Saúde

Como o estresse do fim de ano afeta a sua produtividade?

70% das pessoas sofrem do mal do estresse

 

O fim do ano se aproxima, as tarefas se acumulam, o cronograma parece cada vez mais apertado, a tensão aumenta, as metas parecem longe de serem cumpridas. Horas extras, ligações e mensagens respondidas fora do expediente, acúmulo de funções e tarefas, reuniões exaustivas, cobranças extremas no dia a dia, falta de identificação com colegas e líderes. No Brasil, segundo um estudo feito em 2017 pela Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse (Isma Brasil), 70% das pessoas sofrem do mal do estresse, das quais 69% declaram o trabalho como sua principal causa. O aumento da competitividade do mercado é um dos grandes responsáveis por estimular as pessoas a trabalharem mais e mais em busca de destaque e resultados, aumentando assim seus níveis de estresse.

O alto índice de estresse detectado na pesquisa posiciona o Brasil como o segundo país mais estressado do mundo, ficando atrás apenas do Japão. Sim, o Japão, onde existe o maior número de casos de morte pode estresse no trabalho do mundo. A história de uma jovem japonesa que cometeu suicídio na principal agência de publicidade do país por sobrecarga no trabalho – chegava a fazer até 105 horas extras por mês – ficou internacionalmente conhecido e trouxe à tona a discussão sobre o termo Karoshi, criado no Japão especificamente para descrever “morte por excesso de trabalho”, tamanha a quantidade de casos desse tipo registrados. Não chegamos neste extremo no Brasil, o que é ótimo, mas não é preciso procurar muito para perceber que existem diversos casos de doenças geradas diretamente por conta do estresse diário no trabalho vivido pelas pessoas como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, hipertensão, distúrbios do sono, gastrite, doenças do coração e muitos outros males.

 

Como contornar o estresse no trabalho?

Essa situação deixa evidente que a sobrecarga e o estresse no trabalho podem ter diversos impactos no desempenho e resultados dos colaboradores de empresas e, consequentemente, nos resultados das próprias organizações. Seja pela intensificação do absenteísmo por conta de doenças, pela queda da produtividade, pelo aumento dos custos com saúde, sem contar a possibilidade de perda direta de receita por baixas de clientes e colaboradores. Preocupados com esse contexto e pensando no bem-estar de seus colaboradores como uma forma de prevenção, muitas empresas estão adotando estratégias voltadas a minimizar tanto os danos causados aos funcionários pelo estresse no trabalho, quanto as possíveis origens deste mal dentro da empresa.

Uma das alternativas já adotadas e que traz resultados muito positivos é a realização de pesquisas internas na empresa para sondar como anda a percepção dos colaboradores sobre sua rotina, tarefas realizadas, prazos existentes, dentre outras perguntas que podem ser feitas. Uma boa prática de gestão nesse sentido pode ser a promoção de conversas individuais de líderes com seus liderados, para que se entenda de forma honesta como o colaborador está se sentindo na empresa. Isso, além de mostrar ao colaborador que a empresa está interessada em ouvi-lo, faz com que possam surgir oportunidades de melhoria na gestão e no dia a dia da empresa.

Outra forma de contribuir para a redução do estresse em empresas é a implementação de uma rotina de ações voltadas ao bem-estar dos colaboradores, como o estímulo à prática constante de atividade física, a uma alimentação saudável, a ter boas noites de sono, a fazer pausas durante o expediente e, até mesmo, a aprender a controlar o estresse. Existem cursos voltados ao gerenciamento de estresse, mas algumas técnicas de relaxamento e autoconhecimento como mindfulness, yoga e meditação são opções que podem ser adotadas neste fim de ano, mesmo que a sua empresa não ofereça isso.

Empresas como a Google já adotam o mindfulness como uma metodologia para construir uma vida melhor no trabalho e os resultados em aumento de produtividade e assertividade em negociações são enormes. Uma das principais vantagens desta técnica de atenção plena, seja para o ambiente corporativo ou para sua vida pessoal, é a otimização da sua inteligência emocional. Ela é seu centro de equilíbrio e está diretamente relacionada à sua capacidade de: lidar ou mediar situações de conflito, tentando sempre enxergar o lado positivo; ter mais tranquilidade para tomar decisões e construir diálogos; e melhorar o seu relacionamento interpessoal com colegas de trabalho, clientes e demais agentes envolvidos no seu dia a dia. Além desses benefícios, trabalhar a inteligência emocional ajuda a fazer com que a pessoa foque em pensar em coisas boas, em fazer o que gosta, em estar com amigos queridos, em afastar pensamentos e energias negativas e em cuidar de si mesmo, em todos os aspectos. Estes são alguns exemplos de ações, sejam realizadas de forma individual ou promovidas por empresas, que ajudam a reduzir o estresse e melhorar muito a produtividade no trabalho, mesmo com as metas mais apertadas do fim do ano.

Por Bruno Rodrigues, CEO da GoGood

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