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O benefício do Home Office da pré à pós pandemia

A preocupação das áreas de Gestão de Pessoas das organizações deve também contemplar regulamentações para horários de reuniões e cargas horárias de trabalho dos colaboradores

Há não muito tempo, Home Office era considerado pelos colaboradores um benefício bastante atrativo, dentre os concedidos por algumas empresas. Desde o início da pandemia da covid-19, que assola globalmente o nosso planeta, vemos que uma variável externa e incontrolável, advinda do ambiente natural, em um primeiro momento transformou aquilo que era um benefício para o colaborador em uma necessidade do empregador.

Embora tenha sido implementada de maneira forçada, algumas previsões acenam que a prática de Home Office veio para ficar. Decorridos quase três meses de isolamento social, o fenômeno que se vê é que agora são as empresas que passam a ver os benefícios da operação via trabalho remoto, passando a considerar a incorporação dessa modalidade de trabalho de forma permanente.

Em podcast do Estadão Notícias, Alexandre abreu, presidente do Banco Original, afirmou que, durante a pandemia, 99,9% dos 1.600 trabalhadores dessa instituição estão em Home Office, e estima que, terminada a pandemia, 70% deles serão mantidos nesse regime de trabalho, uma vez que deu super certo, dada a experiência ter sido muito positiva para empresa e colaborador.

A exemplo das empresas IFood e LAfargeHolcim, que ao colocarem seus colaboradores em Home Office, logo no início da pandemia, permitiram que os colaboradores levassem seus notebooks, mouses, cadeiras, descanso para os pés e outros materiais de escritório para casa, os aspectos ergonômicos são importantes e as empresas precisam dar atenção a isso, a fim de criar adequadas condições de trabalho a todos.

A preocupação das áreas de Gestão de Pessoas das organizações deve também contemplar regulamentações para horários de reuniões e cargas horárias de trabalho dos colaboradores, e principalmente, de suas colaboradoras. Infelizmente, ainda há que se fazer uma ressalva de distinção, dado que culturalmente a dupla jornada das mulheres ainda predomina no Brasil, pois há o risco de que o trabalho invada ainda mais integralmente a vida dos colaboradores, convertendo o benefício em malefício, gerando sobrecarga de estresse.

Considerando que estudos apontam a consolidação do Home Office como um fato posto, faz-se necessário que as áreas de Gestão de Pessoas das organizações criem políticas que possibilitem o estabelecimento de um equilíbrio entre os benefícios dessa modalidade de trabalho para a organização e para seus colaboradores. Os números apontam que as organizações ganham com a redução de seus custos fixos e aumento da produtividade, enquanto o colaborador evita deslocamentos desnecessários, comodidade e qualidade de vida.

Até o início desta pandemia, compreendia-se que permitir Home Office tinha algum efeito positivo sobre a motivação de seus funcionários e o aumento da produtividade ocorrida pode ser percebida nesse primeiro período de pandemia. Porém, assim como acontece com todas as recompensas não-financeiras, o valor desse “benefício” é determinado pela pessoa que o recebe, portanto, o efeito sobre a motivação e o desempenho de cada colaborador se dá de forma individual, dependente da singularidade e subjetividade de cada um. Em um primeiro momento, tudo é novo e a novidade traz um certo romanticismo sobre a experiência de trabalhar nessa modalidade, porém, o tempo dirá se os efeitos da transposição dos limites organização/casa permanecerão numa relação saudável, em que ambos sejam beneficiados.

Em matéria da revista IstoÉ, Sofia Esteves, CEO da Consultoria Cia de Talentos, afirma que “o desafio agora é diminuir o ritmo de trabalho das pessoas. Todos nós estamos cansados com tanta dedicação às empresas”. Mas será que as organizações estão dispostas a dividir os “bônus” e os “ônus” dessa relação? Esse seria o casamento perfeito: uma relação de benefícios mútuos a longo prazo e não somente durante a “lua de mel”.

Marineide de Oliveira Aranha Neto é professora de Gestão de Pessoas da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.


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