Comportamento

Jovens e a comunicação no mundo corporativo

Não basta apenas ter o conhecimento técnico, empresas buscam cada vez mais profissionais que saibam se comunicar com as pessoas

Quanto mais desenvolvida a habilidade de comunicação verbal, melhor tende a ser a performance de uma pessoa no âmbito profissional e social. Refiro-me aqui àquela comunicação que exige preparo, convicção, assertividade, estruturação do pensamento, clareza no desenvolvimento das ideias, extroversão, autodomínio, voz clara e postura congruente. Afinal de contas, falar todos nós falamos, mas utilizar recursos precisos e específicos para o trabalho diário, em situações de reuniões, contatos com clientes, liderança, apresentações profissionais já é uma outra conversa, não é mesmo?

Em um cenário de tantas mudanças, a tecnologia nos surpreendendo a cada dia, com suas superações e inovações, notamos que muitos são os problemas relacionados à comunicação, resultado de poucos investimentos das nossas escolas e universidades nesse tópico específico.

Por isso é muito fácil encontrar profissionais cujas atividades são vinculadas diretamente a ações de comunicação, apresentando problemas dos mais diversos, tais como: timidez, inadequação em relação ao uso da voz, ausência de gestos, falas truncadas, dificuldades de vocabulário e gramática, inconsistência e falta de clareza em conteúdo, tornando suas falas prolixas, desconexas, monótonas e incompreensíveis.

No meu entendimento, essa matéria deveria fazer parte do currículo das escolas, oferecendo desde cedo recursos para o desenvolvimento dessa habilidade, facilitando ao jovem uma possibilidade maior de sucesso, desde o seu início de carreira. Reconheço que há um esforço por parte de algumas entidades em oferecer, além das matérias de português e literatura, cursos de teatro, de interpretação, gerando aos jovens uma possibilidade de romperem barreiras de timidez, terem uma maior familiaridade com palcos, com apresentações de trabalhos escolares, mas são raras essas iniciativas.

Por ser tão importante, técnicas e recursos de comunicação e oratória deveriam ser promovidas desde cedo para que os jovens já pudessem desenvolver ao longo do seu processo de aprendizado essas ferramentas, desenvolvendo a habilidade de falar bem, com técnica, elegância, naturalidade e assertividade desde cedo e, a partir daí, estarem mais bem preparados na fase de início de suas carreiras.

É comum observarmos jovens que iniciam suas carreiras profissionais mais cedo, pelo convívio com pessoas mais experientes, terem mais facilidade para se posicionarem, expressarem suas ideias e opiniões com maior desenvoltura e naturalidade e assim, pelo convívio, confronto e desafios apresentados, acabam por adquirir ou desenvolver recursos próprios para a superação dessas tradicionais limitações de medo, ansiedade, como organizar e estruturar o pensamento, como desenvolver a empatia, como atingir um objetivo específico, planejado e focado em vendas, liderança, negociações etc.

As próprias tendências atuais, nas quais os profissionais mais jovens são e estão sujeitos a um bombardeio de informações, tem uma vida acelerada, um perfil diferente na impetuosidade, com a facilidade de uma formação mais ampla e globalizada, facilidade do domínio de outro idioma, a valorização da mulher no ambiente profissional tem também impulsionado para a busca de recursos de comunicação, afinal há a percepção de que não basta apenas saber, mas saber fazer com o que se sabe.

Muitos são os desafios dessa juventude cheia de energia, vontade de realizar sonhos, em se tornarem alguém importante e acima de tudo, a pressa em que tudo possa acontecer rapidamente. Com o tempo e um pouco de prática, tudo vai se acomodando: a impetuosidade e a pressa dão espaço ao bom senso, a aceitação de que a experiência também passa a ser importante, um novo jeito de pensar e de agir passam a dar novos rumos e desafios nas estruturas excessivamente rígidas.

Mesmo assim, nesse contexto e cenário, encontramos jovens tímidos, com medo de se expor. A tendência de utilizarem muito a internet nos contatos e relacionamentos impede o bom fluir da comunicação verbal refletidos nas dificuldades no uso da voz, do corpo, no rubor que acontece no rosto ou no nó na garganta, na hora de falar diante de um grupo grande de pessoas.

A prática da comunicação no ambiente corporativo busca encontrar o equilíbrio entre forma e conteúdo, a congruência do argumento, a força do uso adequado da voz e do corpo e quanto mais rápido essas habilidades forem desenvolvidas, mais perto o profissional estará de alcançar o entendimento, o crescimento e o sucesso.

Fica o desafio para os pais, para as escolas, os professores e, em especial aos próprios jovens, o de reconhecerem e valorizarem o quanto antes o desenvolvimento dessa habilidade, por muitos esquecida, lembrada apenas quando o problema surge, quer seja em um processo seletivo, ou em um entrevista de emprego, ou mesmo na hora de apresentar um trabalho de conclusão escolar ou ainda em uma situação na qual o jovem tenha que mostrar autocontrole, talento e bom domínio da voz, dizer a que veio para este mundo e, certamente não é para pouca coisa.

Por Reinaldo Passadori, fundador e CEO do Instituto Passadori

Foto de Capa: Pixabay

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