Opinião

O que você tem feito ultimamente na sua vida que tenha sido uma escolha consciente sua?

Ter a capacidade de realizar uma ideia ou um propósito que tenha sua base na ética e moral é mais que desejável

Tenho visto com recorrência empresas buscando profissionais que tenham um perfil inovador, empreendedor e estrategista e que ao mesmo tempo tenham uma liderança agregadora, justa e humanista e… ao mesmo tempo apresentam alta capacidade de gestão, pragmatismo e entrega de resultados! Alguém poderia dizer “estão procurando por um super humano”, porém digo que é possível combinar todos esses atributos e ainda sobrar tempo! Mas, para tanto, a pessoa precisa manter consigo mesma um compromisso de buscar constantemente o seu autoconhecimento e integrar os novos aprendizados no seu dia a dia, dando-lhes vida e significado.

Nós nos habituamos a considerar que as pessoas que mais fazem são as que mais importam em um ambiente de trabalho ou sociedade. Muitas vezes se auto denominam “pragmáticas”. É verdade que contar com elas é uma maneira positiva de ir atrás dos objetivos. Contudo, é preciso reconhecer que somente ter disposição não é suficiente para fazer algo acontecer na sua plenitude. É imperativo ter um propósito, conhecer a essência do que se deseja realizar e ligar os motores da vontade de conquistar e motivação de ir em frente.

Mas de onde vem o propósito? De um desejo próprio e consciente ou de uma aparente verdade, embalada como sublime, mas falsa no seu íntimo, e que simplesmente não passa de um ato de obediência a um comando ou ordem recebida? Aqui reside o nó górdio da questão que diferencia uma pessoa da outra. Você é o protagonista da sua vida ou um coadjuvante da vida do outro?

Pare e reflita! O que você tem feito ultimamente na sua vida que tenha sido uma escolha consciente sua? O quanto do seu tempo você dedica para realizar os objetivos de outros? Veja bem a diferença! Se você o faz conscientemente, então você está compartilhando da sua riqueza. Mas, se você o faz sem saber o porquê, então você pode estar investindo mal a sua energia interior.

Portanto, é preciso voltar à questão do ser pragmático. Fazer sem saber o que está por atrás do que está sendo feito, por melhor que tenha sido a sua elaboração, pode ter um valor nulo para o progresso da sociedade e para o próprio autor se faltar vida àquilo que foi realizado.

Para contornar esta situação e adicionar o que falta para completar o super humano, aqui já mencionado, uma importante contribuição, adaptada para este artigo, vem de Immanuel Kant, pensador Prussiano do século XVIII, que entre vários estudos demonstrou que existem dois mundos: o mundo da experiência sentida por nossos corpos e o mundo das coisas em si e completou explicando que pensamentos sem conteúdo são vazios (como ação sem intenção) e que intuições sem conceitos são cegas (como intenção sem ação), e que somente a partir de sua união e equilíbrio pode surgir a cognição, o conhecimento consciente.

Para conquistar os atributos do mencionado super humano é preciso aquecer o pensamento com a vontade e iluminar a vontade com o pensamento, unir a intenção à ação e a ação à intenção, permitindo-se desenvolver a inteligência e fazer bem o que tem que ser feito e, então, poder-se-á seguir em frente sem se deixar dominar ou exercer dominação sobre quem quer que seja. Isto também é sabedoria!

O autoconhecimento deve ser uma busca constante. Entender a intenção do porque se está fazendo algo é no mínimo saudável. Ter a capacidade de realizar uma ideia ou um propósito que tenha sua base na ética e moral é mais que desejável. Quanto mais se dominam estas duas variáveis, ação e intenção, menos se está à mercê das histórias e interesses daqueles que não têm escrúpulos para usar os outros em favor de si próprios.

Dar vida e significado às ações é reconhecer conscientemente que, o que se está realizando no mundo físico, tem um correspondente significado no mundo espiritual, porque somente a força dessa dimensão pode originar e sustentar o que está sendo criado, caso contrário a criação se dissipará no tempo e a energia que lhe deu vida voltará à fonte original.

Por Vicente Picarelli,  professor e consultor da Fundação Dom Cabral, coordenador de cursos de Avaliação de Desempenho e Educação Continuada na FGV, membro do grupo de VPs de RH da Amcham de São Paulo


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