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Futuro do Trabalho: como se adaptar nestes novos tempos ?

As mudanças também têm trazido desafios ímpares aos profissionais que atuam na área de recursos humanos

Futuro do Trabalho: como se adaptar nestes novos tempos ?

A mudança sempre esteve presente em toda a nossa evolução, mas de tempos em tempos, passamos por uma grande revolução. Segundo, Klaus Schwab o fundador do WEF (World Economic Forum), a humanidade está ingressando na Quarta Revolução Industrial*, onde será uma era em que a união de tecnologias digitais, físicas e biológicas modificará radicalmente não apenas o modo como vivemos, mas a maneira como trabalhamos.

O ponto principal será a tecnologia, que promoverá alterações colossais no ritmo de mudanças, exigindo da população uma constante capacidade de adaptação em um curto intervalo de tempo. De acordo com o relatório do WEF, um terço das habilidades consideradas essenciais no mercado de hoje não serão mais necessárias daqui alguns anos.

Seguindo esse estudo, para os profissionais se adaptarem a essa nova realidade, será necessário desenvolver algumas habilidades, como por exemplo, a criatividade, antes restrita a determinadas tarefas como a criação na publicidade e tudo o que exige a estética como referência. Com uma série de novos produtos, tecnologias e novos formatos de trabalho, teremos que nos tornar mais criativos para nos beneficiar dessas mudanças.

As mudanças também têm trazido desafios ímpares aos profissionais que atuam na área de recursos humanos, onde precisam inovar constantemente para acompanhar, atender às demandas crescentes das empresas e os questionamentos de seus colaboradores.

Diante da pesquisa realizada em agosto desse ano pelo Laboratório do Futuro da Universidade Federal do Rio de Janeiro**, mostra o impacto da automatização nos empregos brasileiros e conclui que 60% do trabalho formal do Brasil está sob alto risco de automação nas próximas décadas. Os dados são alarmantes se olharmos apenas os números, mas provoca uma boa reflexão. O que os profissionais devem fazer é se antecipar e se requalificar, adaptar-se às novas funções disponíveis, e resgatar as habilidades que, por enquanto, só os humanos possuem.

Segundo as habilidades apontadas no relatório do WEF e no Livro de Klaus, podemos repensar nas 10 habilidades do futuro para nossas estratégias que se trabalhadas, poderão iniciar um processo de desenvolvimento que nos trará retorno.

Flexibilidade Cognitiva: Capacidade de ampliar o modo de pensar, imaginando caminhos alternativos para solucionar os problemas que surgem no cotidiano. É exatamente esse tipo de habilidade que as empresas do futuro aguardarão dos profissionais.

Capacidade para negociar: Empenho nas habilidades interpessoais, capacidade de fazer negociações com clientes, colegas e gestores.

Orientação para Servir: Saber orientar os consumidores será uma habilidade fundamental. Tem sido crescente as preocupações dos clientes nos setores de serviços financeiros, de alimentos e de tecnologia da informação. Mais do que saber orientar, o profissional deverá conhecer bem o seu público para se adaptar a serviços oferecidos à realidade dele.

Julgamento e Tomada de Decisões: Os profissionais do futuro terão de examinar números encontrar insights nos dados analisados e utilizar o Big Data para tomar melhores decisões estratégicas. Ver estatísticas, analisar o aprendizado em problemas passados e tomar decisões baseadas em problemas já enfrentados anteriormente pode ajudar.

Inteligência Emocional:  A característica que mais diferencia os homens das máquinas são as emoções. Reconhecer e avaliar as emoções das outras pessoas, estabelecer empatia com esses sentimentos visando sempre resultados desejados, são formas de desenvolver essa habilidade.

É uma habilidade social extremamente importante para os líderes e gestores, e será muito necessária e exigida em todas as empresas do futuro.

Liderança para lidar com equipes: Ao mesmo tempo em que se investem em máquinas e serviços automatizados, as empresas têm privilegiado a contratação de profissionais que apresentem fortes habilidades interpessoais. Comunicação, boa síntese, falar em público, conduzir uma negociação e estar à frente de uma equipe são necessidades cada vez mais exigidas para o ambiente profissional.

Gestão de Pessoas: Embora haja muito avanço em áreas como automação do trabalho e inteligência artificial, os funcionários continuam a ser recursos valiosos para as empresas. Saber gerenciar pessoas é o mesmo que saber maximizar a produtividade, motivar as equipes e responder às necessidades dos funcionários para que se sintam acolhidos. Ajudá-los a lidar com os problemas do dia a dia, oferecer um ambiente confortável de trabalho e incluir opiniões divergentes dos membros das equipes são também habilidades humanas imprescindíveis.

Criatividade: O profissional criativo consegue conectar informações aparentemente diferentes e, a partir dessa conexão, construir ideias inovadoras para apresentar algo novo. As novas tecnologias e os novos produtos exigem dos profissionais uma significativa dose de criatividade para que possam assimilar, usufruir e tirar vantagem de todas essas mudanças.

Pensamento Crítico: Ser um profissional crítico será uma habilidade muito valiosa nos próximos anos. O pensamento crítico envolve a capacidade de usar tanto a lógica quanto o raciocínio para questionar determinados problemas, identificar os

“prós” e “contras”, ponderá-los e considerar as diferentes soluções para os obstáculos.

Resolução de Problemas Complexos: Essa não é uma habilidade que já nasce com o profissional, mas que é aprimorada com o passar dos anos. Se resume na capacidade de solucionar problemas indefinidos e novos em ambientes reais, vai ser construída a partir de uma base sólida de pensamento crítico. O profissional do futuro terá de contar com uma elasticidade mental para resolver problemas que jamais viu antes, e que podem se tornar ainda mais complexos.

Por Rebeca Toyama, Especialista em Desenvolvimento Humano.

* Informações baseadas no livro A Quarta Revolução Industrial; Autor: Klaus Schwab;  Editora Edipro, 2016.

 

**Laboratório do Futuro desenvolveu o Relatório Técnico em Agosto/2019 “O Futuro do Emprego no Brasil: estimando o impacto da automação” como parte do projeto Mapeamento da Computorização no Brasil, que reuniu pesquisadores da COPRE/UFRJ, ENCE/IBGE e LNCC/MCTIC.

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