Inclusão

Competência e experiência não tem idade no mundo do trabalho

Ao contrário do que alguns imaginam, pessoas entre 60 e 80 anos continuam ativas e desejadas pelo mercado 

Segundo a pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mais de um terço das pessoas acima de 60, anos que já estão aposentadas, continuam ativas. Considerando-se os aposentados que tem entre 60 e 70 anos, o percentual dos que trabalham é de 42,3%. Desses, 46,9% afirmam que continuam trabalhando para complementar a renda insuficiente; 23,2% para manter a mente ocupada; 18,7% para sentir-se produtivo e 9,1% para ajudar a família. Vale ressaltar que a aposentadoria e o recebimento de pensão são as principais fontes de renda para 74,6% dos idosos brasileiros.

Ao contrário do que alguns imaginam, muitos idosos (entre 60 e 80 anos) continuam e continuarão ativos. Como a pesquisa revela, as motivações são variadas, no entanto, torna-se cada vez mais claro que o aumento da expectativa de vida da população somado à maior preocupação com qualidade de vida e à incerteza com o sistema previdenciário tem propiciado o prolongamento da vida profissional de pessoas dessa faixa etária.

Esse cenário apresenta desafios sem precedentes a gestores e empresas. Dentre outros, dois tem exigido soluções inovadoras: o primeiro refere-se a revisão do modelo dos atuais programas de preparação de gestores (trainee), em virtude da diminuição das possibilidades de crescimento vertical, somada à falta de vagas, muitas vezes ocupadas por pessoas que não se aposentam ou são aposentados que continuam ativos; o segundo diz respeito à necessidade de estruturação de programas efetivos de sucessão, que considerem o aumento da expectativa de vida dos trabalhadores, sem prejudicar a ascensão de jovens talentos.

Portanto, o prolongamento da vida profissional de trabalhadores acima dos 60 anos, como uma tendência no século 21, desafia por um lado jovens talentos permanentemente obrigados a reverem as próprias estratégias de carreira e, sobretudo, a repensarem as expectativas em termos de crescimento profissional e, de outro, a Gestão de Pessoas das empresas a criarem ambientes de trabalho e, sobretudo, a pensarem em um Design Organizacional que comporte harmoniosamente profissionais experientes e jovens talentos de forma complementar.

Por Marcelo Treff , professor do Mestrado em Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)

 

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