Carreira

O impacto da autoestima na carreira

É fato que o mercado atual demanda muito de nossos esforços como profissionais. As exigências, cobranças e horas e mais horas de trabalho extraordinário já estão integradas ao dia a dia dos executivos. A experiência que tenho em atendimento de sessões de coaching a profissionais de variados níveis hierárquicos, em diversos momentos de carreira e em diferentes ramos de atividades, deixa claro que estes profissionais estão expostos à uma overdose de competências técnicas, com sobrecarga de trabalho e de horas de dedicação, contrastando com um déficit de competências emocionais.

O resultado dessa somatória de fatores é de insatisfação e infelicidade no ambiente de trabalho, gerando impacto direto na autoestima e no desempenho na realização da função/atividade – colocando em risco a perenidade deste profissional na empresa atual. Para o estudioso Nathaniel Branden, autor do livro “O poder da Autoestima”, a autoestima é a disposição para experimentar a si mesmo como alguém competente para lidar com os desafios básicos da vida e ser merecedor de felicidade.

Em sua obra, Branden mostra que a autoestima se relaciona diretamente à auto eficiência (o indivíduo confia em seu funcionamento mental) e no auto respeito (o indivíduo sente-se merecedor dos benefícios e da felicidade). Pode-se entender, então, a autoestima como uma sinalização de saúde mental. O desenvolvimento depende de cultivar os próprios recursos, refletindo diretamente na capacidade de assumir responsabilidades pelas próprias escolhas, valores e pelas ações que dão sentido e direção à vida.

Nathaniel Branden coloca 6 pilares para a construção da autoestima, os quais podem ser relacionados ao processo de coaching:

  1. A prática da integridade pessoal e profissional – é a congruência entre os ideais e a prática, ou seja, a consistência entre comportamentos, valores, objetivos. Decisões e renúncias são feitas com base em valores e crenças. Os comportamentos, por sua vez, são influenciados diretamente por estes mesmos valores e crenças – tendo impacto direto nos resultados obtidos. A partir do momento que estes valores são identificados no processo de coaching, é possível decidir e aceitar o equilíbrio com maior tranquilidade.
  2. A prática da auto aceitação – é a recusa em manter um relacionamento antagônico consigo mesmo – influenciada diretamente pelo item anterior. O conflito diminui, pois, as decisões ficam facilitadas, diminui o tempo de tomada de decisão.
  3. A prática do auto respeito – respeitar a si mesmo, inclusive seus limites. O indivíduo descobriu seus valores e crenças e os aceitou. Respeitando esta aceitação e seus limites há um foco e uma eficiência maior na tomada de decisão.
  4. A prática da autoafirmação – é a recusa de falsificar a si mesmo para ser apreciado, é viver com autenticidade. A definição do objetivo e, principalmente, o comprometimento na realização deste objetivo são realizadores o suficiente para que o indivíduo se sinta apreciado e viva com autenticidade.
  5. A prática de autorresponsabilidade – é ter controle sobre a sua vida e assumir a consequência de seus atos. Culturalmente, grande parte dos indivíduos parece não assumir a consequência de seus atos simplesmente por não desejarem assumir a culpa em caso de insucesso. Por outro lado, o sentimento de realização e de força quando se atinge o objetivo, ou mesmo quando se caminha na direção dele é estimulante e renovador.
  6. A prática da intencionalidade/objetivos – é orientar as energias na direção daquilo que se seleciona para a vida. É ter propósitos específicos congruentes com as próprias capacidades. Culminando com esta relação de causalidade, de realmente querer que o objetivo se realize e de envidar todos os esforços nesse sentido. Na percepção do autor, talvez o efeito mais rico e de crescimento no indivíduo.

Durante o processo de coaching, acontece a investigação e o esclarecimento destes valores e a atribuição das ações às escolhas – relacionando diretamente o sentido da vida com as escolhas e valores. É onde o coaching alinha-se de forma a obter a busca de objetivos, atingimento de metas, equilíbrio, identificação/mudança de carreira, busca pela excelência, potencialização da capacidade de realização, incremento da performance e busca por soluções.

O autoconhecimento proporcionado pelo processo de coaching promove a integração e a vivência destes seis pilares. O resultado é elevação da autoestima a uma consequente

*Gianfranco Muncinelli é coach, consultor e professor do ISAE e do FGV Management

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