Opinião

Conflitos no trabalho: responsabilidade não é sinônimo de culpa!

Chamar para si a responsabilidade pelo que lhe cabe não significa de forma alguma se assumir culpado pelo que ocorreu

Na vida profissional, temos de lidar com conflitos dos mais variados tipos. Quando isso ocorre, procurar culpados é a reação mais comum. Há uma busca desenfreada por alguém a quem atribuir o ônus pelo ocorrido, e respiramos aliviados quando não somos o nome em questão.

Saem na frente os profissionais que conseguem tomar para si a sua parte de responsabilidade pelo ocorrido e contribuir para sua solução. Porém, poucos se mostram capazes de agir assim, pois confundem responsabilidade com culpa. Não imaginam o tamanho do equívoco que cometem ao fazer isso.

Não é fácil definir com precisão o que exatamente significa a responsabilidade. Mas, num contexto profissional, podemos entendê-la como a capacidade de arcar com as consequências de seus atos. Em um conflito, assume a dianteira quem consegue compreender e assumir qual papel desempenhou naquilo, lembrando que, nesses casos, não existe o famigerado “não tenho nada com isso”. A partir do momento em que uma pessoa se vê envolvida num conflito, ela obrigatoriamente tem algo a ver com o assunto.

Chamar para si a responsabilidade pelo que lhe cabe não significa de forma alguma se assumir culpado pelo que ocorreu. Culpa denota erro, falta, omissão, depreciação. É perfeitamente possível ser responsável sem ser culpado.

Assumir a responsabilidade, aliás, ajuda a evitar o sentimento de culpa e a carga negativa que o acompanha, pois traz liberdade. Sim, liberdade para lidar com um conflito do qual se faz parte (querendo ou não, gostando ou não), encontrar formas de resolvê-lo, capacidade de agir ou responder criativamente a uma situação desfavorável, assumir as rédeas do próprio destino, ser autônomo. Afinal, não temos controle sobre os outros, apenas sobre nós mesmos.

Como já escrevi no livro A culpa não é minha, os conflitos normalmente decorrem das diferenças que existem entre as pessoas. Mas as diferenças, ao mesmo tempo em que provocam ruídos e divergências, nos fazem sair do lugar comum e enxergar o mundo sob uma nova perspectiva, pelo olhar do outro. E quem não teme assumir responsabilidades tem muito mais chances de desfrutar de toda a riqueza que o convívio com o diferente traz.

Por Allessandra Canuto – especialista em gestão estratégica de conflitos, sócia da AlleaoLado, empresa focada em consultoria e coaching para empresas, e coautora do livro “A culpa não é minha”

 


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