Opinião

O futuro do trabalho é agora: novos rumos da gestão pós Covid-19

A transformação digital foi acelerada em todos os setores

Há um pensamento que diz que as transformações no mundo sempre são aceleradas por guerras ou catástrofes, mas nada se compara ao impacto do Covid-19, que vem abalando o mundo todo, em cadeia. Nos últimos meses, acompanhamos países e continentes inteiros parados, com crises sendo levadas em uma espiral negativa de um país para o outro. Mas, se jogarmos um pouco de luz nesse cenário desafiador, podemos notar que a tecnologia tem tido papel de destaque para nos guiar em direção a soluções.

No ambiente corporativo, por exemplo, o isolamento social imposto pela pandemia obrigou as empresas a adotarem o trabalho remoto e ferramentas tecnológicas como opção para evitar a disseminação da doença. Com isso, a transformação digital foi acelerada em todos os setores. Nesse processo, surgiram inúmeros impasses, entre eles os ligados às responsabilidades de gestão, que levou os líderes a questionarem quais são os caminhos possíveis para capilarizar o alcance da liderança e manter eficiência mesmo à distância.

Certamente, a digitalização da comunicação e de processos de trabalho facilitaram essa jornada. Até mesmo quem duvidava ou tinha receios relacionados a ela pôde comprovar que a tecnologia deveras funcionou. Quantas reuniões de board e de negócios não foram adaptadas para conference calls ou uma simples ligação nas últimas semanas? Quem não sofreu com a conexão caindo ou o microfone barulhento aberto durante as videoconferências e, mesmo assim, conseguiu fechar parcerias?

Sim, alguns obstáculos se fizeram presentes nessa fase de adaptação; modelos e contratos precisaram ser revistos, mas, no geral, grande parte das operações tiveram a possibilidade de se manter firmes graças à tecnologia e ao uso de dispositivos móveis. E muitas das mudanças que estão sendo implementadas agora devem mudar radicalmente o modo como lidamos com nossas obrigações no ambiente de trabalho. Um estudo da FGV aponta que o home office deve crescer 30% após crise do Coronavírus.

Se traçarmos um panorama de como os modelos de trabalho devem evoluir na próxima década, iremos vislumbrar megacorporações se dividindo em negócios menores e mais especializados, atuando no formato de “colmeia”. Os profissionais serão reconhecidos por suas habilidades e excelência no desempenho das tarefas e se destacarão aqueles que proporcionarem otimização e eficiência aos processos.

Já podemos observar essas mudanças em países como Israel e, principalmente, no setor de tecnologia, com o exemplo das fábricas de softwares. A partir de agora, essa segmentação de empresas e profissionais com base em expertise deve se espalhar para demais áreas da economia.

Com isso, haverá muitas mudanças nas relações de trabalho: veremos o surgimento de milhares de pequenas empresas e micronegócios, corporações grandes e médias irão consolidar o trabalho colaborativo e os contratos serão estruturados em acordos bilaterais, levando em conta os interesses do empregado e do empregador.

Outras transformações mais robustas ainda precisarão de aval legal para se estabilizarem, pois muitas das leis atuais estão baseadas em modelos de trabalho antigos que não condizem com a realidade que vivemos, mas esse é outro processo que deve ser agilizado em âmbito nacional.

Além disso, também precisaremos experimentar uma mudança de mindset e de paradigmas para seguirmos caminhando em busca da espiral positiva para vencer essa crise e nos prepararmos para próximas, que certamente virão. E, se pudermos tirar algo positivo do cenário atual é que, aplicando visão estratégica nesse momento, o futuro brilhante dos filmes de ficção científica, que parecia tão distante, pode estar mais próximo.

Por Sammy Roger – VP de Finanças da Benner

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