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Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+

Ao incentivar a diversidade, programa abriu as portas para a minha genuinidade

Por André Brocca, gerente de produtos da Medtronic, multinacional especializada em tecnologia em saúde.

Pensaria mil vezes antes de sair da empresa a qual presto serviço. Não só por me sentir valorizado, respeitado, mas por conquistar a liberdade de poder ser quem eu sou. Decidi me posicionar sobre a minha orientação sexual, após uma conversa informal com um colega. Ele me pegou de surpresa e me indagou: ‘Se você que está na posição de líder tem medo, imagine o desconforto para os outros funcionários?’.

O comentário despertou algo que já estava latente na minha alma. E, finalmente, antes tarde do que nunca, eu quis me posicionar. Não apenas para dar exemplo como um líder como para tirar um peso das costas, é claro. Perdi muito tempo pensado em como os colegas ou clientes reagiriam quando soubessem sobre a minha orientação sexual.

Sei que é um assunto privado, mas sempre existia uma pitada de preocupação que rondava o meu dia a dia no mundo corporativo. Em viagens, por exemplo, quem vai querer dividir o quarto comigo? E ao ouvir comentários preconceituosos, como reagiria? Será que vou perder negócios por conta desse detalhe, que não diz respeito a ninguém, mas ainda é um tabu?

Sou um privilegiado porque nunca passei por uma situação de bullying homofóbico, mas tenho consciência de que sou uma exceção.  Ao me assumir, livrei-me de um preconceito que eu tinha e de um peso enorme que me angustiava em determinadas circunstâncias. Deixei de me preocupar com retaliações, talvez imaginárias ou não, e agora tenho mais tempo para focar no meu trabalho. Certamente, sou mais produtivo, pois me livrei de muitos fantasmas.

Atualmente, também integro o PRIDE, comitê de orgulho LGBTQIA+ da Medtronic, programa global cujos objetivos são garantir um ambiente diverso e levar educação sobre o tema aos funcionários. Além dos colegas e chefes que me fizeram enxergar a realidade sob diferentes pontos de vista, o PRIDE fez uma grande diferença, pois me muniu de informação e me acolheu, incentivando a minha decisão pessoal. Além do alívio por não ter de esconder fatos sobre a minha história, me engajei ativamente no comitê e uso a minha experiência para motivar os demais.

Também me considero favorecido por transitar numa empresa em que o respeito à diversidade é uma realidade, não está restrita ao papel. Existe uma colaboração do RH que enxerga a importância dessas políticas terem alta representatividade entre os colaboradores, trazendo uma maior autenticidade às ações do PRIDE. Por meio de uma série de atividades, como palestras, conversas entre as equipes, incluindo a alta liderança, podemos ser genuínos, críveis, enfim, reais.

Cada indivíduo precisa ter a sua postura respeitada. É claro que assumir a minha orientação sexual não foi algo simples. Foram longas horas de conversas com o meu marido, meus parentes, amigos e colegas de trabalho, por isso sei que cada um tem o seu tempo e sua necessidade de abordar o tema no ambiente profissional. Precisamos respeitar essa decisão.

No meu caso, vi que precisava desmistificar essa questão e não poderia esperar. O ano ainda não acabou tenho tantos planos pela frente, mas 2022 foi um marco na minha trajetória. Não só porque me casei com o amor da minha, mas aprendi a me respeitar, me tratar com mais carinho, e recomendo. Faria tudo de novo sem hesitar. Recentemente, li uma pesquisa sobre o que pensa e deseja a geração Z sobre o mercado profissional. Mais de 35% dos mais de 11 mil voluntários responderam que a atmosfera acolhedora faz a diferença na hora de optar por determinada empresa. Sábia geração Z, não acham?

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