Lideranças discutem o papel do RH na era digital

Evento promoveu debates com os maiores especialistas da área

Helen Rosethorn, CEO da consultoria britânica Prophet e autora do livro The employer brand: keeping faith with the deal, esteve no Brasil exclusivamente para participar do HR Conference. Com a ponderação de que as organizações precisam vivenciar o processo de transformação digital e moldar sua cultura de acordo com as novidades tecnológicas, a executiva questionou como os Recursos Humanos podem implementar essas mudanças no mundo corporativo, visto que a falta de investimento é a maior barreira enfrentada pela área.

Para isso, elencou três dicas fundamentais aos profissionais da área:

– os funcionários também são consumidores no mundo digital, então, precisam ser vistos como consumidores internos, pois esperam as mesmas experiências e ferramentas que utilizam no dia a dia;

– o ambiente de trabalho influencia diretamente na qualidade de vida, exigindo uma atenção maior das empresas para a saúde de seus colaboradores;

– a coleta de dados por fontes integradas é fundamental para melhorar a performance dos funcionários, uma vez que podem ser utilizadas para nortear intervenções no ambiente interno.

“O papel do RH é fazer com que os líderes entendam a dinâmica do ecossistema da empresa para conseguir uma transformação efetiva. Por isso, são considerados os jogadores-chave desse processo”, pontuou.

Já Christian Orglmeister, sócio e diretor executivo do The Boston Consulting Group, iniciou sua apresentação falando sobre a reinvenção digital que está em curso no setor de Recursos Humanos. Segundo o executivo, a transformação tecnológica demanda tempo e deve ser pensada desde o planejamento estratégico até a fase de implementação.

Uma das fases desse planejamento envolve redesenhar a jornada de trabalho para trazer o colaborador para o centro de atenção do RH. “Podemos definir cinco elementos para reestruturar a jornada de trabalho: proposta de valor ao empregado, desenho da jornada e workflow, disponibilidade digital, engajamento do colaborador e compromisso organizacional”, explicou.

Orglmeister também ressaltou o protagonismo do RH, uma vez que cria o ambiente, a cultura e a organização digital para toda a empresa, atrai e desenvolve talentos digitais (de fora e de dentro), cria a capacitação digital em toda a empresa e lidera a transformação nas suas próprias jornadas.

Em seguida, George Hallenbeck, diretor do Center for Creative Leadership (CCL) e autor de dois livros sobre aprendizado e liderança, respectivamente, reforçou em sua fala a importância e os benefícios das experiências encaradas como desafios.

Aprender à partir de uma experiência e utilizá-la para performar com sucesso em futuros desafios é a definição de agilidade de aprendizado. Segundo o executivo, é uma habilidade de vida que está em constante desenvolvimento e deve ser vista como um produto de nossas experiências.

“Toda nova experiência deve ser vista como uma oportunidade de aprender e crescer. É de extrema importância que cada indivíduo construa o seu banco de desafios pessoais. Qualidade alinhada à quantidade e diversidade resultam em experiências de sucesso”, disse.

Segundo a especialista em Digital Learning e aprendizagem corporativa Patrícia Chagas, as experiências resultam em inovações. De acordo com a executiva, todos os profissionais podem melhorar suas estratégias utilizando as falhas como parte do processo de aprendizagem.

“O aprendizado precisa ser orgânico, mobile, não linear e integrado, um conceito que definimos como Omni Learning. Trata-se de uma abordagem de aprendizado que dá suporte à performance organizacional”, explicou. “O orgânico vem do fato de todos serem protagonistas e construírem o conteúdo digital por meio de experiências sociais, o mobile possibilita mais engajamento, reflexão, aprendizado e acesso fácil aos conteúdos, não linear é a forma como se absorve conteúdo: contínua e exponencialmente. Por fim, integrado, pois se aprende ao trabalhar e vice-versa”.

Finalizando o ciclo de palestras do HR Conference, Sofia Esteves assumiu a palavra acompanhada de Raj Rani. Atualmente, Sofia é referência na área de Recursos Humanos e desenvolvimento de talentos no Brasil, além de fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos. Já Raj é especialista de inovação no Inoven, laboratório focado em inteligência artificial que trabalha em parceria com o Grupo Cia de Talentos.

Os dois conduziram a apresentação sobre como “hackear” organizações diante das transformações e impactos tecnológicos para manter-se relevante no mercado. “Se estamos em uma revolução digital, é necessário compreender o que ela está causando nas empresas para podermos pensar no futuro”, ressaltou Raj.

Entretenimento, lifestyle, consumo e cultura pop foram mencionados como fatores que precisam ser acompanhados pelas organizações, uma vez que são as principais características que moldam o colaborador. Ou seja, é preciso pensar quais consumos e experiências serão desejados no futuro.

“Em relação ao trabalho, o futuro trará carreiras exponenciais, com múltiplas possibilidades de configuração, lideradas por pessoas empreendedoras de si mesmo e que estarão a serviço das organizações que adotarem um novo modelo mental”, concluiu Sofia.

Foto: Openspace