Tecnologia

Mais dados, menos achismos: inteligência artificial é tendência para transformar a cultura de RH

Especialistas falam mais sobre a tecnologia e como ela pode ser decisiva para tornar o RH estratégico no momento da tomada de decisões

A discussão sobre a adoção de tecnologias como Inteligência Artificial e outras ferramentas pelo setor de gestão de pessoas não é nova, mas o ano de 2022 parece ser um divisor de águas para a tendência. Pesquisas como a realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostram que, no Brasil, 22% das empresas pequenas e 37% das grandes já contam com IA no dia a dia de suas equipes de RH.

A movimentação no C-Level das empresas pela busca por softwares e People Analytics cresceu tanto que motivou o Fórum Econômico Mundial a disponibilizar guias para os negócios que ainda não aderiram às novidades do setor de gente.

Segundo a Mindsight, empresa de tecnologia voltada para RH, a crescente procura por tecnologia na área tem conexão direta com a busca por modelos de gestão mais estratégicos e pautados em dados.

Thaylan Toth, CEO da empresa, afirma que a aplicação de IA e Machine Learning tem promovido uma nova cultura de gestão de pessoas no Brasil.

“A inteligência artificial é cada vez mais aplicada para trabalhar métricas de desempenho e de habilidades de maneira eficiente. Algoritmos inteligentes podem detectar riscos de demissões, moldar pipelines de talentos e fazer acompanhamentos preciosos dos membros da equipe”, explica.

Toth comenta ainda que os algoritmos impactam diretamente na performance não só dos funcionários, mas também das empresas. “Por meio de dados, é possível prever desempenhos, diminuir vieses na seleção de candidatos e auxiliar na hora de promover pessoas de forma mais justa. Tudo isso afeta diretamente os resultados financeiros das empresas, já que torna a gestão das corporações, mais inteligente e focada nos resultados buscados, sem deixar de lado o fator humano, reconhecimento e o bem-estar de todos”.

Mudança de cultura de RH

O setor de Recursos Humanos, principalmente no Brasil, ainda se caracteriza pela grande aplicação de feeling no momento de tomar decisões, inclusive quando o assunto é recrutamento e seleção, e promoção de funcionários.

Muitos mitos sobre a adoção de tecnologia em RH circulam por corredores dos escritórios. Um deles é o de que a IA reduz a diversidade nos ambientes de trabalho. Felipe Crivello, Head de Customer Success da Mindsight, ressalta que o fator humano sempre será fundamental para a escolha ou não de um profissional.

“Ferramentas de IA e Machine Learning são importantes para colher e analisar dados sem os vieses que, costumeiramente, são aplicados por profissionais que atuam na área. A tecnologia ajuda a retirar o viés humano dessas etapas. Mas no fim do dia, quem assina a decisão e opta por um candidato é uma pessoa”.

“Máquinas são livres de preconceito, desde que programadas da maneira correta. Elas ajudam a automatizar e indicar as pessoas que mais se encaixam nas posições, mas não tomam a decisão final. O fator humano é, e tem de ser, decisivo para que a utilização dessas tecnologia seja correta e permita as melhores decisões para as empresas”, reforça Crivello.

Qualidade de dados importa (e muito!) para um RH estratégico

Outro ponto importante é a qualidade dos dados. Muitas empresas não contam com estrutura, ou mesmo uma cultura pré-estabelecida, para cultivar dados limpos para aplicação em tomadas de decisão e em outros KPIs.

Para a conquista de um RH estratégico, com práticas eficientes para tomar decisões de forma ágil e precisa, a qualidade das informações colhidas é fundamental para o sucesso das ações na área de gente.

Para o CEO da Mindsight, a modernização e a mudança de cultura na área de gestão de pessoas caminham lado a lado com a evolução do negócio.

“Para atrair melhores talentos, as empresas precisam administrar melhor seu principal ativo: as pessoas. Para isso, é necessário que os gestores apliquem ferramentas de tecnologia para aprimorarem seus processos seletivos e também para promover de forma justa e condizente com o desempenho profissional de cada um. É possível aplicar inteligência para parametrizar esses conceitos, que até hoje beiram o abstrato, e os utilizarmos para tomar decisões melhores para o negócio e para as pessoas”.

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