Comportamento

Como o CrossFit pode ajudar na construção da liderança?

A essência do CrossFit é a melhoria contínua, e essa superação das metas traz um sentimento de realização incrível

A prática constante de uma atividade física representa um desafio pessoal diário: é necessário vencer a agenda atribulada, imprevistos e o cansaço do dia a dia. Para a especialista em desenvolvimento de alta performance para liderança, Luciana Carreteiro, que adotou a prática de CrossFit há cinco anos, o esporte representa o sentimento de estar em evolução. As lições e energia do esporte também podem ser transferidas para trabalhar a busca por ser uma líder melhor, já que quando nos cobramos pelo o aprimoramento constante os resultados melhoram.

A especialista listou dicas de como a prática do CrossFit pode contribuir na construção de um líder melhor:

Como o CrossFit pode ajudar na construção da liderança?

1) A receita mágica: treinar, treinar ou treinar

O CrossFit é o esporte que te prepara para estar bem condicionado e pronto para qualquer desafio. Ele mistura três modalidades básicas: levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica e exercícios de endurance (atividades aeróbicas como corrida). Minha parte preferida é o treino, pois acredito que é no treino que construímos o sucesso do jogo, já que a consistência da repetição nos faz evoluir.

A essência do CrossFit é a melhoria contínua, e essa superação das metas traz um sentimento de realização incrível. Minhas melhores performances tanto em competição esportiva quanto na carreira foram quando eu estava preparada.

O que compromete um resultado de alta performance é ter certeza, o “já sei fazer”, você acaba aterrissando no medíocre. Sem dúvida, praticar antes de uma reunião, de uma entrevista, vai te dar mais segurança e assertividade.

2) Somente a disciplina traz resultados

É duro aceitar, dói, mas é verdade, só a disciplina te proporciona os resultados que você almeja. Uma grande inspiração para mim é a Nadia Comaneci, primeira ginasta no mundo a realizar o “10 perfeito”, aos 14 anos, nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1977, que se tornou sensação mundial.

Eu era criança e ficava deslumbrada com tal conquista. Esse sentimento de chegar onde não se espera é que me motiva a treinar mais. Somos capazes de ir além do que pensamos, basta se dedicar e respeitar o descanso, parte fundamental do treino em que o corpo se fortalece.

Outro detalhe importante é que toda conquista tem um sacrifício e isso requer um planejamento. Quando quis melhorar meus resultados para competir, por exemplo, busquei balancear a alimentação e não consumir bebida alcoólica durante a semana ou semanas antes de uma competição. Se você quer mudar o seu ponto de chegada, a pergunta é: o que eu posso fazer de diferente do que faço hoje para obter resultados melhores?

3) Fazer da minha mente a minha aliada

Quantas vezes durante uma reunião difícil você ouviu sua voz interna te dizendo: “será que vou saber responder as perguntas da presidente?”, “essa reunião não serve para nada, vou sair daqui” ou “será que eu fiz certo?”. Para muitos desafios você sabe que está pronto, mas surge a insegurança, o medo de errar ou o peso de ser perfeito e você trava. Sua mente é capaz de bloquear seu corpo e no esporte também é assim.

Durante o treino, muitas vezes, coloco a barra nas costas e penso “está pesado”, ouço uma voz dizendo “não aguento mais, vou parar”. E, aos poucos, ao longo das aulas você vai passando a controlar sua mente e começa a ouvir: “eu posso, eu consigo, eu vou”.

Já senti na pele como a teoria de Tim Gallwey é verdadeira (O jogo Interior do Tênis). Buscando controlar minha voz interior, destravo novos desafios e então entro em flow. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, o estado de flow acontece quando suas habilidades se encaixam perfeitamente com a dificuldade do desafio. Aqui o tempo parece distorcido, a concentração é profunda e a pessoa tem uma sensação de controle pessoal sobre a situação onde a consciência está voltada para a atividade em si. É apenas isso: foco total no presente.

4) Conhecer melhor as pessoas

Com o apoio do esporte, aprendi e aprimorei meus relacionamentos ao longo do tempo, pois entendi que as pessoas têm perfis diferentes. E cada um de nós tem um pouco dessas características com intensidades distintas.

Assim como no trabalho, no treino tem o preguiçoso, aquele que pode muito mais do que realmente entrega e ama inventar uma desculpa; o malandro, aquele que dá uma floreada nos seus resultados para parecer melhor do que realmente é e as vezes até se apropria da sua ideia; o competitivo, aquele que te pergunta sempre o seu resultado para fazer melhor que você e fica te incentivando a fazer mais; o perfeccionista, aquele que quer aprender a fazer todos os movimentos e poder dizer que é RX (categoria avançada) e vive te corrigindo; e o chato, aquele que reclama sempre de alguma coisa, está sempre querendo mudar algo no treino.

Para ser um bom líder e um bom atleta, é necessário aceitarmos que existem pessoas diferentes, com necessidades diferentes, e que está tudo bem! Aprendendo a lidar com as diferenças nos tornamos melhores!

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