Opinião

O que os RHs podem aprender com o novo BBB

A diversidade e inclusão do Big Brother explora a importância do reconhecimento do público

No meio da pandemia, tem um BBB – Big Brother Brasil. Como diz uma amiga minha, diretora de RH de uma empresa de energia, “me julguem”. Muita gente esconde que assiste o BBB por acreditar ser um formato para o público não intelectualizado, mas será que isso confere com a realidade?  Eu gosto do formato, assisto e, vou dizer mais, aprendo muitas coisas que posso utilizar como coach no dia a dia das empresas.

Para começar, o BBB se preocupa com inovação. Todos os anos há um esforço contínuo em entregar o melhor programa para o público. Preocupam-se com o que há de novo em sociedade. E aplicam seus seus insights no novo formato do ano.

Agora em 2021, a mistura de pessoas, gêneros e classes deixa claro que houve uma preocupação expressa com o diverso: mais negros como Negro Di, Lucas, Karol Conka, participantes LGBT como Gilberto, João e Lumena.

A diversidade e inclusão do Big Brother explora a importância do reconhecimento do público “personagens” escolhidos para compor o elenco do programa. Não à toa, no ano passado, a médica Telma, negra, foi a grande ganhadora do programa de forma inédita. Não se apenas fala de DIB – diversidade, inclusão e pertencimento, se pratica à luz do dia e diante de milhões de espectadores, ensinando para as empresas a importância da mistura potente do programa.

Fora a DIB, o entusiasmo da liderança do programa contagia. Acompanhar Boninho, Tiago Leifert nas redes sociais deixa claro o quanto são apaixonados pelo que fazem. Liderança é isso: motivação, alegria, inspiração para todos a sua volta. Afinal, faz 21 anos que o programa vai ao ar, mas a liderança – diretores, produtores, apresentador – demonstram com sorrisos e uma energia singular o quanto estão felizes por estarem à frente do BBB.

Quantas vezes nos deparamos com líderes apáticos, sistemáticos que não são capazes de engajar os colaboradores, as equipes e o que dirá os clientes e parceiros? Líderes que talvez devêssemos chamar de chefes que apenas cobram a produção de resultados, sem se ater à ideia de que produtividade é resultado de engajamento e espírito de equipe. Uma grande lição que a liderança do BBB dá para as empresas aqui fora no mundo real.

São aulas de um time criado por Boninho e Creso Macedo, dois grandes executivos e idealizadores de conteúdo para TV, aulas essas que podem facilmente ser aplicadas nas empresas. E os líderes fazem mais: eles se envolvem pessoalmente com os projetos, chegam até a ponta do negócio – interagem com participantes, avaliam as pessoas, recomendam mudanças a partir das interações constantes.

O BBB foi criado para gerar conflitos – eles chamam, carinhosamente, de colocar “fogo no parquinho”, porque aqui fora também pessoas incendeiam empresas com opiniões, discussões, diferenças. O combustível é a discórdia. Por outro lado, a discórdia e as diferenças trazem o melhor das pessoas, ou seja, conflitos também geram resultados positivos. O BBB entende que trazer pensamentos diferentes é trazer reflexão para quem assiste.

Não há uma verdade absoluta, há as percepções de cada pessoa ou grupo a partir da sua cultura familiar, experiências de vida e contexto. Isso gera o conflito e gera a riqueza do grupo.

Será que os líderes aqui fora trabalham bem a escuta ativa, sabem o que acontecem na ponta do negócio e colhem percepções constantemente? É uma questão a se avaliar. Entender a individualidade dos liderados, incentivar o conflito como forma de gerar inovação irá tornar o caminho mais interessante para quem o trilha e vai trilhar. Uma empresa mais dinâmica com ferramentas únicas de incentivo à diferença e evolução das pessoas.

Afinal, a vida aqui fora, a vida lá dentro, é complexa, é BANI. O conceito BANI foi desenvolvido pelo antropólogo norte-americano Jamais Cascio: “Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible”, ou Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível. É a chave para se prosperar e trazer disrupções sob a nova ótica que vivemos desde a pandemia em 2020.

Que sejamos frágeis, ansiosos, não-lineares, incompreensíveis. E mutantes. Mudando sempre para melhor. Assim no BBB, como na vida e no mundo corporativo.

Vera Lorenzo – Executive Coach e Diretora do Fala Company – soluções para o desenvolvimento humano


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