Boas práticas

Marketing humanizado e gestão de pessoas

A gestora Veridiana Mellilo amenizou a crise da COVID através do fortalecimento da sua equipe no Centro de Equoterapia de Jaguariúna

O mundo passa por uma crise global agravada pela COVID-19, que afetou todas as áreas e setores da economia e serviços. Em meio ao novo cenário, o marketing se vê na mesma encruzilhada de todas as outras profissões: como se renovar em meio ao caos. O que parece render melhores resultados aos profissionais da área é a retomada aos princípios básicos humanos estabelecidos antes da era da tecnologia: a empatia, o respeito e o relacionamento com o cliente. A isso dá-se o nome de marketing humanizado.

No marketing humanizado, a experiência do cliente se encontra em primeiro lugar. A qualidade do produto agora caminha junto com o impacto que a marca em si tem na vida do consumidor. É importante a honestidade com o público: o mercado é formado de pessoas, então é necessário vender o que se consumiria, pois, no fundo, todo vendedor é também um consumidor.

De acordo com uma pesquisa da Accenture, multinacional de gestão e marketing, cerca de 83% da população preferiria adquirir produtos de uma marca que defendesse propósito alinhado aos valores humanos que o próprio consumidor defende, e 79% gostaria que empresas se posicionassem sobre assuntos relevantes socialmente. 76% afirmou que a posição em assuntos sérios influenciou a decisão da compra. Isso comprova que o marketing humanizado está alinhado tanto com o interesse de consumidores quanto de empresas.

Gestora do CEJ (Centro de Equoterapia de Jaguariúna) e do CAJ (Centro de Referência de Autismo de Jaguariúna), Veridiana Mellilo acredita que o marketing humanizado deve abranger além do consumidor, alcançando o profissional da empresa. “O primeiro contato que um potencial cliente tem com sua marca pode ser com um colaborador, e, caso ele esteja insatisfeito, isso será a propaganda negativa”.

O bem mais valioso de uma empresa é sua equipe profissional. O papel do gestor é buscar o melhor convívio e qualidade de vida para o seu time. Para Veridiana, isso significa manter conversas constantes, além de prestar atenção diariamente em toda sua equipe. “Estabeleço o perfil de cada um que trabalha no CEJ/CAJ  através de questionários e bate-papos. Todo mundo possui ambições e sonhos. Se eu souber onde ele está mais feliz, sei onde ele tem sua melhor performance. Alinhar os propósitos mantém minha equipe motivada”, complementa a gestora.

De acordo com Veridiana, é importante que o diálogo seja feito de forma natural. A conversa profissional não pode ser automatizada e mecânica: é fundamental que o gestor se atente às necessidades de cada um, e estabeleça um diálogo verdadeiro: a gestora enfatiza a importância de não fazer nada no piloto automático. Ser honesto e entender de onde está vindo cada demanda é o primeiro passo para uma relação mais transparente.

Essa técnica se mostrou certeira em meio à diversas crises. Logo após assumir o local, Veridiana teve que guiar a equipe perante uma mudança contratual, o que gerou à empresa 03 meses sem recebimentos. Quando recebeu a notícia, a gestora ficou muito preocupada, mas realizou uma reunião com seus profissionais e foi sincera. “Falei que sabia que todo mundo tinha contas a pagar, por isso iria entender quem precisasse se recolocar, mas 100%  do time ficou comigo. Fiquei arrepiada. Naquele momento, entendi que as pessoas querem trabalhar em algo que elas acreditem”, relata a gestora.

A pandemia só expandiu esse processo de autoconhecimento: no início da crise global, o CEJ/CAJ deu uma pausa de seis semanas dos seus atendimentos, nas quais Veridiana dormia e acordava pensando que ela precisava se reinventar, e reinventar os centros também, para que eles continuassem funcionando, a medida em que são um serviço de extrema importância. Hoje em dia, o local vai sair da crise da COVID mais forte do entrou, e ela atribui isso a seus colaboradores dedicados e felizes em suas posições. “O ser humano é um elemento  insubstituível do processo”, completa Veridiana.

A partir do momento em que o  colaborador se sente realizado na empresa, ele se torna parte e protetor de seu negócio, e o melhor meio de propagação que poderia existir. E o jeito de descobrir onde você melhor se encaixa é o autoconhecimento, de acordo com Veridiana. “Se conhecer é um processo contínuo. Tudo muda, portanto as portas têm que estar sempre abertas para sua equipe relatar novidades e ideias. Trazer a oportunidade do colaborador ser feliz naquilo que faz é o segredo do sucesso”

“Temos que interromper com a mentalidade tóxica de alguns líderes e chefes de fechar as portas para o crescimento a quem está embaixo, com medo da pessoa roubar o seu cargo. Isso vai contra o crescimento e o desempenho da empresa em si”, explica a gestora. Empatia, respeito e construção de relacionamento, seja com o cliente, com a equipe, com a família ou com as empresas relacionadas, são elementos fundamentais para a melhor qualidade de vida também do empresário, que pode se ver cercado de pessoas que confia e clientes fiéis. Se atentar às pessoas é a estratégia que gera mais resultados.

O gestor é ensinado a gerir processos, e não pessoas, e por isso é tão trabalhoso: conhecer a equipe toda é difícil, e, além disso, o mercado está em constante renovação e o gestor tem que se reinventar constantemente. Além disso, uma equipe só pode ser bem gerida se o gestor também trabalhar seu autoconhecimento para realizar sua função, portanto é essencial que o gestor seja incluído quando pensa-se no time. Quanto mais o gestor se adapta às necessidades do mercado e de seu time, mais empoderada a equipe fica, o que leva a resultados melhores.

Botão Voltar ao topo