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É preciso ressignificar a área de recursos humanos nas empresas

Durante muitas décadas, a área de Recursos Humanos foi percebida como uma parceira de negócio das unidades de negócio da empresa

De acordo com a pesquisa “2019 Report: People Management”, da Paycor, 61% dos CFOs afirmam que a área de Recursos Humanos não impacta o core business do negócio. Por outro lado, segundo a Boston Consulting Group (BCG), empresas que possuem excelente experiência de recrutamento de pessoas performam 3,5x mais, em termos de faturamento, de que suas pares de mercado.

O que ambos os dados têm em comum? – O papel da área de recursos humanos na gestão de empresas.

Durante muitas décadas, a área de Recursos Humanos foi percebida como uma parceira de negócio das unidades de negócio da empresa. Se, por um lado, era extremamente requisitada para ajudar em alguns processos específicos – tais como seleção, outboarding, remuneração, etc. quando se falava em alocação de recursos financeiros, normalmente, era uma das áreas que menos recebia aporte para empreender seu trabalho (e, na prática, sabemos que onde o investimento está, é, também, onde a prioridade está alocada).

No entanto, no início dessa década, com a necessidade de se adaptar a um novo momento de mundo, principalmente pela consolidação de novas tecnologias no mundo corporativo, o departamento de RH – que começou a ser, inclusive, renomeado para se adaptar a esse movimento, passou assumir um papel maior de protagonismo. Profissionais passaram a entender que para as grandes transformações necessárias, apenas a aplicação de tecnologias e aquisição de equipamentos seria insuficiente para sustentar uma mudança de longo prazo.

Passada a etapa de questionar a importância dessa área dentro das empresas, um novo momento se apresenta ao profissional da área de Recursos Humanos. Agora não mais num contexto de surgimento e consolidação de algumas tecnologias, mas, sim, num contexto de disrupção tecnológica, em velocidades jamais vistas; unido à mudança demográfica do mundo corporativo, onde, segundo a Deloitte, até o final de 2020, 75% de toda população no trabalho será da geração millennial, ingredientes se somam para que o RH deixe de ser uma área periférica e assuma uma figura protagonista nas transformações que virão nos próximos anos.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Indeed, o RH pode ser altamente reativo pois não é capaz de coletar e tomar decisões orientadas por dados. Abre-se aqui, uma oportunidade, portanto, de especialização prática desses profissionais que, normalmente, não são treinados e/ou preparados a se orientar por esse tipo de informação. Uma outra oportunidade que se desenha, de acordo com Kelly Palmer, Chief Learnng Officer da Degreed, é a possibilidade da criação de programas de aprendizagem contínua nas empresas – de acordo com uma pesquisa da PWC, com dezenas de CEOs ao redor do mundo, foi apontado, dentre os 3 principais desafios da década a disponibilidade de habilidades-chave para os negócios no século XXI. Um último exemplo da oportunidade de assumir a ponta de protagonismo nas transformações atuais do mundo corporativo pelo RH vem da onda de transformação digital. Em um artigo intitulado “Don’t put a digital expert in charge of your digital transformation”, publicado na Harvard Business Review, os autores Nathan Furr, Jur Gaarland e Andrew Shipilov reforçam a recomendação que uma pessoa que entende e sabe executar transformações organizacionais possuem maiores chances de sucesso ao implementar a transformação digital – mesmo não sabendo muita coisa de tecnologia, se comparados com profissionais denominados gurus digitais.

É um momento, por fim, altamente oportuno para a ressignificação do papel da área de Recursos Humanos nas empresas em todo o mundo. Os profissionais que conseguirem desenvolver os skills digitais necessários para esse novo momento de mundo e, ao mesmo tempo, tiverem a capacidade de obter uma boa sensibilidade das mudanças necessárias, relacionando com o desafio de negócio vivido pela empresa, podem, sem dúvida, liderar estratégias extremamente importantes para as organizações, ajudando-as a atingir os resultados tão sonhados.

Por Douglas Souza, CEO da Eureca – consultoria especializada na conexão entre jovens e o mercado de trabalho


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