Comportamento

Idiomas, culturas e dinâmicas: os desafios e oportunidades de se trabalhar em uma empresa de atuação global

Mais do que um impacto no currículo, profissionais apontam que a experiência traz momentos únicos de aprendizado e crescimento

Conhecer diferentes culturas e realidades é a vontade de muitas pessoas. Embora as viagens sejam a forma mais tradicional de resolvê-la, hoje já existem outras possibilidades para quem quer explorar o mundo até sem sair de casa. É o caso das oportunidades remotas de trabalho  em empresas que atuam globalmente, tendência que cresceu ainda mais na pandemia.

“O fato de lidarmos com as diferentes culturas de nossos usuários nos faz ter um maior respeito e compreensão com as diferenças entre as pessoas que temos em nossas vidas”, comenta Deborah Almeida, que já trabalhou em outros negócios mundo afora e atualmente é Customer Success Consultant na Kyte, startup de vendas e gestão para digitalização de pequenos comércios. A empresa, que nasceu em Florianópolis/SC, hoje atua em 143 países, como México, Estados Unidos e Filipinas, e emprega 20 colaboradores de forma remota.

Mas, junto com as culturas, vêm também os desafios. A língua é um dos principais limitadores, citados por grande parte dos colaboradores que atuam com atendimento.  Além de saber bem o inglês e o espanhol, eles precisam estar atentos para compreender cada sotaque e significado que as palavras podem adquirir nos diferentes contextos.

“O mais desafiador é adaptar o tom, me fazer entender e entregar a solução que o cliente precisa de forma certa e no menor tempo possível”, explica o argentino Mariano Croccolino, Customer Success Manager na Kyte. Até conversas rotineiras se tornam um momento de aprendizado, já que é necessário saber como descontrair e criar um vínculo com o cliente mesmo do outro lado do mundo.

A adaptação de linguagem para atendimento e rotina de trabalho também foi um desafio superado pela equipe da FacilitaPay, fintech para transações financeiras transfronteiriças com atuação no Brasil, Estados Unidos e México. De acordo com Stephano Maciel, nem todos da equipe falavam espanhol quando a startup passou a atuar no México. “A empresa tinha um time muito coordenado e colaborativo, mas nem todos tinham fluência em espanhol, então garantimos a capacitação desses profissionais”, afirma o CEO. Além do México, a empresa pretende iniciar operações no Chile, Uruguai e Colômbia até o final de 2021.

Dinâmicas

O aprendizado contínuo é outro ponto de destaque nos discursos dos colaboradores de empresas com atuação global, que comparam a dinâmica com a atuação mais automatizada de uma empresa local. “Uma das minhas grandes frustrações é o quão rápido o atendimento pode virar rotina e, com isso, afetar a experiência dos usuários. Mas quando ele é feito em vários idiomas e com níveis diversos de compreensão, tanto de tecnologia, quanto de gerenciamento de negócios, cada interação torna-se única”, ressalta a CS da Kyte Deborah. Para o seu colega Mariano Croccolino, em uma empresa nacional, até mesmo a forma de cumprimentar os clientes se torna automática. “Isso faz com que o trabalho seja mais simples, mas não necessariamente mais prazeroso”, reflete. “Aqui, o aprendizado é constante, e, provavelmente, sem fim”.

Ter uma rotina ágil também foi destacada por Julia Bianchetti, economista e BackOffice da FacilitaPay, como uma vantagem ao atuar em empresas globais. “Aqui, nenhum dia é igual ao outro, sempre temos novos desafios. E, o mais importante, faço parte de um processo que coloca o mercado e negócios brasileiros no radar mundial”, afirma.

Além do atendimento ao cliente

No marketing, o desafio é conseguir atrair essas pessoas tão diversas de forma assertiva e inclusiva. “Mesmo quando atuamos somente em território nacional, devido a diversidade do país, é mandatório nos projetarmos fora de nossas bolhas, estudar e buscar muitas informações. Quando falamos de escala global, essa necessidade deve romper ainda mais barreiras, que vão além da língua e da cultura”, comenta Edgar Ignacio, Coordenador de Marketing na Kyte.

A experiência global não se limita apenas àqueles profissionais que estão em constante contato com clientes e usuários de outros países. Mesmo quem está por trás dos computadores também vivencia uma realidade diferente. “Há mais variáveis a serem levadas em conta, como design, linguagens, traduções, formas de visualização adaptativas a outras culturas e integrações a serem implementadas, como pagamentos e preços”, comenta o desenvolvedor Jone Pólvora. Para ele, trabalhar em uma empresa global é desenvolver pensando na diversidade de culturas e em como impactar clientes em todo o mundo.

O mesmo vale para as atividades de BackOffice da FacilitaPay desempenhadas por Julia. A economista ressalta que os processos de transações financeiras são muito dinâmicos e condicionados ao câmbio,  em constante flutuação. “Em segundos, há uma disparidade gritante na cotação de moedas. Além disso, por ser um mercado global, há diferentes fusos de liquidações, o que complexifica as operações. É por isso que gosto dos dias com muitas operações e notar que realmente a agilidade facilita, lá no final, a vida dos nossos clientes, onde quer que eles estejam”, complementa.

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