Colunista

O Conselho de Administração e as pessoas

No mundo dos negócios, o presidente do Conselho de Administração é também chamado de Chairman

O Conselho de Administração é um órgão colegiado. É o principal agente no sistema de Governança Corporativa.

A função básica de um Conselho de Administração é estabelecer um direcionamento estratégico dos negócios, em linha com os principais interesses da Organização, protegendo o seu patrimônio e maximizando o retorno sobre seus investimentos.

Ao mesmo tempo que o Conselho de Administração é um parceiro da Diretoria Executiva da Organização, cabe a ele monitorar a diretoria, com o objetivo de assegurar o fiel cumprimento da estratégia, atuando como ele de ligação entre ela e os acionistas.

Um dos papéis essenciais do Conselho de Administração consiste em refletir sobre objetivos futuros da Organização em que atuam, antecipando riscos e identificando oportunidades. Para tanto, a revisão contínua da estratégia é absolutamente necessária.

Com o início da abertura econômica no Brasil e o constante processo de globalização, na década de 90, as empresas brasileiras se viram obrigadas a adotar uma postura mais agressiva, competitiva e sustentável, implementando modelos de gestão que as tornassem capazes de gerar e gerir valor aos acionistas, sócios em geral e investidores.

Foi neste cenário que surgiu a figura da Governança Corporativa, cujo principal objetivo é ajudar as companhias nacionais a se adaptarem a um ambiente de maior competitividade global.

No mundo dos negócios, o presidente do Conselho de Administração é também chamado de Chairman.

Desde 2013, o Novo Mercado – segmento que agrega as companhias dispostas a adotar as melhores práticas de governança da Bolsa de Valores -, passou a exigir que fossem separadas as figuras do CEO e do Presidente do Conselho, por entender que há um contrassenso na acumulação destes cargos. Até porque cabe a um fiscalizar a atuação do outro.

Cabe ao Conselho de Administração auxiliar a Diretoria na gestão da companhia, sempre pautado nos valores de ética, integridade e nos conhecimentos gerais e específicos de cada conselheiro.

Composição dos Conselhos

 Existem conselheiros internos e independentes.

Internos: possuem algum vínculo com a sociedade, podendo ser sócios, diretores e colaboradores.

Independentes: são conselheiros externos que não possuem quaisquer relações familiares, de negócio, ou de qualquer outro tipo com sócios com participação relevante, grupos controladores, executivos, prestadores de serviços ou entidades sem fins lucrativos que influenciem ou possam influenciar, de forma significativa, seus julgamentos, opiniões e decisões.  

 O IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – recomenda que os Conselhos de Administração sejam formados por no mínimo 5 e no máximo 11 conselheiros, sempre em número ímpar. É sempre recomendado ter a participação de profissionais com experiências e qualificações diversificadas a bem da amplitude das discussões.

Atualmente os Conselhos de Administração contam com profissionais muito experientes e capazes da área de Finanças, outros tantos oriundos de Auditorias Independentes. Profissionais do mercado de capitais e de risco também são muito bem-vindos aos conselhos.

Gostaria de chamar atenção para alguns aspectos, os quais acredito precisam ser observados de pronto. Eu até diria que já está passando a hora.

MULHERES

O número de profissionais mulheres com acento nos Conselhos de Administração ainda é bem diminuto. A sensibilidade, o conhecimento e a tenacidade na atuação faz com que a participação delas seja imperiosa.

DIVERSIDADE

O avanço da sociedade traz novas exigências e novas demandas para as companhias, de tal sorte que uma melhor representatividade nos Conselhos, certamente, propiciará melhores condições para a elaboração e revisão da estratégia a ser seguida.

DIGITAL

Os conselheiros precisam ter familiaridade com T.I. e com as ferramentas digitais. Impossível criar qualquer tipo de estratégia sem levar esses aspectos em consideração.

PESSOAS 

A inclusão nos Conselhos de profissionais da área de Recursos Humanos com comprovada experiência é muito bem-vinda, posto que, apesar de todos falarem sobre a importância das pessoas nas Organizações, na dinâmica do dia-a-dia, não raro as pessoas são esquecidas, mesmo todos sabendo que o bom cumprimento da estratégia e de todas as metas dependem delas.

Os profissionais de Recursos Humanos são atores fundamentais na Gestão de Cultura das empresas. O que no passado era visto como uma coisa relativamente fixa e imutável, já de bom tempo para cá, é visto como um elemento estratégico e em contínuo desenvolvimento.

Cada vez mais, o profissional de RH tem que estar envolvido com os grandes movimentos de mudança.

Acredito que não há movimento de mudança que possa ter êxito sem um grande envolvimento da área que pensa na estratégia e na gestão das pessoas.

Evidente que o profissional de RH moderno e eficiente não é aquele que cuida apenas, da parte burocrática da área. Sim, ela é muito importante e indispensável, pois empresa nenhuma rodaria sem os pagamentos em dia e com todos os encargos decorrentes em ordem.

Entretanto, a visão e atuação estratégica dessa área é o grande diferencial. O profissional de RH tem que entender do negócio e com boa profundidade, sem esse entendimento, esquece. Ele jamais irá poder atender os seus clientes internos e não poderá contribuir com o desenvolvimento e geração de valor para a empresa.

Tem que ser um agente de mudanças.  Precisa estar muito antenado com todas os avanços tecnológicos e tendências. Deve saber provocar reflexões e discussões sobre temas inovadores dentro das Organizações.

Por Fernando Tadeu Perez, Conselheiro Certificado IBGC

 

                                                                                          

 

 


Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo