Comportamento

Dados revelam a jornada média de trabalho do brasileiro e os fatores que podem desencadear a síndrome de burnout

Mapeamento conduzido pela Fhinck, envolveu a análise dados de cerca de 8 mil colaboradores, e mostra que um dos riscos está associado diretamente ao tempo que se passa interagindo com a máquina, sem pausas e descanso

Se antes era impossível para as empresas traçarem um plano preciso e estratégico focado em eficiência operacional e no bem-estar das pessoas, hoje, graças à geração e mineração de dados, as decisões são pautadas e ancoradas em certezas e não mais em achismos às cegas. A utilização de dados pode identificar e antecipar se os times estão em risco real de adoecerem mentalmente por excesso de trabalho, por exemplo.

O mapeamento analisou dados de mais de 8 mil profissionais de empresas gigantes do mercado, entre junho de 2020 a maio de 2022. Foi com esse intuito, ou seja, trazer luz (dados) para melhorar a relação e o ambiente de trabalho nas empresas, que a Fhinck, assistente virtual que analisa dados gerados pelas pessoas na interação com a máquina, analisou informações durante e pós pandemia, revelando o tempo que os colaboradores passam trabalhando, bem como os fatores que podem elevar o risco de burnout. 

Com relação à jornada de trabalho, houve um acréscimo de 6,7% no tempo médio durante a pandemia em relação ao período pré pandemia, e agora, a jornada ainda se mantém 3,9% maior do que a média registrada em 2019 (período pré pandemia). Já o foco digital, ou seja, o tempo médio que o colaborador passa concentrado e interagindo com a máquina aumentou 27,1% no período pandêmico e 21,2% pós-pandemia.

Quando se analisa o quesito reuniões de trabalho, há um aumento volumoso de 95,5%, devido ao fato das reuniões serem realizadas de forma on-line e se mostraram muito mais intensas.  No atual momento, onde já observamos a retomada das reuniões presenciais, a porcentagem de encontros virtuais caiu para 78,4% .

Três atividades põem em risco a saúde mental

Segundo dados do Pebmed, site de notícias e artigos médicos, um em cada três trabalhadores brasileiros sofrem com esse transtorno. Afeta mais de 30 milhões de pessoas no Brasil, e não é à toa que passou a ser considerada pela OMS como doença do trabalho.

O levantamento da Fhinck também analisou fatores que apresentam riscos mais elevados de aparecimento desse problema nos times. Em primeiro lugar, 85% de risco, aparece a atividade digital, ou seja, o tempo que a pessoa passa em frente às telas trabalhando, seguida por jornadas de trabalho que ultrapassam 60 horas semanais, e empatados aparecem fatores como tempo em reuniões representando 20% da jornada semanal é de 20% a comunicação escrita (envio de e-mails e chats corporativos).

No quesito atividade digital, dados mostram que, durante a pandemia, 10,3% das pessoas estavam mais focadas digitalmente, enquanto 4,5% no pós-pandemia, em relação a base analisada. Já no quesito reuniões, 83,3% dos usuários dedicam mais tempo para isso durante a pandemia, caindo para 71,6% no pós-pandemia. 

“As reuniões, em geral, antes da pandemia, não aconteciam com tanta frequência no digital, eram mais presenciais e não se computava o tempo que os colaboradores passavam nelas, sem pausas. As interações eram realizadas de forma natural e descontraída durante o dia e no local de trabalho. Por isso, os dados não são tão discrepantes quando comparado com os outros períodos. O contexto de pré-pandemia foge totalmente do padrão de análise estabelecido”, explica Paulo Castello, CEO e cofundador da Fhinck.

Por fim, a prática da comunicação escrita reflete uma alta de 36,1% nas máquinas durante o período de pandemia, versus 76,1% nos pós-pandemia em relação à medição realizada no período pré-pandemia (junho de 2019 a março de 2020). 

A Fhinck também avaliou o número de horas trabalhadas por modalidade de trabalho. No pré-pandemia 71,16% dos colaboradores trabalhavam presencialmente, 23,86% home-office e 4,98% de forma híbrida.  Já na pandemia, o cenário muda totalmente, 89,85% no esquema home-office, 8,04% na empresa e 2,12% no formato híbrido. Já no pós-pandemia, muda novamente, 78,04% home-office, 18,34% na empresa e 3,62% híbrido. 

“Acreditamos que tudo será automatizado nesta década e além. A hiperautomação é poderoso porque abrange resolução de tarefas, custos e eficiência operacional, treinamento contínuo, aumento da produtividade sem ferir o bem-estar dos colaboradores no ambiente, além de mitigação de possíveis e crescentes riscos trabalhistas, entre outras funcionalidades”, assegura Castello, 

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