Colunista

De tanto errar, acabei me dando bem!

O motivo da minha inspiração para escrever esta reflexão foi à resenha que o diretor técnico da escola de futebol

Os últimos anos têm sido bem agitados, seja na minha vida profissional como na pessoal, e alguns acontecimentos me marcaram bastante, um foi ter a oportunidade de participar de meetings focado em gente, gestão, tecnologia e futuro do trabalho e o outro foi ter acompanhado meu filho de 8 anos em um campeonato de futebol.

Nos primeiros eventos, tive a oportunidade de prestigiar debates e reflexões sobre a descentralização de processos, conhecer cases de implantação da tecnologia apenas pela própria tecnologia (que não deram muito certo), me sintonizar sobre a perda de produtividade em função do uso excessivo de smartphones, tratar de caminhos de carreira versus qualidade de vida versus tecnologia versus acesso das informações a qualquer momento, aprofundar mais sobre a prontidão tecnológica das organizações no Brasil, compreender novos desafios de talentos, automação, RPA, chatbots, analytics, machine learning, ferramentas de cognitivas, tecnologias de aprendizagem, data mining etc.

No segundo acontecimento, confesso que foi pura emoção, meu filho escolheu ser goleiro (depois foi ser jogador de linha), então imaginem a minha adrenalina ao assistir ele jogar, pois como todos devem saber, no futebol todos “podem” errar, menos o “coitado” goleiro. Ele jogou bem, fez direitinho todos os fundamentos que aprendeu nos treinos, e mesmo assim o seu time perdeu de 3 a 1.

Vocês devem estar se perguntando, mas o que estes acontecimentos tem a ver com a proposta desta coluna? Por que eles me motivaram a escrevê-la?

O motivo da minha inspiração para escrever esta reflexão foi à resenha que o Diretor técnico da escola de futebol do meu filho fez ao final dos quatros primeiros jogos da manhã de sábado aos pais e atletas presentes.

Ele reuniu mais de 30 “mini” jogadores, a comissão técnica e todos os pais que estavam do outro lado do alambrado, para falar sobre a importância do aprendizado por meio dos erros, ponto este que acredito que a maioria de nós não aprendeu dentro das organizações.

 Júnior, que é o Diretor técnico citado, disse a aos pais, em alto e bom tom:

  1. O papel de vocês, que ficam do outro lado do alambrado, além de torcer, é o de incentivar para que os seus filhos pratiquem o que eles aprenderam durante a semana nos treinos;
  2. Ganhar nestes jogos é apenas um fato, o mais importante é tentar colocar o aprendizado em prática;
  3. O objetivo dos jogos de sábado é criar um ambiente onde seus filhos possam errar, testar, aprender, experimentar e saírem felizes … isso é a vida;
  4. Quando vocês orientam seus filhos (aqui nos jogos de sábado) a fazer o que eles não aprenderam durante a semana, apenas para evitar que eles não errem, vocês não estão ensinando o correto;
  5. Perder faz parte do aprendizado e a nossa metodologia é construída em cima da base do acertar e reconhecer e do errar e receber orientação, evitar os tropeços não os prepararão para o futuro.

Os pontos que destaquei acima, caem como uma luva nos ambientes corporativos (não todos é claro), pois em grande parte dos mesmos não existe tolerância ao erro, os profissionais têm medo das consequências do errar em suas carreiras e por isso não correm riscos, mesmo que controlados, com isso o aprendizado fica muito prejudicado, assim como os resultados diferenciados da organização.

Somando este contexto ao que vi nos eventos que citei acima, e que reforçou características de um mundo que vivemos de plenas mudanças com muita velocidade e complexidade, saber e aprender a errar de maneira ágil e com baixo impacto, faz toda a diferença para o sucesso.

Os movimentos necessários de mudanças organizacionais só acontecerão em culturas como as da escola de futebol do meu filho, onde o mindset não é fixo, e sim de crescimento, como destaca no livro Mindset: A nova psicologia do sucesso, a professora de Stanford de Carol S. Dwek.

Encerro esta minha coluna com um lindo do maravilhoso vídeo que retrata a coragem de tentar, sem ter o medo que congela de errar. O famoso cantor Bruce Springsteen, recebe de um fã um cartaz com o pedido para ele cantar a música You Never Can Tell, que não faz parte do seu repertório daquele show, mas ele atende o desejo da fã e veja o que deu.

Por Gustavo Mançanares Leme – Executivo de RH com experiências em processos de transformações culturais e turn around de negócios. Estrategista e especialista em práticas de excelência em desenvolvimento e performance organizacional.


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