Opinião

Home office: necessidade ou modernidade?

A presença física que era sinônimo de produtividade, hoje é encarada como obrigação e não define o comprometimento

Uma pesquisa inédita encomendada pela Microsoft em 2018 mostrou que para os profissionais brasileiros a flexibilidade de horário (68%) e a possibilidade de fazer home office e/ou trabalhar a partir de outros ambientes que não necessariamente o escritório (62%) são as principais características de um ambiente de trabalho moderno. Mas por que algumas empresas não conseguem modernizar suas jornadas de trabalho?

Se você ainda não sabe como responder, não é o único. Com o avanço da tecnologia trabalhar de casa ou de qualquer lugar longe do escritório passa a ser uma solução muito atraente para quem quer se preocupar mais em trabalhar, do que parecer que está trabalhando e isso se transformou em um dos grandes desafios da gestão do tempo nas grandes companhias.

A presença física que era sinônimo de produtividade, hoje é encarada como obrigação e não define o comprometimento do colaborador com a organização que o emprega. A entrada de novas gerações no mercado de trabalho que não se engajam em um emprego por remuneração ou estabilidade, mas sim pelos desafios que oferece e o significado que o trabalho pode trazer para as suas vidas, o famoso propósito.

Não por acaso, a cultura organizacional está no radar dos CEOs como um ponto crítico e fundamental para o crescimento dos negócios. Segundo a Global Culture Survey 2018, pesquisa da Strategy&/PwC, 68% dos executivos acreditam que a cultura é mais importante para o desempenho das organizações do que a estratégia ou modelo operacional.

Fazer home office é bom para todo mundo, mas não é tão simples. Para a empresa reduz custos e, se bem feito, aumenta a produtividade. Para o colaborador, oferece flexibilidade e mais qualidade de vida.

O home office endereça três desafios para as organizações. O primeiro é a gestão por tarefas e não pelo tempo: as empresas devem ensinar seus líderes a não se preocuparem com o tempo trabalhado, mas com a qualidade das entregas e cumprimento de prazos.

O segundo desafio é do colaborador que precisa estar mentalmente preparado para se autogerenciar, ser produtivo e conciliar o trabalho e a vida pessoal com equilíbrio. Um colaborador preparado para o home office pode ser mais criativo e produtivo.

O terceiro desafio para as empresas é criar mecanismos que favoreçam as relações humanas, como encontros presenciais periódicos ou ao menos via skype. Esse contato permite que colaboradores e líderes criem sinergias e se conectem. Intimidade também é importante.

Home office não significa distância da cultura, da visão e da filosofia de trabalho de uma companhia. Também não é day off e muito em breve não será percebido como um benefício. Será uma regra que definirá a capacidade de cada indivíduo gerir seu tempo e suas habilidades. É um modelo que evidencia as entregas.

Para as empresas, o home office – ou descer com o computador para trabalhar no café do prédio da firma – deve ser visto como uma nova cultura que veio para ficar. É mais difícil motivar pessoas à distância, mas o resultado pode ser aumento de produtividade, da felicidade e redução de custos. Para quem é líder é um prazer participar dessa transformação.

Por Erika Linharesfundadora da B-Have, empresa que oferece mentoria especializada em mudança de comportamento humano nas empresas.

 

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