Gestão

Diversidade é crucial para a sobrevivência de uma empresa no mundo moderno

O impacto do viés inconsciente nas contratações de sua empresa

Pessoas iguais geram ideias iguais, essa é a frase que venho repetindo na minha trajetória profissional e nas empresas por onde passei ao longo dos anos. Falar de diversidade é um assunto essencial atualmente, seja no ambiente de negócios ou no nosso dia a dia. A multiplicidade de ideias e diferentes olhares são extremamente importantes quando pensamos em crescimento dos negócios.

Uma pesquisa da consultoria Mckinsey sobre diversidade apontou, ainda em 2014, que as empresas cujas equipes executivas – onde a maior parte das decisões estratégicas e operacionais são tomadas – eram compostas por gêneros diversos, tinham 15% mais propensão a ter uma rentabilidade acima da média do que as outras. O mesmo estudo realizado em 2017 mostrou que esse percentual aumentou para 21%. Outra constatação desse mesmo estudo foi em relação à capacidade de criar valor a longo prazo – 27% superior nas organizações com maior diversidade – e o desempenho financeiro, acima da média nas empresas com mais mulheres em cargos de diretoria.

Diversidade é, portanto, crucial para a sobrevivência de uma empresa no mundo moderno, em que a competitividade é, muitas vezes, esmagadora, uma vez que melhora o valor ao negócio e a imagem empresarial, estimula as equipes e amplia os estilos de liderança.

Para que as organizações conquistem uma real diversidade de profissionais – de gênero, raça, origem, orientação sexual, entre outros, o processo de contratação deve ser o mais livre possível de viés inconsciente, que nada mais é do que um conjunto de estereótipos que mantemos sobre diferentes grupos de pessoas, a partir de situações e experiências que vivenciamos ao longo da vida.

O Brasil é um dos países mais diversos do mundo: 51% da população é formada por mulheres, 54% se autodenominam negros ou pardos e 23% apresentam alguma deficiência, segundo pesquisa do IBGE de 2017. Sendo assim, por que esse retrato não é refletido nos quadros empresariais?

A constatação mais óbvia é a atuação do filtro do viés inconsciente, algo natural do ser humano e que nos faz rejeitar o que é diferente do que consideramos “correto”, a partir da nossa visão de mundo. Por isso, é muito mais fácil que um diretor de RH que seja do sexo masculino, branco, heterossexual e formado em uma determinada instituição de ensino, por exemplo, contrate um funcionário nos mesmos padrões sociais que os seus. Esse é um dos pontos que devem ser quebrados.

De acordo com um levantamento do Instituto Ethos realizado com 500 companhias brasileiras, o percentual de funcionários com alguma deficiência das maiores organizações nacionais é de apenas 2%, o mínimo exigido pela lei. Enquanto isso, as mulheres representam 58,9% dos estagiários e apenas 13,6% das vagas executivas. Não existe um executivo de origem indígena nas empresas estudadas – 94,2% dos cargos executivos pertencem a brancos e apenas 4,7% dos negros ocupam cargos nesse nível.

Esses dados evidenciam a existência de uma forte barreira nas companhias com relação à diversidade. E ela precisa ser derrubada. Para isso, a alta liderança das organizações, responsáveis pelas grandes decisões, devem estimular reflexões em torno desse tema.

Por Jorge Carneiro, presidente da Sage Brasil e América Latina

Foto: Freepix

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