Qualidade de vida

O que o Crossfit me ensinou sobre humildade

Quando começamos no Crossfit, a primeira reação que temos é de que não vamos conseguir

“Quantas vezes a gente sai do box achando que arrasou no wod e depois descobre que não foi tão bem assim? Ou então, quantas vezes vai mesmo, muito bem, e no dia seguinte tem um treino desastroso?”. Quem pergunta é a atleta de alta performance Fernanda Surian, mais de 4 anos de competições dentro do Crossfit. “Tenho uma amiga que diz que não há nada que nos coloque melhor no nosso lugar do que o Crossfit, e eu concordo muito com isso. Dias bons e dias ruins, exercícios mais fáceis e outros que parecem impossível. A rotina de treinos é, além de um exercício incrível para o corpo, uma forma de exercitar a humildade”, afirma Fernanda.

Ela lembra: “quando começamos no Crossfit, a primeira reação que temos é de que não vamos conseguir. Mesmo quem, assim como eu, tinha essa curiosidade e essa gana de ir além, ainda assim fica pensando se vai mesmo, porque é uma mistura de elementos tão grande, e uma vibe de grupo tão forte, que pode intimidar. Então, a primeira lição do Crossfit é: começamos todos da mesma forma, independentemente de já praticarmos algum esporte ou não. Crossfit meio que zera o relógio, sabe”?

Para ela, em seguida já vem a segunda lição: você não vai ser bom em tudo. “O Crossfit ensina muito a perceber em quantas coisas a gente é bom e em quantas tem muito a melhorar, e tudo bem. Esse equilíbrio mostra que somos humanos e nos dá a medida do crescimento, à medida em que vamos evoluindo. A sensação de conseguir realizar algo que era muito difícil é maravilhosa”. Fernanda lembra que a sensação de fracassar em um exercício, ou de se machucar, é sempre devastadora, mas assim é a vida, em si: “não estamos sempre bem, não vamos sempre atingir nosso máximo. Dar tempo ao tempo faz parte de se acolher e de permitir que a nossa mente e nosso corpo trabalhem em conjunto”.

E, com o tempo, vem a terceira lição: “dias bons e dias ruins vem para todos, e é melhor se acostumar com o fracasso da mesma forma que deve se acostumar com a vitória”, afirma Fernanda. “Altos e baixos. Luz e sombra. É disso que vivemos, todos os dias, dentro e fora dos boxes. Ou encaramos com naturalidade e leveza e damos nosso melhor, vivenciando o dia péssimo e festejando o dia maravilhoso, ou vamos viver sempre achando que falta algo ou que não somos bons o bastante. Somos, sim, mas ninguém é o tempo todo, nem super homem e nem mulher maravilha. Somos humanos, e isso deve bastar”.

Para ela, exercitar a humildade nos faz mais fortes e nos permite sermos mais unidos. Com a nossa própria essência e com os outros. Algumas dicas da Fernanda que podem ajudar nesse processo de aceitação da nossa dualidade no esporte e na vida são:

1 – Entenda seu ponto de início – não se cobre mais porque o colega do lado já consegue algo que você começou agora. Evolua em comparação com você mesmo, não com os outros;

2 – Reconheça seus pontos fortes e invista neles, mas treine, com cuidado mas feito louco, os seus pontos fracos. Não tenha medo, não fuja das suas fraquezas, elas podem ser suas melhores aliadas de evolução;

3 – Acostume-se a não ir bem sempre, a não se sentir bem sempre, a ter seus dias ruins, a ter humildade suficiente para entender que nem sempre se ganha. Pra vida.

E para você, qual a maior lição de humildade do Crossfit?

 

Etiquetas

Artigos relacionados

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios