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Evolução tecnológica: ameaça ou oportunidade?

Não quero compactuar com essas formas de automação de sistema aonde nós acabamos perdendo o controle

Você acredita que os chatbots podem competir com você? Tirar seu emprego? Tirar seu lugar no mercado de trabalho? Se analisarmos os chatbots como um rival, a estratégia vai ser competir, ser melhor que ele, desvalorizá-lo, evitá-lo, portanto não será agregado aos nossos processos e projetos de vida e empresa. E daí, o que você está fazendo? Você está perdendo espaço, perdendo oportunidades e perdendo vanguarda? 

 

Eu não acredito nisso! Não quero compactuar com essas formas de automação de sistema aonde nós acabamos perdendo o controle. Analise comigo: Os chatbots se baseiam em bancos de dados, são algoritmos, fazem o que estão programados, fazem o possível, não criam, não ousam e não inventam, você entende? 

 

Você é muito mais que um algoritmo! Você faz o impossível, inova, se adapta e consequentemente sai do padrão. Se você é vendedor, não se sinta ameaçado, o chatbot não vende! Ele retira o pedido e quem vende é você! O chatbot atende o que está dentro de um padrão, caso contrário ele irrita o usuário ou o cliente porque não tem saída. Mas, é claro que ao longo do tempo, estes sistemas vão aprendendo e se aperfeiçoando cada vez mais.

 

Os chatbots incomodam algumas pessoas, mas tem um outro elemento que me incomoda muito mais: Os assessores virtuais. Dizem que são mais inteligentes que os chatbots, será?

 

Certa vez, fui dar uma palestra no BB (Banco do Brasil) e daí era um tal de falar da Norminha. Norminha? E quem é essa poderosa? A Norminha é a solução das normativas. Ela sabe de tudo e resolve. Você não precisa procurar nada, simplesmente é só perguntar! Norminha, e neste caso qual a normativa? Como venho dizendo ultimamente: “Abrace a diversidade. Não seja reativo, seja criativo!”

 

Você deve conhecer vários assessores virtuais, certo? Não entendo por que a maioria deles tem nome de mulher. A não ser o Waze, que configurei com uma voz masculina em espanhol e acabo  me divertindo muito. Entro no carro e já o ligo, e daí começo meu trajeto. Vou errando os caminhos que ele me propõe, e com a paciência de um galanteador ibérico, diz: – Guapa, equivocastes, vuelva! Muito galanteador, né? Imagina só! Quando de repente estou ali conversando com o Waze e a Siri (que nem chamei na conversa) aparece e diz: Posso ajudar?

 

Acho que ela deve ter um grande ciúmes e vem de propósito atrapalhar meu encontro romântico com o Waze, então eu digo para ela: – Não lhe chamei! Vai dormir, estou aqui com o Waze. Foi muito assustador, porque além de tudo ela ainda me respondeu: – Só os seres biológicos dormem, olha o que eu encontrei para você.

 

Quando olhei na tela do celular, estava um link do Google que dizia: Seres humanos que não dormem desenvolvem demência e Alzheimer. Caro leitor, não sei se isso é para rir ou para chorar, mas eu fiquei impressionada e falei: – Se você continuar assim vou lhe desligar! A Siri atrevidamente continuou, abriu os ajustes do Iphone no local onde eu poderia desligar sua atividade.  

 

Fiquei extremamente impressionada e vi que alguns filmes de ficção científica que assisti há pouco tempo sobre assessores virtuais, já chegou em nossa era! Houve um tempo que ficção cientifica era apenas ficção científica! E pensar que tudo começou com a secretária eletrônica, tão ingênua! A Alexia é outra que estamos num processo de entendimento. Confesso que é uma tecnologia que têm me ajudado muito agora neste período de isolamento social, sobretudo para desenvolver a minha paciência. Mas, tudo isso não é nada se você aprender a usá-los ao seu favor para otimizar o tempo, facilitar suas rotinas, auxiliá-lo no trabalho, organizar suas memórias, mídias, fotos, encontros, playlists, notas, ideias e muito mais. 

 

O que me deixa realmente em pânico são os pixels! Você já ouviu falar deles? Sim, não fui muito leve para conotar a palavra pânico. Fico horrorizada mesmo! Estes carrapatos que nos perseguem de forma invisível, que registram tudo o que fazemos, o que falamos e usam isso a nosso favor, ao mesmo tempo que usam contra.

Nos prendendo em uma bolha e nos impedindo de ter uma visão do todo, acabam por induzir nossas escolhas, opiniões e sugestões. Eles mesmos atribuem opções de acordo com o nosso comportamento de compra, de contato, de movimento, de conversa, de pesquisa e de tudo, um verdadeiro Big Brother. Isto me dá pânico! Você sente o mesmo? Os pixels me incomodam mais do que qualquer uma dessas novas tecnologias. Por isso, criei uma campanha: #Vamos enlouquecer os pixels!

Quero ver só pixel se medicando e fazendo terapia, hein! Combinei com um grupo de amigos de trocarmos o celular por alguns dias durante um mês aleatoriamente, aí quero ver se esses pixels não abrem nossas bolhas. É legal de fazer esse experimento com aqueles amigos bem diferente da gente e que tenha outros interesses, vai ser fantástico ampliar novos horizontes! Quero que seja algo enlouquecedor para estes pixels.

 

Escrevo tudo isso, reflito, questiono, me provoco, mas a saída é saber como trabalhar com estes elementos a nosso favor, enquanto você não consegue ver outra saída para mudar o mundo. A realidade aumentada, ou melhor, a realidade virtual é uma outra viagem.

Agora tem um restaurante no Japão que você faz uma viagem sem sair do lugar, entra num avião na classe executiva, tudo como se fosse real, tem até passaporte de acordo com a rota de viagem. Sua comida vem customizada, você tem a sensação do voo, visualiza a paisagem pela janela e depois do momento de aterrissar no destino escolhido, você recebe óculos de realidade virtual e conhece a cidade para onde estava viajando. Muito louco, não? E como já disse em meus outros artigos publicados: Na memória afetiva você viajou, a lembrança vai ser de ter ido viajar para tal país. Vai até ter até fotos selfies.

 

Para finalizar este texto, tenho que lhes contar da minha dor, de quem afeta diretamente meu mercado e o que estou fazendo. Eu sou Palestrante há mais de 20 anos e considerada uma das melhores do Brasil, mas tenho minhas limitações como todo ser humano.

Nem vou falar de holografia porque tem coisa pior que afeta diretamente meu negócio: A Sophia. Uma robô com inteligência artificial que fala praticamente todos os idiomas, totalmente programada, se conecta a qualquer realidade e consegue trazer os dados em loco, além de ser empática.

Em 2017 após palestrar  sobre o futuro num evento internacional aonde estavam as pessoas mais poderosas e influentes do planeta, na Arábia Saudita, ganha título de cidadã e nem precisa usar burca. Olha só! Ela tem Instagram e está nas redes sociais. Me provocou curiosidade, fui ver quantos seguidores ela tinha, 154.000 followers e adora postar fotos no feed. Postou até uma me imitando com peruca loura e tudo. E repito para mim mesmo e para você também: “Abrace a diversidade. Não seja reativo, seja criativo!”

Não transforme moinhos de ventos em dragões!

Por Leila Navarro


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