Colunista

O fim do RH como você conhece (e as oportunidades que vêm por aí)

No lugar das funções processuais, quem cuida de Pessoas terá espaço para desafios muito mais empolgantes

São tantas as mudanças relacionadas ao futuro e à maneira como isso impactará o mundo do trabalho, que também é preciso refletir sobre os impactos no que hoje definimos como áreas ou funções nas empresas, como você conhece hoje.

Seguindo os passos das mudanças corporativas, existirá uma convergência cada vez maior do que chamamos “departamentos”, já que pessoas com habilidades específicas vão trabalhar juntas por grandes projetos, e não mais separadas nas suas “caixas”. O caminho será muito mais horizontal do que vertical, menos “cargos” e departamentos’, e mais desafios de times, tribos, núcleos, ou “squads” – como queira chamar!

O RH não será diferente, e suas contribuições estarão totalmente ligadas às necessidades dessas múltiplas células de trabalho– o que, do ponto de vista de relevância para o negócio, significa um caminhão de oportunidades. Seguindo a tendência da era digital, as funções mais repetitivas, processuais e burocráticas, serão automatizadas. Folha de pagamentos, benefícios, controle de férias e demais funções operacionais de RH serão facilitadas pela tecnologia.

Os colaboradores tomarão muitas das rédeas de sua própria aprendizagem e a tecnologia será ainda mais vital formatando programas que treinarão as habilidades específicas necessárias nas empresas.

No lugar das funções processuais, quem cuida de Pessoas terá espaço para desafios muito mais empolgantes, juntando-se aos núcleos do negócio mais ativamente e trazendo resultados concretos e mensuráveis.

É difícil definir ao certo qual será exatamente esse novo papel do RH, e existem muitos estudos mundiais de grandes consultorias e órgãos específicos sobre essas megatendências, mas aqui estão alguns dos pontos focais que serão o coração da área:

Pipeline estratégico e retenção dos “supertalentos”

Com a divisão mais do trabalho entre humanos e máquinas, o talento humano será específico, diferenciado e valerá ouro; surgirão os “supertalentos”, pessoas que serão peças chave para a transformação das organizações.  A área de Pessoas usará intensamente os dados para prever o futuro da demanda de talentos, medindo e antecipando riscos e necessidades relacionadas a retenção de seus colaboradores chaves. Empresas buscarão talentos no mundo todo e, com ajuda de AI e métricas avançadas, definirão exatamente o tipo de perfil necessário para alavancar seus resultados.

Mensuração de Performance e análise de dados

Com o desenvolvimento rápido da ciência e tecnologia que envolvem inclusive o capital humano, a área de Pessoas estará cada vez envolvida com Perfomance e Produtividade. O CPO (Chief People Office – nome que muitas vezes está substituindo o CHRO e saindo das techs para ganhar terreno nas demais indústrias) deverá ganhar papel de maior destaque no board, e conseguirá demonstrar, com ajuda dos dados e muito claramente, a relação entre as pessoas e a performance do negócio.

Fortalecimento da cultura, integração e engajamento

Num mundo mais remoto e com menos necessidade para viagens, o RH assumirá um papel importante para ajudar a promover o networking, satisfação e engajamento entre os colaboradores e será o guardião de uma cultura forte, transparente, ágil e voltada ao humano: peça chave para o crescimento de qualquer empresa desse novo mundo.

Responsabilidade social e corporate branding

Na era onde as organizações precisarão ter propósitos relevantes à sociedade e responsabilidade por seus impactos, a área de Gente será um guardião da marca e reputação. Haverá um forte foco em se criar a cultura e comportamentos ideais e na prevenção dos riscos de reputação e sustentabilidade.

Esses quatro pilares ditarão novas oportunidades dentro da área de Pessoas, deixando as atividades corriqueiras mais automatizadas e abrindo espaço para funções mais estratégias e alinhadas ao crescimento acelerado dos negócios na Era Digital.

E você aí, que cuida de Pessoas…está antenado? Como está se preparando para essa revolução positiva?

Por Erica Castelo, Headhunter Internacional e CEO da The Soul Factor


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