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Employer Branding: basta colocar uma mesa de ping-pong no escritório?

85% das profissões que vão existir em 2030 ainda não foram criadas

Em uma conversa, uma amiga soltou a frase: “A qualidade do palco é sempre secundária à qualidade da peça de teatro”. Ao ouvi-la, confesso que fiquei em silêncio por alguns segundos. As sinapses estavam em êxtase e onde tudo começou a fazer sentido. Eu explico.

Lembro das palestras e painéis que participei em 2018, sobre Employer Branding (ou marca empregadora) e o que fazemos aqui na Creditas.  A quantidade de relatos de empresas dizendo que aderiram ao “no dress code”, e que criaram um espaço de jogos na empresa, mas que a adesão foi baixa – ou quase nula, em alguns casos – foi enorme.

A falha, talvez, não esteja na sala de jogos e, sim, nos tipos de jogos. Veja bem: para ter sucesso no Employer Branding é preciso entender, antes de tudo, o Employee Value Proposition (EVP), ou proposta de valor ao colaborar, em português. Mas o que significa isso, Whiny? Bom, na prática, é tudo aquilo que uma empresa oferece como diferencial a seus colaboradores – que o faz recusar propostas e se dedicar para evoluir junto com a empresa. É preciso entender como se diferenciar de seus concorrentes de talentos, quais são as suas Personas, e com isso realizar projetos mais assertivos.

O termo EB (Employer Branding) vem ganhando força há dois anos no Brasil. Vemos um movimento grande de empresas de tecnologia se destacando, e o mercado com um olhar mais positivo para as startups brasileiras – muitas estão se tornando Unicórnios, como a 99, o Pag Seguro ou a Movile, que possuem escritórios modernos e que, muitas vezes, até nos lembram a nossa casa, dando vontade de passar lá a maior parte do tempo. Mas isso, porém, não significa que todas as empresas precisam ser assim. Já vi e ouvi de muitas pessoas o quanto elas se sentem mais importantes em empresas mais formais, que exigem delas um dress code específico, e que não sentem falta de sala de jogos, e isto está tudo bem. O importante é conhecer o seu público.

Confesso que sinto medo do termo Employer Branding ser banalizado. Vejo empresas querendo se destacar vendendo serviços que não são condizentes, outras querendo contratar um profissional de EB para cuidar somente das feiras de universidades. Não que esta não seja uma de nossas funções, mas é apenas uma pequena parte, pois EB está totalmente ligada à estratégia do negócio. E, ao mesmo tempo em que me preocupa, me motiva. Há um forte movimento de evangelização do tema, pois não basta profissionais de Recursos Humanos entenderem o que isso significa. Nós precisamos que todos na empresa saibam o impacto gerado no negócio. Essa não é uma tarefa fácil e me arrisco a dizer que é um trabalho de “formiguinha”.

Hoje, o desafio de contratação já é grande, principalmente, por talentos em tecnologia, mas existe um elemento que vai agravar a situação: 85% das profissões que vão existir em 2030 ainda não foram criadas, segundo estudo encomendado pela Dell Technologies para o IFTF (Institute for the Future). E sabe como se preparar para esse futuro que ainda não se conhece? O futuro começa hoje! Portanto, se preocupe nesse momento com a “qualidade da peça de teatro”, como está o ambiente de sua empresa, quais são as estratégias de melhoria, qual a experiência que seus candidatos têm no processo seletivo, como é a jornada que sua empresa proporciona, descubra o que você quer como marca empregadora, e, depois disso, aí sim, é o momento de se preocupar com a qualidade do seu palco.

Você vai conseguir aumentar a atração de talentos, mas, principalmente, conseguirá retê-los. E a cereja do bolo será funcionários mais apaixonados pela sua empresa, sendo os primeiros a falar bem dela e fazer sua propaganda.

Por Whiny Fernandes, Employer Branding da Creditas

 

 

 

 

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