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Home office é estratégia empresarial e não benefício para o colaborador

O primeiro e imediato benefício do home office é que a empresa se vê obrigada a adotar ferramentas de trabalho na nuvem

Uma das maiores dificuldades que encontro nas empresas quando elas se veem diante da transformação digital é o seu modelo engessado de operação. Como para mim transformar-se vem de dentro, vejo o home office como uma eficiente ferramenta para ajudar nesse processo de transformação.

Quando a pessoa que está gerindo uma empresa ou equipe coloca uma lente que permite enxergar o home office como estratégia empresarial e não apenas como benefício para os colaboradores, ela passa a ver coisas que antes estavam embaçadas, como acontece com quem antes estava precisando usar óculos e de repente passa a ver tudo com maior nitidez.

O primeiro e imediato benefício do home office é que a empresa se vê obrigada a adotar ferramentas de trabalho na nuvem e passar daquela fase de desconfiança entre ter tudo dentro de casa em seus servidores ultrassecretos e conviver com o modelo onde os dados estão distribuídos. Isso já não é sequer uma tendência, tornou-se obrigação para sobreviver na nova economia. Essa nova lente para o home office faz enxergar que a empresa começa a ter – e não somente os colaboradores – benefícios que são fundamentais no ambiente de transformação digital.

Torna-se possível atuar com uma operação distribuída, onde as equipes estão espalhadas e esse modelo faz germinar a semente da empresa ter uma atuação expandida e não apenas local. A empresa torna-se mais maleável diante de situações inesperadas, como bloqueios em dias de greves nacionais, manifestações nas ruas e dificuldades com o deslocamento devido ao trânsito crescente nas cidades. A redução de custos com escritórios e a contratação de novos talentos em localidades distantes da sede da empresa são efeitos colaterais positivos de um projeto de home office pensado como estratégia empresarial.

Evidentemente existe o outro lado da moeda. O home office traz novos desafios de gestão de pessoas, existe a urgente necessidade da adaptação das leis trabalhistas e também a mudança de cultura que a empresa precisa passar para ter certeza que os projetos serão realizados com eficácia. Muitas empresas conseguem dar esse passo e outras não. Eu gosto de recomendar que o home office seja adotado de forma gradativa e por equipes mais maduras no uso de tecnologias e, mesmo nessas equipes, eu evito recomendar a adoção do modelo integral, o chamado full home office, de início. É melhor começar com um dia por semana e ir aumentando os dias à medida que ganha-se confiança no modelo.

Para muitos colaboradores é um choque também. Já vi muita gente que simplesmente não consegue se acostumar em trabalhar de casa, pois existe um condicionamento devido a muitos anos atuando no escritório e mudar torna-se um tabu. A pessoa dá muitas desculpas e tudo vira motivo para dizer que ela não consegue atuar em home office. Para o caso delas, eu enxergo ainda mais benefícios, pois mesmo sofrendo inicialmente, quando elas conseguirem se adaptar, estarão prontas para atuar em um cenário novo de atuação profissional completamente reorganizado pela transformação digital. Poderá doer inicialmente, mas vai ajudar a amadurecer e adaptar-se, e o benefício será para a empresa e para os colaboradores.

Por: Adilson Batista, fundador da Today – agência de transformação digital

 

 

 

 

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