou será que é um só lugar?

O que poucos sabem é que esses sistemas são colchas de retalhos, construídos por meio de múltiplas aquisições de empresas diferentes e que, raramente, entregam a experiência realmente integrada que é vendida.

O mais comum é que os produtos sejam pouco integrados, e que essas integrações não são nada mais compreensivas do que qualquer integração entre sistemas de fornecedores diferentes.

Quando a solução vem de graça “no pacote”

O outro tipo de problema muito comum é quando a empresa topa usar a solução de um gigante da tecnologia simplesmente porque esse produto é entregue “de graça”, por causa de inúmeros outros produtos pelos quais a empresa já paga.

É quando aceitamos usar o produto de chat da empresa das planilhas e do sistema operacional ao invés de usarmos a solução que todas as startups do Vale do Silício estão usando, e que entrega uma experiência infinitamente superior.

Afinal de contas, o pensamento é que ela vem “de graça”. O que esquecemos, naturalmente, é que raramente coisa boa é dada de graça, e que quase sempre, aquilo que é ofertado “de graça” é algo pela qual estamos pagando – e caro – em algum outro canto do nosso orçamento.

Enfim, essas são algumas das reflexões que tive desde que respondi à pergunta da ouvinte que acompanhava a palestra. Ninguém deve deixar de priorizar a experiência de seus colaboradores na compra de aplicações de software, principalmente nos dias de hoje, em que talentos são cada vez mais concorridos e cruciais para o sucesso de qualquer negócio, em função da ilusão de uma integração mais ‘potente’ com um software legado ou simplesmente porque tal solução vem ‘de graça’ no pacote de algum fornecedor de TI.

A conta simplesmente não fecha.

Por Francisco Homem de Mello –  fundador da Qulture.Rocks, software de gestão de desempenho, startup residente no Cubo Itaú

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