Diversidade

Diversidade de gênero nas empresas é fundamental para impulsionar negócios

Até mesmo inteligência artificial pode ajudar na identificação do preconceito no mundo corporativo, explica executiva Carla Ricchetti

Estudos nos últimos anos vêm mostrando como empresas que investem na diversidade de gênero têm apresentado melhor desempenho no mercado. A presença de mulheres na liderança de companhias e instituições está diretamente relacionada à redução na rotatividade de funcionários, a um maior retorno financeiro e à compreensão mais abrangente sobre clientes e o mundo corporativo.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), empresas que monitoram o impacto da diversidade de gênero na liderança atestam crescimento de 5% a 20% nos lucros quando mais mulheres são contratadas para cargos de chefia. Por outro lado, o órgão revela ainda que, no Brasil, apenas 3% de mulheres ocupam cargos de liderança nas empresas. Ainda em contraste com o baixo aproveitamento da força de trabalho feminino, mulheres representam 60% dos estudantes universitários que concluem o ensino superior no país atualmente.

O relatório “Mulheres em Conselhos de Administração”, editado pela Morgan Stanley Capital International (MSCI) em 2019 e o documento “Retratos de Mulheres em Liderança”, compilado pela Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) com parceiros, também apontam que mulheres ocupam apenas 15% dos cargos em conselhos de administração das empresas; na América Latina, essa porcentagem é de 7%. São apenas 4% dos cargos de CEO e presidente de conselhos ocupados por mulheres em todo o mundo. Mas por que isso ainda acontece?

Para Carla Ricchetti, especialista em investimentos na IFC e membro do comitê de diversidade de gênero do banco, não há uma resposta única e simples para a pergunta. “Entre as razões para a disparidade encontram-se preconceitos diversos, estereótipos de gênero e normas culturais. Há ainda a falta de políticas de local de trabalho favoráveis à família. Em muitos casos, não há também a disponibilidade e acesso a programas de mentoria, network adequado, treinamento e, principalmente, compromisso mínimo com a mudança da liderança nas empresas”, afirma.

Nota-se uma gradual mudança cultural no âmbito corporativo que vem validando a tese de maior inteligência coletiva que se obtém a partir da diversidade de gênero. Empresas que querem atrair talento estão oferecendo flexibilidade de horas, treinamentos e políticas mais transparentes de promoção, crescimento e de combate ao assédio sexual.

E a tecnologia também deverá ajudar nesse avanço. Um exemplo são algoritmos usados em programas de inteligência artificial, que poderão contribuir na identificação de preconceitos de gênero nos casos de contratações e promoções. Apesar dos resultados e impactos dessa tecnologia ainda serem controversos, ela se apresenta como uma ferramenta adicional nas tomadas de decisões.

Com a recente pandemia, também foi possível notar que diferentes tecnologias estão tornando possível o home office ou trabalho de casa. Essa nova tendência deverá ajudar muitas mulheres que necessitam de maior flexibilidade para conciliar família e carreira.

“As mulheres da minha geração e das próximas estão determinadas a mudar essas estatísticas. Elas estão menos intimidadas, mais conscientes das suas capacidades, objetivos profissionais e entendendo que é possível equilibrar a vida pessoal e profissional. Essa maior determinação associada com políticas corporativas mais flexíveis, transparentes e associadas à tecnologia será um grande trampolim para o aumento do número de mulheres em cargos de liderança na próxima década. Afinal, talento não tem gênero”, completa Carla.


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